Capítulo 29: Sinfonia da destruição

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Violinos. Corais. Tambores. Cornetas. Guitarras.

A sinfonia tomou o coliseu, espalhando-se pela nação. Holonaves transformaram-se em armas de destruição, disparando tiros para todos os lados. Os cidadãos Evox de Hamar também se tornaram armas, e começaram a se atacar uns aos outros. Os instintos animalescos tomaram a todos. Uma destruição em cadeia teve início.

Aproveitando a confusão, Érico puxou Darwin para dentro dos cômodos do Coliseu. Ele sacou sua Dupla Vorpal e despedaçou um Evox que saltou sobre ele, transformando-o em sucata ao dividir seu corpo em dois. As portas dos corredores começaram a ser arrombadas e um mar de Evoxes entrou, munidos com todos os tipos de armamentos disponíveis. Alguns caíram sobre os outros, atacando-se raivosamente; cabeças e partes de corpos metálicos disfarçados com pele voavam para todos os lados. Fluídos espalharam-se pelos corredores ao invés de sangue.

Érico e Darwin alcançaram um saguão vasto, destruindo qualquer Evox que aparecesse em sua frente. Eles começaram a brotar pelas portas norte e sul, deixando apenas a leste como opção. A dupla correu naquela direção e fecharam as grandes portas atrás de si, não sem antes Érico disparar tiros com a sua carabina, explodindo cabeças inimigas. Eles desceram por uma longa escadaria.

— Meu, eu não estou acostumada a ter que usar as pernas pra correr – disse Darwin, a respiração descompassada. — Pra onde estamos indo?

— Não sei... mas eu sinto que devemos continuar por aqui... um poder está emanando desse coliseu – explicou Érico, atropelando-se nas palavras.

Eles adentraram por um salão espaçoso, repleto de pilares imensos e enfileirados, coberto por um teto cheio de quadrados brancos e pretos, como um tabuleiro de xadrez. Aquele lugar o lembrou da sala dos tronos em que encontrava os Absolutos em seus sonhos.

De repente, ele parou de correr.

Era isso. Os Absolutos talvez pudessem ajudá-lo.

— Parou por quê, menino? – perguntou ela, puxando o ar dos pulmões, visivelmente esgotada por ter que se locomover na carreira.

— O Desbravador... ele não está aqui... pelo menos não fisicamente. Mas eu sinto. Acho que posso encontrá-lo se eu me concentrar, assim como encontro os Absolutos nos sonhos – disse Érico, sem entender ao certo o que estava sentindo. Ele apenas sabia. Seriam os Absolutos guiando seu caminho?

O rapaz foi tomado por um instinto inexplicável, como se alguém se apossasse de seu corpo, e sentou-se na posição de lótus, fechando seus olhos.

— Você tá maluco? Só pode estar de brincadeira! Os Evoxes loucos e sedentos por sangue de pele-quente estão vindo e você tá se sentando... – a voz de Darwin desapareceu em um silêncio total, assim como o som abafado da sinfonia lá fora.

Quando Érico abriu os olhos, estava no mesmo salão de pilares enfileirados, mas não havia Darwin nem hordas de Evoxes, apenas uma atmosfera silenciosa com uma névoa branda passeando pelo chão.

Finalmente me encontrou, Horror dos Céus – a voz espalhou-se pelo salão, quebrando o silêncio em um tom etéreo. — Prazer, chamam-me Hawking.

Ao fitar a entidade, Érico sentiu as pernas bambearem.

Ela parecia-se com um corvo, o corpo de quase quatro metros coberto de penas espessas e negras. O bico era alongado e os olhos brilhavam como galáxias vibrantes. Só de olhar para o ser, Érico sentiu-se o mais inferior dos vermes. O Desbravador emanava conhecimento. Seria impossível prender aquela forma tão poderosa de sabedoria. Se estava ali, era porque queria estar, já que (Érico apenas sabia, sem explicar por que) Hawking conhecia tudo além do passado, presente e futuro. Conhecia a forma do tempo, e assim era capaz de transitar por ele.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora