Capítulo 28: Convidados de honra

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A Dominus Arcada pousou sobre uma grande plataforma retangular em Norfolk, cercada de torres tão grandes que davam a impressão de tocar o céu. Assim que desembarcaram, Érico e Darwin foram conduzidos por um vasto corredor, uma pista cercada pelas torres que conduzia a um coliseu reforçado de aço. Sobre pilares grossos, a banda holográfica continuava a tocar seu som, uma mistura de bateria, solos de guitarra intensos, tambores, cornetas e corais estonteantes.

— Vamos depressa, Darwin. Descobrimos onde está o Desbravador e depois vamos libertar o Camilo e a Alopex! – disse Érico.

—Aqueles dois estavam tentando te matar, não percebe isso?

— O Camilo sim, mas a Alopex jamais me faria mal. E eu entendo a atitude do Camilo, também – Respondeu Érico. — Eu não vou abandonar os meus companheiros, não adianta.

Um show de luzes acontecia no interior do coliseu, com projeções de importantes passagens históricas do Universo. Naquele momento, era mostrada a ascensão do império de Majoris em diferentes representações. Um desfile em forma de peça teatral contracenava com uma projeção holográfica. A banda e os corais eram na verdade a trilha sonora para aquele evento.

Era a primeira vez que Érico via os Evox. Não havia regra para sua aparência. Alguns eram mais humanoides, outros pareciam cópias perfeitas de bípedes, embora os rostos denunciassem sua artificialidade com olhos sem brilho e bocas inexpressivas. Por fim, havia aqueles que fugiam a todas as regras, eram formas geométricas, quadrúpedes, minúsculos ou gigantes, não importava. A maioria deles assistia fixamente as apresentações. Aquela parecia uma festa tradicional do povo artificial.

— Bem vindos, Peles-quentes, bem vindos!! – disse um Evox assim que adentraram pela passagem do coliseu. Sobre seu tronco robusto, havia duas cabeças quadradas sobre dois pescoços. Aquele era o Evox que havia falado com eles pelo microfone anteriormente. — Meu nome é Vagner Buzter.

— Nosso nome, ele quis dizer, nosso nome – pronunciou a segunda cabeça.

— Já falamos sobre isso, teoricamente somos um – protestou a primeira cabeça.

— Somos dois. Duas cabeças, duas mentes. Somos brilhantes – as duas cabeças sorriram e as mãos de cada lado de seu corpo se bateram em um cumprimento caloroso. — Enfim, somos os governadores de Norfolk, e vocês, quem são, quem são?

— Governadores? – Darwin mordeu o lábio inferior, como se tivesse vontade de cuspir sobre a palavra praticamente proibida, mas segurou-se. — Nós somos Darwin e Érico, prazer. Estamos à procura de um Desbravador. Ramon disse que há um aqui. Vocês sabem onde podemos encontrá-lo?

— Ramon disse? – repetiu Vagner, olhou para a segunda cabeça com a sobrancelha artificial levantada e a mão no queixo quadrado. Érico achou seus trejeitos artificiais, mas imaginou que aquilo era característico dos Evox.

— Relaxem, Ramon fala demais, fala mesmo. Vocês são nossos convidados de honra, assim como todos os peles-quentes que encontramos em nossa ultima expedição, podem entender? Venham, juntem-se a nós, juntem-se – disse a segunda cabeça de Vagner, chamando-os.

Alguns soldados púrpura apareceram atrás de Érico e Darwin, dando-lhes a impressão de que não tinham outra escolha a não ser seguir os governadores.

...

À distância, a prisão-Exílio tinha a forma de um Peixe-Tamboril, sua enorme lanterna acesa era um farol no meio do espaço e sua bocarra de dentes afiados protegia as câmaras internas. As turbinas da Holonave a mantinha pairando a poucos quilómetros do Campus de Hamar. Cercada por Holonaves menores em formações de combate e defesa, a prisão parecia um lugar impossível de se escapar.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora