Naquela manhã, ela se sentia diferente.

Ela não conseguia explicar o que era, mas sentia a diferença correndo livremente por suas veias, viajando por todo o seu corpo, deixando-a quente.

Ela se sentia leve, como se tivesse se livrado do peso do mundo sobre os seus ombros. Não conseguia pensar em nada que pudesse ter sido capaz de fazê-la se sentir daquela maneira, mas algo a dizia que o culpado por aquilo estava bem ali, a centímetros dela, deitado ao seu lado na cama.

Scarlett abriu vagarosamente os seus olhos, quase como se tivesse medo de acordar e perder a sensação suave que a preenchia por dentro. Mas a atmosfera de paz e tranquilidade continuou rodeando-a quando ela piscou e focalizou a imagem de Damien ao seu lado.

Ela respirou fundo, correndo seu olhar pelos traços adormecidos do moreno. Ele parecia compartilhar da mesma sensação que ela. Não tinha como ter certeza, mas ela sentia que o rapaz também estava em paz. Suas linhas estavam suaves, suas pálpebras imóveis enquanto ele se encontrava em um sono profundo e tranquilo.

Cada traço do rosto dele parecia clamar pela menina, quase como se sussurrasse um canto mudo e poderoso, atraindo a atenção dela de forma hipnotizadora. Ela não conseguia parar de olhá-lo. E nem queria.

Seus olhos atentos caminhavam pela pele do moreno sem pressa, procurando por algo que ela não sabia dizer o que era. Ela gravou o desenho dos seus olhos e o contorno do seu nariz. Sentiu sua mão formigar em um desejo cego de correr pelos fios infinitamente negros que caíam levemente sobre sua testa. Pode se imaginar dedilhando o maxilar quadrado e bem formado do rapaz e desenhando os ossos de suas bochechas com a ponta de seus dedos. Mas foi quando seus olhos pousaram sobre os lábios de Damien que sua imaginação realmente se libertou.

As linhas da boca fina e tentadora do garoto pareciam não só desenhar seus lábios convidativos, mas também, desenhava lembranças perigosas que faziam a menina apertar os dedinhos do pé e engolir em seco.

A boca dele era fria, mas seu beijo era quente.

Não era?

Ou a sua mente criativa já havia recriado aquela noite por tantas vezes que já havia perdido o tom da realidade? Criando uma memória combinada com suas fantasias que deixava a lembrança muito melhor do que havia realmente sido?

Uma voz na sua mente dizia que era o contrário. Que era melhor.

Scarlett respirou fundo e se ajeitou na cama, sentindo Sr. Sparks deitado preguiçosamente sobre os pés dos dois.

Olhando para Damien, era impossível não se entregar ao gosto da curiosidade brincando com a ponta de sua língua, mas mais do que isso, a garota sentia algo a mais. Algo que não conseguia compreender.

Era quase como um sentimento de precisar estar ali, com ele. Não como nos relacionamentos abusivos que infelizmente existiam.

A sensação de prisão que ela sentia em relação a ele era como se seus caminhos tivessem sido trilhados para aquilo, para se cruzarem. Ela sentia que estava seguindo uma estrada que já havia sido preparada para ela antes mesmo que ela tivesse conhecido o demônio de olhos negros que a assombrava em seus sonhos.

Ela precisava ter ido para New York.

Ela precisava ter conhecido Damien.

Ela precisava ter criado um laço com ele um ano atrás.

Pois foi graças a essa ligação que Damien permitiu que ela entrasse, nem que fosse um pouco. Ele não falava com mais ninguém naquela casa, era fechado, atormentado e assombrado por pensamentos que ela desconhecia. Mas com Scarlett era diferente. As brincadeiras e provocações que o menino fazia com ela eram as únicas coisas que o permitiam ficar são naquela situação.

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