Chapter 42: A morte não perdoa ninguém

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Sean

- "A morte não perdoa ninguém: nem tiara, nem coroa".

Até hoje se fechar olhos ainda consigo ouvir meu pai dizendo seu famoso provérbio. Estava acostumado a ouvir isso quase todos os dias. Papai era médico, trabalhava em hospitais públicos que quase caiam aos pedaços, cheios de pacientes necessitando urgentemente de atendimento e vazio em recursos, um perfeito convite á morte. Por diversas vezes lutou contra este mal e por mais vezes ainda perdeu. Conviver com a morte não é algo fácil, mas papai dizia que não era de todo o mal, pois com isso aprendeu a celebrar a vida.

Toda vez que perdia alguém em uma mesa de cirurgia pensava nas pessoas que conseguiu salvar, nos bebes que trouxe a vida e nos tantos outros pacientes que ajudou; "É por elas que vou trabalhar todos os dias, meu filho, vou pelos que salvei e os que ainda posso salvar", dizia. Sua profissão não era fácil, no entanto meu pai amava o que fazia, podia ver isso em seus olhos. Com ele aprendi o que era a morte, mas só o tempo me mostrou como é senti-la na pele. Só quando perdi meu pai entendi quais são os danos que ela deixa, quando leva de repente quem mais amamos.

Eu tinha apenas nove anos quando meu papai faleceu. O verão estava bem no começo, época em que ele costumava viajar a trabalho bastante. Após uma semana de sua partida minha mãe recebeu uma ligação dizendo que ele havia contraído meningite e faleceu três dias após ser diagnosticado.

No começo eu não senti tanto o que aconteceu, confesso que na época demorei um pouco para anexar que com a morte nunca mais veria meu pai, apenas o tempo me ajudou a entender melhor este processo. Eu estava na casa de Úrsula quando soube de sua morte e que em apenas algumas horas o velório ocorreria. Foi tudo tão rápido que nem consegui raciocinar direito e quando o fiz tudo já havia acabado. Meu pai já estava a sete palmos de terra e eu iria morar definitivamente com minha mãe.

Foi uma mudança e tanto já quase nunca a via, somente nas férias, e quando acontecia nunca me senti bem. Úrsula não me suportava, isso era fato. Sei que tudo o que fazia era pelo meu pai, ela o amava mais que tudo no mundo e continuou assim mesmo quando ele a deixou. Tudo que fazia era para agrada-lo, principalmente fingir gostar de mim, o que ela não sabia fazer muito bem.

Com isso senti na pele o que era perder alguém. 

Além da dor que sofria pela perda, ainda era torturado diariamente onde vivia, estava completamente sozinho. Mamãe vivia a base de antidepressivos e calmantes, enquanto Kara encontrava-se sempre doente, sem poder sequer receber visitas, desta forma eu vivia abandonado. Depois da morte do meu pai o ódio de Úrsula por mim cresceu ainda mais, tudo de ruim que acontecia acabava sendo culpa minha. 

Se ela acordava com dores de cabeça a culpa era minha. Se Kara adoecia novamente era porque eu passei alguma doença á ela. Até mesmo se o dia estava chuvoso era por minha causa. No final eu sabia, mesmo ela nunca dizendo em voz alta, que também me culpava pela morte do meu pai.

E depois de tudo eu finalmente entendi aquele ditado. 

Para a morte não existe crença, raça, riqueza ou pobreza, bem ou mal. Ela não é misericordiosa, não perdoa ninguém, desta forma todos estamos constantemente á sua mercê. Não adianta tentar entende-la, pois a morte não possui sentido ou explicação alguma. Ela apenas vem e faz seu trabalho, simples assim.

Nesta época pensei que nada no mundo inteiro podia ser pior do que a morte do meu pai. Apenas descobri anos depois o quanto estava equivocado. O pior da minha vida ainda estava por vir.

(...)


Não estava nada bem quando cheguei em casa e nem mesmo ver Emma conseguiu me animar, desta forma fui diretamente ao meu escritório. A conversa que tive com Daniel foi exaustiva e me fez recordar de coisas que não deveria, mas me equivoquei pensando que teria paz neste dia. Apenas minutos após entrar em meu escritório a senhorita Garrett entrou em contato mostrando muitas outras falhas de Daniel, deixando-me ainda mais furioso. Além de tudo o canalha perdeu diversos contratos e planilhas primordiais que me fariam perder milhões se não fossem rapidamente encontrados.

Sempre sua Luce  (COMPLETO)Leia esta história GRATUITAMENTE!