Editoras #3 - O mercado editorial

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O mercado editorial brasileiro tem muitas peculiaridades, mas com frequência tenta reproduzir o mercado norte americano de livros. Seguimos tendências americanas e traduzimos os livros que fizeram sucesso lá.

Particularmente no que se refere a procurar uma casa editorial pelo escritor, contudo, os mercados se diferem bastante. Nos Estados Unidos, os escritores têm um intermediário importante – o agente literário. Este profissional faz a triagem dos originais e contata as casas editoriais que mais aderem à obra. Até existem exceções, mas são irrelevantes em quantidade.

No Brasil, existem poucos agentes literários. São menos ainda os dispostos a ler originais de escritores desconhecidos. Os agentes mais renomados deixam isso claro sempre que vão à mídia. Eles focam em clientes (escritores) que tenham vendagem "garantida", como celebridades e escritores consagrados. Assim, exercem basicamente os serviços de representação e negociação de direitos audiovisuais e de tradução.

Os demais agentes têm uma forte limitação de ação. Simplesmente, não conseguem dar conta do fluxo de originais. Por isso, com frequência, cobram pela avaliação de originais. Em alguns casos, seus serviços param por aí. Muitos não têm entrada em editoras para apostar na obra de um autor iniciante. Em alguns casos não tem nem interesse.

Essa, entretanto, não é uma anomalia do mercado editorial brasileiro. Qualquer mercado pequeno, de qualquer setor, carece de intermediários. E estes aparecem quando os mercados ficam grandes demais para as empresas tradicionais lidarem com a demanda. No caso do mercado editorial americano, as editoras ficaram tão grandes que perderam a eficiência na busca por escritores. Os agentes se especializaram na solução dessa ineficiência e permitiram um corte de custos importante para as casas editoriais.

Seguindo este raciocínio, é de se esperar que o mercado brasileiro chegue neste patamar em algum momento. Existe, contudo, um complicador no nosso mercado: o preconceito com as obras nacionais contemporâneas. Este sentimento habita editores e leitores e é o grande entrave à prosperidade da literatura nacional, ao lado do número limitado de leitores. E também não é um problema exclusivo da literatura, acontece no cinema, por exemplo.

Não adianta apontar culpados. Os próprios escritores muitas vezes leem apenas livros estrangeiros. Nem tampouco reclamar dos editores. Eu tive a oportunidade de ouvir e ler relatos de alguns que, em acessos de honestidade, reclamaram que nunca encontraram na pilha de originais um que valesse a pena publicar.

Logicamente, se você procura por algo sem acreditar que pode achá-lo, grandes são as chances de que você não vai encontrar nada. É o chamado viés de confirmação – a tendência de interpretar um fato novo de modo a confirmar as suas crenças anteriores (lembrem desse viés, voltaremos sempre nele). Mas, essa desconfiança de profissionais gabaritados e experientes com as obras recentes deve acender pelo menos dois alertas na cabeça dos novos escritores brasileiros.

Primeiro: é normal que exista alguma razão por trás do ressentimento. Portanto, invista muito tempo na qualidade do texto e o deixe impecável. Se o avaliador achar algum erro, principalmente no início, ele pode pensar que o resto do original também é falho. Esse, inclusive, é o conselho do autor best-seller James Patterson: "Invista sempre no produto – o livro".

Segundo: se essa porta está fechada não adianta tentar arrombá-la, é preciso encontrar outra entrada ou uma maneira de destrancar a fechadura. E para isso é importante conhecer com profundidade como funciona o mercado editorial.


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