— Mesmo que você diga isso, não é como se eu soubesse como.

          — Bem, você pode tentar lutar contra um inimigo forte de novo e tentar fazer com que a potencialização funcione sozinha. No entanto, acredito que as chances de sair vivo dessa luta sejam... Poucas.

          E por poucas ele quer dizer que é melhor eu aprender a fazer isso agora.

*

          O resto da tarde passou e Dragão me mandou para fazer meus exames diários com Tigresa. Eu havia conseguido mover a pedra cerca de quinze metros no dia, descontando os quatro que Dragão fez questão mover de volta. Como era de se esperar com ele, eu realmente não teria minha parte do jantar.

          Pensando em como eu faria para sobreviver amanhã sem ter comido praticamente nada, decidi tomar banho e ir dormir mais cedo. E se tinha um local que me fazia lembrar que o lugar onde eu morava agora costumava ser um manicômio, esse local era o banheiro. Uma sala quadrada simples, com vários bancos e baldes que era utilizado pelos poucos pacientes que podiam se banhar sozinhos. Uma sala simples, tão simples que a atmosfera ali sempre me fazia ficar nervoso. O que garantia que eu tomasse meus banhos o mais rapidamente possível.

          Foi após um desses banhos, enquanto voltava para o meu quarto, que eu tive meu primeiro encontro com o último membro da guilda. Um homem, pela silhueta, provavelmente da minha idade, pelo que eu podia ver de seu rosto. Ele também me percebeu quando me aproximei. O olhar dele era sério, talvez até demais. Eu consegui sentir na hora que ele era o tipo de pessoa que te mataria se tivesse um motivo.

          — Você é o discípulo do Dragão.

          Não era uma pergunta, aparentemente esse é o tipo dele.

          — E você deve ser o Sombra. Estava me perguntando quando você ia voltar.

          Ele não respondeu. Após me encarar mais um pouco, ele simplesmente se virou e seguiu o caminho dele de volta para, eu suponho, seu quarto. Eu tentei parecer o mais calmo possível para passar uma boa primeira impressão, mas eu sentia como se minhas pernas estivessem tremendo um pouco. Não que elas realmente estivessem, enquanto eu não olhasse para baixo, elas estavam perfeitamente paradas. Todos sabem disso.

          Me recuperando da conversa perfeitamente normal que tive com Sombra, eu fui direto para a cama, ainda pensando em como eu passaria pelo próximo dia de treinamento sem o jantar. Bem, pelo menos as coisas não poderiam ficar piores. Quer dizer, é claro que o Dragão me fez lutar contra Resquícios com uma espada embainhada, mas nem mesmo ele sairia me arrastando por aí para enfrentar, sei lá, outros Amaldiçoados, quando ele sabe que eu nem sei como usar meu poder direito.

 Quer dizer, é claro que o Dragão me fez lutar contra Resquícios com uma espada embainhada, mas nem mesmo ele sairia me arrastando por aí para enfrentar, sei lá, outros Amaldiçoados, quando ele sabe que eu nem sei como usar meu poder direito

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          — Nós vamos tomar a base de uma outra guilda — disse Dragão, durante o café da manhã.

          E hoje nós aprendemos a nunca criar expectativas positivas sobre as decisões do Dragão.

          — Finalmente! Eu estava começando a achar que nós só iriámos sair daqui quando o lugar terminasse de desabar — disse Cavala.

          — Uma nova base seria realmente bem-vinda. Manter esta limpa está ficando mais difícil a cada dia — disse Coque.

          — E nós estaremos invadindo a base de quem? — perguntou Tigresa.

          — A Cidade Acorrentada — respondeu Dragão.

          A aparentemente esse nome era conhecido entre o grupo, pois todos ficaram em silêncio. E também porque todos olharam para mim como se eu fosse uma pessoa andando para a forca. Sombra então resolveu falar.

          — E você pretende levar o seu discípulo ou ele vai ficar para trás enquanto nós fazemos todo o trabalho?

          — Ele vai lutar junto de nós. Na verdade, ele é uma das peças principais — respondeu Dragão.

          — Tem certeza disso, senhor Dragão? Não acho que seja seguro fazer com que o senhor Brayan participe de uma invasão agora — disse Coque.

          — Ele precisa de uma luta desafiadora para ajudá-lo a entender melhor como usar seu Miasma — respondeu Dragão.

          Aparentemente eu estava sendo punido pelo o que disse ontem. De qualquer forma, era melhor eu falar algo, ou ninguém iria se preocupar em dizer nada para mim.

          — Er, o que é a Cidade Acorrentada?

          — Uma pequena vila próxima daqui. Não muito antiga, talvez uns cem anos. Alguns anos atrás, o prefeito dela virou um Amaldiçoado e acabou transformando o lugar todo em uma Terra Morta. Nenhum dos moradores sobreviveu, tirando os capangas do prefeito, é claro — explicou Tigresa.

          — Uma vila inteira morta e transformada em Terra Morta!? Por que o duque do domínio não fez nada a respeito? — perguntei, alarmado. Um evento desse tamanho deveria ter chegado até o Divino.

          — Como eu disse, a vila era pequena. Não está em nenhum mapa e eu duvido que o duque sequer lembre da existência do lugar. Ninguém sentiria falta se o local simplesmente desaparecesse — disse Tigresa.

          — Mas duques deveriam apontar novos prefeitos a cada dez anos, não? — perguntei.

          — Isso é só no papel. Ou você realmente acha que todos os duques se lembram de cada pequeno vilarejo no domínio? A maior parte das prefeituras acaba transformando a posição de prefeito em algo hereditário — disse Cavala, com um tom desinteressado.

          Era óbvio que coisas assim aconteciam. A lei poderia dizer que o duque deveria indicar um prefeito a cada dez anos, mas era humanamente impossível o duque se lembrar de todas as prefeituras em seu domínio, algumas seriam esquecidas. Mas mesmo assim, uma vila inteira ser morta e ninguém perceber. A situação era quase surreal.

          — O antigo prefeito assumiu o título de duque depois de se tornar um Amaldiçoado. Agora eles e seus antigos capangas usam a vila como sua base. Nós vamos tomar ela — explicou Dragão.

          — E por tomar acredito que nós vamos matar todos eles — disse, um pouco hesitante.

          — Esse é o procedimento normal — respondeu Dragão.

          — Hum! E por acaso você acha que seu discípulo vai conseguir sair vivo da luta, Dragão? — perguntou Sombra enquanto me olhava, me fazendo sentir como se um bloco de gelo tivesse sido colocado em minhas costas.

          — Se ele vai sobreviver ou não vai depender do progresso do treino dele até o dia do ataque — respondeu Dragão, também olhando para mim.

          Então eu tenho até o dia que você resolver atacar para aprender a sobreviver a uma luta contra outros Amaldiçoados. Acho que teria sido melhor ter continuado naquela caverna, pelo menos os Resquícios não queriam me matar tanto quanto o Dragão queria.

          O café da manhã acabou e mais uma vez fui para o treino. As meninas pareciam animadas com a base nova, Sombra me olhava como se eu fosse um cordeiro pronto para o abate e Dragão parecia estar a ponto de desmaiar de sono. A única que parecia preocupada com a situação era Boneca. E eu não conseguia me decidir se era uma coisa boa ou não a pessoa mais estranha do grupo ser a única preocupada com meu bem-estar.

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