Capítulo 23 - Clamor por vidas

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O fruto da retidão é árvore de vida,
e aquele que conquista almas é sábio.
Provérbios 11:30


Após à emocionante cena entre Matias e Aslan se abraçando na área principal do hospital, decidi contar em um momento mais oportuno sobre tudo o que aconteceu ao Mathias. Para que eles aproveitem a alegria que reina no momento que se reencontraram depois da turbulência vivenciada. Era questão de vida ou morte, um assunto delicado e graças a Deus está tudo bem agora.

Infelizmente não teve como fugir de contar no momento em que estivemos sozinhos com o Mathias esperando o taxi. Entramos dentro do carro e a parti daí ele ficou calado, com o rosto virado para janela sem nenhuma expressão, apenas estático.

— Mathias, está tudo bem com você? – inclinei meu corpo para analisar o seu rosto. Ele não falou nada, apenas fechou e abriu os olhos.

Era doloroso vê seu rosto inexpressível. Não sabia o que estava pensando ou tramando fazer. Orava ao Senhor que Mathias tomasse a decisão de que jamais voltaria a usar qualquer tipo de drogas. Se ele não parar, vai acabar morrendo.

Chegamos na comunidade, como estava tarde, no crepúsculo do dia, havia um tipo de guardas armados na entrada de Aguaceira. Descemos do carro, paguei o taxista e fui ao encontro dele.

— Espera Mathias! – gritei ao perceber que andava na frente apressado.

— Que foi parça, tu ta ruim é? – um dos caras com uma gigante arma, perguntou. Sua roupa era toda folgada e com um boné aba reta quase cobrindo os olhos.

— Tá tudo certo cara, foi nada – Mathias respondeu e eles cumprimentaram.

— O chefe ficou perguntando por tu direto. Ficou sabendo que você passou mal, e quer falar contigo.

— De boa. Mais tarde vou lá.

—Sabe que ele te considera pacas... – comentou o mesmo rapaz.

— Eu sei – respondeu Mathias.

— E essa mina ai – apontou a ponta da arma em minha direção um outro jovem, com os seus cabelos evidentemente pintado de loiro, em contraste de sua pele negra.

— Pode libera a entrada – ele disse sem nem olhar para mim.

Enquanto passo entre os caras, no portão gigante, um deles comenta.

— Ei Trol, essa mina é mó gostosa – ele me analisou de cima a baixo e me senti constrangida.

Rapidamente o Mathias passou por mim e segurou a blusa dele com força.

— Tire seus olhos dela, jamais pense algo desse tipo com ela, sacou! Estouro seus miolos caso ouvir alguma gracinha novamente! – empurrou com força em direção ao portão, faiscando de raiva. — Espero que tenha entendido.

Assustei com a sua atitude e com tudo o que disse. O alcancei por esta a metros de distância de mim.

— Obrigada pelo que disse, mas o que foi aquela raiva toda?

— Você deveria apenas me agradecer, bastava – disse ríspido.

— Digo o mesmo – respondi em relação ao que ele passou.

Ele parou de andar e olhou para mim.

— Você quer o que? – olhou para o lado e voltou para mim. — Que eu te agradeça pelo que fez? Não vou. Você não deveria se meter nisso, muito menos ter me levado ao hospital. Deveria ter deixado morrendo. É o fim que mereço.

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