Capítulo 24: Escolhas e consequências

551 82 37

Em um esforço inútil, Érico tentou debater-se, mas mal conseguiu se mover. Ele olhou à sua volta e percebeu que estava no interior da 14-Bis. Em outro cômodo, vozes discutiam calorosamente.

— Se ele é mesmo um Absoluto, não temos outra opção. Temos que acabar com ele – a voz de Camilo reverberou.

— Eu tive essa mesma opinião no início, mas depois pensei bem, e vi que esse não é o caminho – revidou Darwin em um tom um pouco mais baixo.

Érico olhou à sua volta. O cômodo onde se encontrava estava à meia luz, as sombras agarravam tudo que podiam.

— Não sabe? Não sabe o que? Esqueceu o que é sobreviver à passagem de um Absoluto? Quer que eu te lembre do pesadelo que foi? Do que é perder milhões de vidas em guerras? – justificou o veterano.

— Quer fazer o favor de se acalmar, Camilo?! – pediu Darwin.

— NÃO. Você não deveria nem estar aqui! Já te disse para cair fora da minha Holonave – respondeu ele, com a voz descompassada, longe do Camilo equilibrado que Érico conhecera.

— Não enquanto você estiver com essa ideinha fixa de matar o cara. Você não viu o que ele fez lá fora contra o Tirano? Ele pode não seguir os mesmos passos dos outros...

— Ah, não, não, falou agora a otimista. – a voz de Jeane interrompeu Darwin.

— CALA ESSA BOCA, Jeane. Você já fez merda batendo na cabeça dele daquele jeito. Não vem agora dar sua opinião idiota – exaltou-se Darwin, mudando a entonação.

Irritado com aquelas cordas, com aquele pano grudado em sua boca e com aquelas vozes discutindo seu Destino, Érico debateu-se com força, estendeu o maxilar para frente e levou a boca ao ombro para tentar expulsar a mordaça improvisada.

— Alopex acha que deviam todos acalmar – a Ánima tentou apaziguar.

— E este Lestaris concorda com a Ánima. Pensem na sorte que é ter um Absoluto perto de nós. Pensem na honra! Seremos personagens históricos só por estar perto dele – disse Papiros, com fascínio em sua voz.

Érico finalmente se livrou da mordaça.

— Serei um personagem histórico. Aquele encarregado de matar o infeliz. E de nos livrar de anos de desolação em massa – sentenciou Camilo.

— Estou ouvindo vocês – Érico exclamou, inclinando o corpo para frente para que sua voz fosse ouvida. Ela soou mais rouca do que ele imaginava.

Todos os presentes deslizaram receosos para o cômodo em que ele se encontrava preso, um quartinho de bagunças amontoadas. Os olhares eram uma mistura de cautela com preocupação. Deviam estar imaginando o que ele seria capaz de fazer se ficasse zangado.

— Camilo, eu só quero que as coisas sejam como eu planejei. Ter a minha família e viajar pelo Universo em busca das Relíquias – explicou Érico, tentando buscar no veterano alguma compreensão. — Para de tentar me matar desse jeito, eu não sou aquele assassino da guerra que você perseguiu. Eu não sou o Louis! Ser um Absoluto é apenas uma parte de mim, isso não me define por completo.

Camilo imediatamente puxou a Holoarma junto à expansão de seu Campus, tomado pela fúria.

— Define sim. E pior, compromete todos nós!

A lâmina de Alopex parou em frente o pescoço do veterano.

— Nem um passo! Nem um tiro! – ameaçou a Ánima, ao mesmo tempo em que Darwin segurou o ombro de Camilo com o braço ferido enfaixado. Papiros e Jeane não se intrometeram na ação.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora