Capítulo 27: Sobrevivência

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O saguão da Holonave Dominus Arcada era vasto como o estômago de uma baleia. Diversas Holonaves estacionadas exibiam suas formas de peixes, Holoveículos deslizavam de um lado para o outro cuidando de reparos. Soldados cobertos da cabeça aos pés por armaduras brilhantes de diferentes cores – azuis, vermelhas, roxas, cinzas, brancas, marrons, dentre outras – desfilavam de um lado para o outro.

— Pelo menos são coloridos – cuspiu Darwin, enquanto um soldado vermelho à conduzia pelo braço pelas escadas da 14-Bis, com algemas inibidoras de Campus. Érico também foi arrastado logo atrás por um soldado cinza. Bandeiras de diferentes símbolos enfeitavam uma parede, com cores iguais às do uniforme e desenhos estilizados e geométricos.

— Grupos diferentes... como governos diferentes – concluiu Érico.

Cada bandeira representava um grupo uniformizado presente. Os símbolos eram representações gráficas dos peixes que as Holonaves imitavam. A própria menção de bandeiras era um crime contra a Lei da Liberdade. O que quer que fossem aqueles seres, estavam se rebelando contra o Universo.

Mais à frente, a Apis Mellifera foi depositada através de um orifício aberto no teto do saguão pelo tentáculo da Octopus. Soldados azuis e cinzas invadiram a Holonave, e alguns foram cuspidos para fora, provavelmente atingidos por golpes. Um deles entrou com um braço revestido de uma arma elétrica, e um forte brilho tomou o interior da Holonave. Logo, Alopex e Camilo foram trazidos para fora semiacordados e lançados contra o chão.

— Agora, falem, podem dizer! O que fazem em nosso território, não escondam – disse a voz eletrônica de um dos soldados, vestindo uma armadura preta cheia de pontas afiadas brotando de diferentes partes e um capacete semelhante a uma caveira. A forma como ele falava lembrava a da Decifradora de Miesac.

— Abs...olu...to... – tentou dizer Camilo, mas seu corpo convulsionava devido ao eletrochoque. Sua mão trêmula tentou apontar para Érico, que trocou olhares com Darwin.

— Estávamos fugindo deles! Eles são criminosos! – improvisou Darwin, e apontou com a cabeça. — Olhem pra Holonave deles! São Âmbar! Criminosos altamente perigosos!

Os soldados de diferentes cores murmuraram entre si e concordaram com a cabeça. Érico estremeceu mediante as palavrar frias de Darwin. Nem uma adaga na garganta do veterano teria sido tão efetiva em causar sua queda como aquilo.

— Levem os criminosos para o exílio, podem levar. Queremos essa escória bem longe de nossos domínios, longe mesmo – o soldado de armadura negra com espinhos pronunciou, e os guardas trataram de agarrar Camilo e Alopex pelos braços.

— Não... Absoltuto!! Ele... é... – ainda tentou dizer Camilo, as palavras grogues como um bêbado saltando de sua boca, até levar uma pancada de um soldado na cabeça e perder a consciência. Ver o homem desmaiado fez Érico voltar a respirar compassadamente, livrando-se finalmente do nervosismo. Mas o que aconteceria com ele? Por mais que o veterano o odiasse naquele momento, ele não sabia se aquilo era permanente ou temporário, fruto de uma cabeça quente. Não seria a primeira vez que Camilo, agindo por instinto, tentaria fazer algo que não era exatamente de sua natureza. E pior, o que aconteceria com Alopex?

— Então, vocês estavam fugindo e vieram parar aqui, foi isso que aconteceu? – perguntou o soldado, claramente de uma patente superior aos outros.

— Foi, sim senhor. Estamos buscando um Desbravador. Sabemos que ele está aqui nessa Constelação. Por um acaso, sabe algo a respeito, senhor? – perguntou Darwin, enquanto Érico não conseguia desviar os olhos dos companheiros sendo levados.

— Sim, peles-quentes, sim, há um Desbravador em Hamar, nosso planeta móvel, pode ver?! Vamos falar com nossos governadores, que nos governam. Eles poderão ajudá-los. Meu nome é Ramon, Ramon H.T.T.P.S., e vocês?

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora