De ginasta a estudante de psicologia

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-Harley, querida. Você vai acabar se atrasando.- Minha mãe disse da porta do meu quarto quando não desci para o café da manhã. Me vesti com um vestido curto vermelho que eu gostava bastante. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo. Olhei minha mãe sair, pois ela sempre brigava comigo por eu me vestir "extravagante". Durante muitos anos não convivemos bem. Mas agora eu passava mais tempo fora de casa que dentro. Após papai morrer tudo só piorou, mamãe bebia a noite inteira em bares e tinha poucos dias sóbria.

Ao entrar na sala de aula notei que os alunos estavam muito agitados. Mark um ex jogador de futebol americano que havia estudo comigo antes estava conversando muito alto com sua namorada Jenna. Um grupo mais reservado estava cochichando no fundo da sala. E eu apenas me sentei sem falar com ninguém. O professor entrou na sala trazendo um menino mais alto que eu que estava com o rosto coberto por um capuz - Senhor Kerr, pode se sentar. - O menino caminhou até o final da sala e sentou. Ele tinha cheiro de bebida adocicada. Eu sabia bem já que toda noite minha mãe chegava com algum cheiro semelhante.

As aulas passaram bem rápido. E a professora do último tempo havia faltado, então fomos liberados mais cedo. O menino ao escutar o som do sinal de saída, saiu sem pensar duas vezes. E não falou uma palavra se quer com alguém. Eu percebi que ele escrevia bem rápido o conteúdo que os professores passavam e parecia ter as mãos agitadas quase todo momento.

Sai pela porta e o vi parado encostado do lado de fora da porta, notei que ele era bem branco ou usava maquiagem. Notei isto olhando seu queixo. Ele ficou parado ali por alguns instantes depois saiu sem falar nada. Confesso que aquilo me causou certa agonia. E um pouco de curiosidade o que era normal de mim. Pelo menos eu já sabia seu sobrenome : Kerr.

No dia seguinte o tal "Kerr" chegou muito atrasado e pude escutar sua voz falando com o professor, pedindo desculpas. Não era uma voz normal. Porém bonita. Uma voz que parecia ser moldada para convencer pessoas. Ele se sentou no mesmo lugar do outro dia e percebi que ele desenhou algumas cartas de poker na parede ao seu lado, a que mais me chamou atenção foi a carta coringa. Ele riu ao desenhar está como se tivesse algo de especial nela. Eu desconfiava que tinha um significado bem maior do que parecia. Ele estava com um casaco roxo desta vez e não preto como dia anterior o que deixava suas mãos mais brancas. O que mostrava como suas veias eram alteradas. O quanto ele parecia ser magro devido aos dedos compridos e bem finos. Dedos de um pianista pensei. Eu não conseguia parar de especular coisas sobre ele.

Fiquei parada um tempo antes do sinal bater, sabia que ele sairia correndo sem falar se quer uma palavra com alguém. Mas eu também sabia que ele havia parado para me olhar no dia anterior. Eu havia provocado curiosidade nele. Então eu poderia apenas dar um "Olá", não me custava nada. Alguns segundo antes que ele se levantasse entrei na sua frente meio que sem pensar - Olá senhor Kerr. - Disse sem jeito, mas sorrindo. Consegui ver seu sorriso prateado. Ele estava concerteza entretido - Você não precisa me chamar assim. - Sua voz era quase maliciosa - Me chamo Joseph, mas não conte a ninguém. Ou serei obrigado a matar você. E você é bonita demais para morrer tão jovem. - Eu sabia que ele estava brincando. Ele riu, e eu achei interessante seu humor. Porém ele saiu, mas antes colocou uma carta na minha mão. Uma carta de poker. A carta coringa. Onde tinha seu número de celular.

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