Parte 2 - Amiga há muito perdida

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- Barbie? - Lídia chamou.

Barbie nem se moveu, continuou verificando planilhas no computador como se nem tivesse ouvido seu nome. Será que não era ela? Mas era tão igual!

- Barbie! - Lídia insistiu.

Nada. Talvez, fosse uma irmã gêmea. Uma irmã gêmea do mal! Ou talvez Barbie tivesse ficado surda ao longo dos anos. Eram tantas as possibilidades! Lídia não via a agora mulher que estava sentada atrás do balcão fazia mais de dez anos, mas o vestido na vitrine lá fora havia dado confiança a ela de que aquela era, sim, a Barbie que ela conhecia.

- Ei! - Lídia bateu com a mão sobre o balcão e recebeu pela primeira vez o olhar da mulher - Barbie! Lembra de mim?

- Barbie? Nossa, ninguém me chama assim faz tempo - a mulher franziu o cenho - Ai, meu Deus, Lídia?

- Sim!

- Lídia!

Barbie largou o que estava fazendo e deu a volta no pequeno balcão já com os braços abertos para um abraço apertado. Ela agarrou Lídia pela cintura com vontade e colocou a cabeça em seu ombro, rindo, quase emocionada. Lídia ficou um pouco sem reação no começo, a vendedora e a cliente deram uma olhada curiosa, mas logo deixou para lá e devolveu o gesto. Barbie sempre fora de abraçar, de agarrar, de tocar e encostar. Não havia mudado, pelo visto.

- Menina! Por onde você andou? Como você me achou? Gente, que coincidência! Eu mal abri essa loja! Eu tentei te encontrar por um tempo. Pra onde você foi depois do colégio? Você se mudou tão rápido!

- Eu sei! Eu nem acredito que te achei! Você está tão linda! Meu Deus, você é dona de uma loja! Como foi isso? Você desistiu da Educação Física? A gente tem tanta coisa para conversar. Eu vi o vestido na vitrine.

- Ai, Lídia, desculpa! Você se sentiu roubada? Eu tentei mesmo te encontrar.

- Nada! Ele está lindo. E é seu. Lembra que eu te dei?

- Eu fiquei obcecada por ele um tempão. Redesenhei de várias formas. É um dos meus vestidos mais elogiados. Você precisa ter um.

- Não precisa me dar! A gente acabou de se reencontrar.

- Claro que preciso! Vem - Barbie a pegou pela mão e a puxou através da loja para uma parte mais ao fundo - É o mínimo que posso fazer por você. Este vestido é seu.

- Mas tinha que ser seu. Eu estou besta que você virou estilista! Só você mesmo para fazer coisas lindas como essas, Barbie!

- Ninguém mais me chama de Barbie - a amiga riu - Agora eu sou a senhorita Bárbara. Chato, né?

Barbie disse que estava atolada de trabalho administrativo para fazer, mas não parava de atualizar a outra das novidades. Lídia estava ficando até meio sem graça por estar atrapalhando, mas Barbie garantiu que a chefe era ela e podia fazer o quisesse, inclusive bater papo o dia inteiro. Pablo tinha entrado na loja atrás de Lídia e, após ser devidamente apresentado, ouvia com curiosidade a conversa das duas. Era raro para ele ouvir sobre o passado de Lídia.

A Educação Física parecia ser mesmo o destino de Barbie, mas, em algum momento do curso, ela tinha sido seduzida pela carreira de modelo. A amiga de uma amiga de uma amiga trabalhava numa agência de modelos e disse que Barbie havia um perfil raro de beleza. A garota tinha achado meio que um desaforo no início. Essa mulher nunca tinha visto uma negra bonita? Não era nada raro! Mas, depois que foi empurrada até a agência pelas amigas da faculdade, viu que havia várias modelos negras no casting. No começo, foi muito legal, todo o glamour e tal, mas era pouco trabalho que aparecia. Era tudo muito disputado e Barbie tinha que lutar por vagas contra garotas que tinham nascido para aquilo. Elas respiravam desfilar. Daí uma outra amiga de uma amiga de uma amiga - networking era tudo - vira por acaso os desenhos de Barbie, porque ela nunca tinha parado de desenhar vestidos como Lídia parou, e enxergara um futuro naquilo. Barbie até preferia a vida das passarelas, mas tinha contas para pagar e desenhar sempre fora um hobby seu. Foi um pulo para o negócio crescer, ela abrir sua própria loja no centro da cidade e contratar duas funcionárias.

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