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Pen Your Pride

Ponto de vista da Diane

Horas? 07:00 da manhã. Tempo? Deixem-me só ir à janela para verificar... Sim, tãl como imaginava. Chuvoso, ventoso...horroroso. Estado atual? A morrer por dentro só de pensar que tenho de sair do meu confortável pijama para ir para mais um dia no inferno. E por inferno quero dizer o colégio... o último ano do colégio... a pressão para entrar numa universidade. Não... não é "uma universidade". É Harvard. A única universidade que os meus pais aceitam para mim. Acabei de me vestir, prendi o cabelo num troço desajeitado. Para quê grandes penteados se quando chegar lá fora o vento vai arruinar tudo? Enfiei uma gola no pescoço, calcei os sapatos. Estou pronta para sair. Passei pela sala de jantar e a mesa estava posta. O meu pai estava a beber um chávena de café enquanto lia o jornal.

"Bom dia pai."

"Bom dia Diane. Quer que a leve à escola?" Ofereceu-se sem sequer levantar os olhos do jornal.

"Não... não é preciso. Onde é que está a mãe?" Perguntei, a olhar em volta, à sua procura.

"A mãe já saiu querida."

"Mas já?" Senti um ligeiro desânimo por ouvir essa notícia. 

"Sim, tinha um de ir preparar um julgamento."

"Já não ponho os olhos em cima dela há 5 dias, sabia?" Soprei para o ar.

"E então? Não tem tudo o que precisa na mesma? A menina já é crescidinha Diane. Não precisa de estar com a sua mãe a toda a hora." Levantou a sobrancelha, num ato depreciativo.

"Como queira." Revirei os olhos e dirigi-me à saída.

"Não vai nem comer antes de sair?"

"Não tenho fome."

"Por favor, diga-me que não vai comprar alguma porcaria numa máquina, ou nalguma roulotte nojenta da rua."

"Não posso prometer nada." Saí e bati com a porta.

Eu tenho mesmo saudades da minha mãe. Ela é a única que me compreende. Ela sabe que eu me esforço ao máximo e dá-me valor por isso, já para o meu pai... bem, para o meu pai todas as notas abaixo de 20 são negativa. É óbvio que eu nunca vou ter 20 a tudo... eu sou um ser humano. Mas esforço-me. Tenho a melhor média da minha escola, o que ainda assim não é o suficiente para o meu pai. Ele diz que o meu objetivo não deve ser apenas ser melhor que os outros, dever ser também ser melhor que eu mesma, mas como raio é que ele espera que eu faça isso?
O meu telemóvel tocou.

"Sim, Eva? O que foi?" Atendi, bruscamente.

"Ui... já vi que o dia não está a correr bem. Já estás no colégio?"

"Não, estou a caminho."

"Mas eu estou a ouvir vozes."

"O que é normalíssimo... eu estou a entrar para a estação de metro."

"Ai Diane... Essa tua mania de andares de transportes públicos... o teu pai não podia simplesmente vir trazer-te ao colégio?"

"Podia, mas eu prefiro ir sozinha. Okay?"

"Não... não está ok! Sabes quantas pessoas queriam ter a tua vida, Diane? E tu não aproveitas nada do que tens... pára de ser assim. Aceita e aproveita a tua classe social, amiga."

"Aceitar a minha classe social?" Repeti. "Essa foi a frase mais estúpida que alguma vez proferiste, sabias?"

"Ok... Ok... como queiras. Tu sabes perfeitamente que a única que perde és tu. Ah e... já sabes, quanto aquele assunto?"

"Que assunto?"

"O jantar em casa casa dos Cole."

"O que tem o jantar em casa dos Cole? Eu já disse que não queria ir."

"O teu pai vai obrigar-te, Diane..." Soltou uma risada, que eu ouvi.

"O meu pai não pode obrigar-me!" Levantei a voz na estação de metro e algumas pessoas em volta ficaram a olhar para mim.

"Não sejas ridícula... é claro que pode! É tão óbvio que o Brad Cole está caído por ti... e ele é uma brasa, diga-se de passagem." Desta vez fui eu quem soltou a risada.

"O Brad? Uma brasa? Em que planeta?"

"Olha... no planeta onde eu vivo... se fosse comigo, nem sabes o que já lhe tinha acontecido." Suspirou.

"Pois olha, Eva... fica com ele todo para ti nesse teu planeta que eu não habito, porque eu não lhe acho a mínima piada.Vou desligar."

"Não te safas assim tão facilmente minha menina! Quando chegares ao colégio nós falamos... e esta tarde vamos comprar-te um vestido bem bonito para ires ao jantar do Cole, ouviste?"

"Bla, bla, bla. Adeus." Revirei os olhos e desliguei.

Cerca de cinco minutos depois chegou o meu metro. Eu entrei, e fui até à estação que fica perto do colégio. Saí do metro e subi as escadas que levam à saída da estação. Ao subir o penúltimo degrau senti um encontrão no ombro que fez cair com as mão no degrau de cima e espalhar todos os meus livros e cadernos no chão molhado, com a chuva a cair em cima deles e estragar os meus apontamentos de 3 meses.

Ao levantar-me passou por mim um rapaz, talvez mais velho que eu, com um casaco preto e um gorro do casaco na cabeça. Foi ele quem me deu o encontrão. Nem sequer parou para pedir desculpa ou para me ajudar. Revirei os olhos e comecei a apanhar todos os meus cadernos.

"Vê por andas! Palhaço!" Gritei, mas ele já estava de costas. Apenas ergueu uma mão para me mostrar o dedo do meio e continuou a andar, à chuva.

Eu acabei de apanhar tudo, abri o guarda-chuva e dirigi-me ao colégio. Se bem que não foi muito inteligente da minha parte só abrir o guarda-chuva depois de já estar encharcada dos pés à cabeça... Definitivamente, hoje não vai ser um bom dia.

Sim, esta sou eu. Uma finalista de um colégio privado de Nova Iorque. Filha de mãe advogada e pai juíz. Com o futuro traçado, não por mim, mas pela minha família. Era suposto eu ser um protótipo de bonequinha... a típica filha pródiga de pais ricos. Prazer, eu sou a Diane, acho que nos vamos dar bem.

Outro copo de amor, por favor (#wattys2016)Leia esta história GRATUITAMENTE!