Capítulo 12 - Aurora

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Cresci ouvindo que todos temos que ter um pilar, um suporte, um alicerce. Alguém para procurar quando algo der errado, para pedir uma carona, para pegar o ombro emprestado quando quiser chorar, para se recorrer quando se precisa de dinheiro, para abraçar quando se sentir sozinho. Alguém para amar e que ame também, alguém que se importe, que se preocupe, que ligue de volta, simplesmente denominada uma pessoa, a mais importante de todas. Finn era minha pessoa a muito tempo e eu nem sabia.


A única pessoa que ficou
Dias atuais

Todo mundo tem segredos, experiências e vivências. Cada ser humano é formado por momentos que definiram suas existências. Sendo eles bons e ruins. Momentos esses que foram os responsáveis em torná-los quem são. E é exatamente isso que torna as pessoas tão interessantes, nenhuma é igual a outra, embora sejam feitas da mesma matéria. Poucas passaram pelos mesmos estágios de definição de caráter e mesmo essas, lidaram com eles de maneiras diferentes porque os seres humanos são assim, únicos. Toda essa complexidade fez com que o desejo de desvendar os segredos de suas mentes se tornasse um jogo de poder.

E eu? Eu realmente era um prêmio, porque era singular.

Depois que despertei no Hospital fui obrigada a lidar com uma espécie de vida diferente da que eu conhecia. Mais dura e bruta. Nada era similar, nem mesmo as pessoas. Elas não me tratavam mais com normalidade porque nada sobre mim poderia ser considerado normal. Pelo contrário, elas viam minha vida e minha maneira de encarar a situação como um mistério a ser desvendado. Foi quando eu descobri que quanto mais entregasse de mim mesma mais poder dava a elas.

E se aquilo era um jogo, eu estava determinada a ganhar.

Meu silêncio era minha arma secreta, enquanto eu me mantivesse calada estaria segura. Ninguém poderia desvendar nada ao meu respeito e usar minhas memorias e sentimentos para tentar me analisar como um experimento qualquer. Eu tinha o direito de ser reservada e guardar todos os momentos que me definiram para mim mesma porque eles eram tudo o que restaram da minha antiga vida, a vida que eu nunca teria de volta mesmo se quisesse.

Durante esse período de transição passei por muitos estágios e obtive muitos tratamentos diferenciados. No começo as pessoas que não me conheciam de verdade se penalizavam com a minha situação. Me olhavam com carinho e simpatia. Se eu tivesse retribuído, meu caminho poderia ter tomado outro rumo, mas eu preferi ser sozinha. O tempo passou e quanto mais eu resistia em doar um pouco de mim menos sentimentalistas as pessoas se tornavam. O sentimento virou apatia. Depois se transformou em insignificância e então desapareceu.

Ninguém se importava com a menina que não falava, não se abria e não queria ajuda.

Ninguém a não ser Finn Holding.

— Aurora. — Ele me chama em voz baixa, seu tom denota preocupação. Sei que ele continua falando, mas não consigo escutar o que diz. Não estou verdadeiramente no mesmo ambiente em que ele desde que e aquela palavra foi dita, fogo.

Eu desapareço, constantemente. É quase como eu me perdesse dentro da minha própria mente quando o mundo exterior se torna demais para se suportar. Não é uma reação proposital, também não é um refúgio, é uma prisão. Eu tenho uma coleção de recordações que me torturam todos os segundos de cada minuto dos meus dias, mas a noite em que tudo aconteceu não é uma delas, na verdade, aquela noite é, sem dúvidas, o que existe de mais importável dentro das minhas lembranças. Não consigo lidar com ela.

— Você não parece bem, eu devo chamar ajuda? — Balanço a cabeça negativamente. Ninguém podia me ajudar. Me obrigo a me desapegar do meu esconderijo e voltar para a realidade porque Finn parece precisar que eu faça isso.

Enquanto seus pés não tocarem o chão - Aurora & RafaelLeia esta história GRATUITAMENTE!