Capitulo 1 - New life

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O meu reflexo no espelho era como uma armadura, ninguém poderia me atingir enquanto eu mantivesse aquele sorriso inocente no rosto. Agora tudo tinha mudado, eu seria uma pessoa diferente. Eu seria feliz!

Coloquei meu casaco e arrumei minha franja, conferi meu reflexo pela ultima vez e sai pela porta do meu dormitório.  O verão estava  acabando, dava para notar pelas calçadas do campus o clima dando espaço para o outono, é tão bonito, tudo se tornando amarelado e com um ar aconchegante, a falsa felicidade de paz. Me impedi que começasse a dar várzea para pensamentos ruins.

Foquei na minha primeira aula do dia, que seria literatura latina, uma aula que tinha se tornado popular nos últimos anos, e tive sorte de consegui-la logo no primeiro semestre. Corri entre as arvores da praça sul e atravessei a porta do prédio que me dava à sensação de ser antigo tão lindo.

Fui uma das primeiras a chegar à sala de aula, só tinha mais duas meninas loiras com a camiseta rosa da Kappa Kappa cochichando e um garoto de cabelo castanho escuros, não consegui analisá-lo já que ele estava de costas. Porem, como se tivesse escutado seu nome ser chamado, o garoto direcionou o olhar para mim, de primeira ele pareceu surpreso, Deus sabe lá porque, mas depois a surpresa deu ligar ao sorriso mais sexy do mundo, era meio torto, o que o deixava mais lindo. Admito que dei uma boa sacada nele, cabelos castanhos escuros bagunçados, olhos castanhos acinzentados, pele clara como leite, um sorriso de causar inveja em muito dentista, e devia ser alto já que tinha pernas longas, ah e antes que eu me esqueça uma maldita tatuagem no braço e aquela argola sensual na boca, tenha dó né?

Esse nosso olhar durou uns dois minutos até que eu quebrei o contato visual e me sentei na primeira fileira, para o meu azar ele estava na segunda.

Olha, sei que tenho um passado obscuro e tals, mas não sou alheia a pessoas bonitas, o problema é que na minha cidade não tinha como sair com ninguém todos me conheciam por causa do acidente, alguns tinham pena, outros receio, e uns poucos medo. Pois é eu tive uma infância meio que difícil, mas estou lidando com isso obrigada.

Os demais alunos chegaram e lotaram a sala em poucos minutos, logo depois entra em nossa sala uma senhora com um que a primeiro ver dar a impressão de ser no mínimo estranha, ela tinha os cabelos castanhos com as pontas azuladas, uma calça meio hippie super larga, e um óculos estilo geek, essa combinação devia ter ficado brega, mas nela ficou apenas estiloso, não se engane a Dra Collins já tinha seus 45 anos, pois é, ela se apresentou e fez questão de dizer a idade logo de cara, bem eu gostei dela. Os próximos 90 minutos passaram voando, e logo soube que mesmo com fala mansa ela não toleraria corpo mole, visto que já passou dois resumos de livros latinos.

Guardei meu material sem pressa, sabe, pensando  no que ia almoçar já que minha próxima aula seria apenas a tarde, levantei  do meu lugar e me dirigi a porta distraída ainda pensando no que era melhor de comer as 10:00 da manha. E foi nessa distração que dei de cara com  o cabelo loiro  de uma garota que estava na porta. – Ai me desculpa não te vi. – gaguejei envergonhada - Sem problemas querida. – sorriu a garota. Depois do susto pude reparar mais nela, com olhos azuis,do tipo tão claros quanto as águas do caribe, e um sorriso gentil, tive que admitir a mim mesma que ela era bem bonita, parecida com  um anjo. Sorri de volta ainda meio desconcertada, então ela estendeu a mão.  - Sou Britany Reynald, qual o seu nome? – Me apressei em retribui o aperto. – Prazer Britany eu sou Avery Clant, desculpa o esbarrão. –Sem problemas, gostei de você, está com fome? –Ela disparou tudo isso assim do nada, e quando dei por mim estávamos nos dirigindo a cafeteria do lado norte do campus, lá era quase uma Starbucks, com o quase sendo a palavra chave.

Antes de chegarmos na cafeteria eu já sabia que ela também era caloura, e que  o irmão veterano estudava na Barker também e supostamente estaria na mesma aula que eu, juro que tentei imaginar quem poderia ser irmão dela, mas ninguém de lá me lembrava ela.

Sentamo-nos em mesas altas da cafeteria e acabamos descobrindo que tínhamos duas aulas juntas, arte grega e historia romana e morávamos no mesmo dormitório, depois disso fiquei meio pasma em como o mundo é pequeno. Em pouco menos de trinta minutos eu já tinha a impressão de que Brit, que é como ela gosta de ser chamada, de que seriamos boas amigas. Voltamos juntas para o dormitório e falávamos dos caras gatos que tínhamos nos deparamos, era bom ter uma amiga, para falar de coisas bobas, sem aquela tensão da minha vida passada, era como se eu conseguisse me libertar um pouco da escuridão que me cercou por tanto tempo.

Combinamos de almoçar juntas e fui para a minha aula, não tinha notado mas já eram quase duas horas.  A aula de línguas acabou passando voando e quando dei por mim já estava morta de fome, e me direcionando a cafeteria que fomos logo cedo, ela também era restaurante de tarde, mandei uma mensagem para a Brit, torcendo para que ela já tivesse pegado um lugar para sentar eu sabia como lá era cheio no almoço.

Para minha sorte ela disse que já estava sentada, então fui direto para a fila pegar o almoço assim ela poderia levantar e pegar o dela sem que perdêssemos o lugar, mas quando saio da fila do almoço com uma bandeja em mãos noto que não a vejo em lugar algum, depois de alguns minutos que nem idiota parada olhando para a multidão vejo um cabelo loiro chacoalhando a mão para cima, era ela, mas não estava sozinha devia ter umas oito pessoas naquela mesa, senti meu rosto esquentando mas espantei  vergonha e me direcionei a ela com o meu sorriso mais educado. Quando me aproximei pude ver pessoas que cruzei algumas vezes pelo corredor.

Senta aqui Avy . – Brit bateu na cadeira ai seu lado, me sentei sem tirar o sorriso dos lábios, - Gente essa é a Avy, Avy esses são Travis, Luke, Anna, Jake, Paul, Kate, Lucy, Logan e meu irmão gato Joe. - Quando me viro para o ultimo nome, juro que quase caio da cadeira, era ELE, tipo, o cara lindo da aula de Literatura Latina, ele mesmo, mas como? Eles não tinham nada a ver com a Brit, me obriguei a respirar e manter o sorriso, isso não era nada demais.  Ele levantou os olhos e deu AQUELE sorriso e disse – Oi gatinha, bem vinda a nossa mesa. – Nem começa Joe, você não pode dar em cima dela, acesso restrito ela é minha amiga. Ele revirou os olhos, mas continuou sorrindo.

Acho que esse sorriso devia dar cadeia por que estou prestes a entrar em combustão e mal olhei para ele. Acabou que o pessoal da mesa era realmente legal e logo me envolvi em uma conversa sobre as aulas que tínhamos e por assim foi.  Mas mesmo tentando parecia que não conseguia me desligar da presença do Joe na mesa, era como se fossemos imãs opostos e ele me atraísse, com uma força invisível. Não ousei olhar para ele, porem tinha noção de tudo o que ele fazia na mesa, eu sei isso é no mínimo estranho.

Um ponto de focoLeia esta história GRATUITAMENTE!