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Capítulo Dois: Os Doze Vermelhos

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    "Conheci os Doze Vermelhos meio por acaso. Não era mais que um vagabundo, a perambular por aí. Lembro-me de ouvir trovejar em Coleza, no dia em que conheci Dooda e Lucilla. Eram trinta e seis horas da manhã quando o feiticeiro saiu do convés. Pagaram-me duas cabeças de gado pela cabeça dele. Lutamos uma tarde inteira, causando não mais que ferimentos superficiais. Nenhum de nós caiu. Aprendemos a gostar um do outro, como sempre aprendemos a gostar de quem nos desafia. Eu já tinha vivido o suficiente para perceber que a amizade de um homem não valia duas cabeças de gado. Dooda era esse homem. Juntei-me a ele, e depressa percebi que os seus truques de feitiçaria eram meras ilusões de ótica. Conheci a mulher dele, e apaixonei-me por ela. Isso não destruiu a nossa amizade, embora possa dizer que, de uma forma ou de outra, os tenha perdido aos dois."

      ― O Imperador não vai gostar disto! ― resmoneou um dos seguranças de Dom Michelle, colocado sob grilhetas. Dooda tinha um sabre encostado à garganta do máximo responsável pela Prisão, do lado de trás de uma secretária de ébano polido.

      O gabinete ficava no andar mais elevado do complexo prisional, uma divisão com três portas, adornado com madeiras quentes e peças trabalhadas em marfim enfileiradas numa prateleira sobre a parede. Michelle era um homem de ombros largos e cabelo a rarear, com traços de quem tinha tendência para engordar. Vestia uma camisa branca com o brasão do Império bordado à lapela.

     Língua de Ferro fitava-o com um sorriso divertido no rosto.

      ― O Imperador nem vai sonhar com o que está aqui a acontecer ― disse. Alvejou Dooda com o olhar, franzindo a testa. ― Como estão as coisas por Rezos?

      ― Rezos? As tribos continuam a matar-se, se é isso que procuras saber...

      ― E o Imperador a bater palminhas por isso ― concluiu Língua de Ferro com desagrado. ― Bortoli continua a colaborar com eles?

      Dooda pareceu sobressaltado com a referência, mas assentiu.

      ― O mecenas tenta unir as tribos, para enfrentar o Imperador.

      Língua de Ferro soltou uma gargalhada.

      ― Estava para dizer que é o único com os ditos no sítio para enfrentar o Imperador, mas lembro-me que lhe arranquei o escroto à dentada. Pobre Bortoli... Ainda assim, pode vir a ser-nos útil.

      ― O que estás a pensar? ― perguntou Dooda.

      ― A Prisão continua na posse de Michelle. O Imperador continua a achar-se dono e senhor do mundo. Tudo está bem para nós. Irei aparecer como herói renascido e Bortoli irá pagar-me para lhe entregar a cabeça do Imperador.

      Dooda girou lentamente a cabeça. Por detrás dos seus olhos macios de corça, escondia-se um estoicismo antigo.

      ― Se conseguires matar o Imperador com a facilidade que auguras, mais depressa te consagrarás Imperador pelas tuas próprias mãos. O que te leva a querer um pagamento?

      Língua de Ferro baixou a cabeça com um sorriso.

      ― Não quero ser Imperador! Colocarei Bortoli nesse lugar, sem mágoa. Não vou sujar as minhas mãos sem uma justificação. Sou um mercenário. Fiz um juramento de não matar ninguém sem receber um preço justo por isso. Troça de mim, velho amigo. Tenho os meus valores.

Língua de Ferro - Um Sacana QualquerRead this story for FREE!