NOAH

Observo Luna enquanto ela descansa em sua casa. Sim, estamos na casa dela. Essa é uma das poucas vezes em que estive aqui e só viemos por que meu apartamento está uma verdadeira zona. Coisas reviradas, sangue no chão e até mesmo buraco de tiro na parede. Sem falar que ainda há policiais ali. Eu vi que minha loirinha alcançou a exaustão e a trouxe pra cá. Não consigo imaginar seu desgaste físico e emocional.

Depois de Luna receber os primeiros socorros e de darmos nosso depoimento à polícia, eu praticamente a arrastei até o hospital. Eu sei que ela havia acabado de ser atendida por enfermeiros, mas eu precisava ter certeza de que estava tudo bem com ela. Luna praticamente morreu na minha frente e essa cena nunca vou esquecer.

Foi aterrorizante vê-la ali, precisando de ar para viver e Susan, literalmente, brincando com ela. Eu só conseguia pensar que precisava daquela bombinha de ar de qualquer jeito e acho que faria de tudo para isso. Tanto que menti para Susan.

Nunca vou apagar de minhas memórias o momento em que cheguei ao apartamento. Só sei que Luna havia me ligado chorando e não dizia o que estava acontecendo. Eu não sabia o que pensar e me desesperei. Pensei em mil possibilidades, mas nunca estaria preparado para, o que de fato, estava acontecendo.

Depois que Luna me ligou, saí correndo da empresa, só pegando a chave do carro. Cheguei no prédio e quis me matar quando percebi que havia esquecido a chave de casa. E se ela estivesse passando mal no banheiro? Ou pior, tivesse desmaiado? Bati na porta com total desespero e meu nervosismo cresceu em níveis catastróficos quando não obtive nenhuma resposta.

Para meu total assombro, foi Susan quem abriu a porta. Demorei uns cinco segundos para notar que ela havia pintado o cabelo. Agora ela estava loira e parecida com...Luna? Pisquei algumas dezenas de vezes e mesmo assim não consegui entender o que estava se passando ali.

Agora depois de toda essa loucura, cheguei à conclusão de que o seu objetivo era realmente imitar Luna. Em sua cabeça doentia, pintar os cabelos iria fazer com que voltássemos. Talvez ela pensasse que eu a veria do mesmo jeito que vejo Luna. Acho que nunca saberei a verdade. Principalmente agora que Susan foi presa numa clínica de altíssima segurança. Devido aos seus problemas mentais, ela não pode ir para uma cadeia comum. Ainda estou receoso, mas me disseram que sua antiga clínica parecia um parque de criancinha, comparado a essa nova.

Fiquei surpreso quando os pais dela vieram conversar conosco e senti pena de sua mãe. Susan havia conseguido escapar graças à transferência que sua mãe pedira, mas a mulher só fez isso para ter a filha mais perto de si. Quem pode culpar tal ato? Luna mostrou a grandiosidade de seu coração mais uma vez, dizendo que não culpa os pais de Susan e nem nada do tipo. Minha loirinha deu uma verdadeira aula no quesito "ser humano evoluído" e meu coração se encheu de amor mais uma vez.

É por isso que agora velo seu sono, me sentindo extremamente grato por ela estar bem e por poder estar ao seu lado.

-O que seria de mim se você tivesse me deixado hoje, meu amor? -pergunto ao pé do seu ouvido, mesmo sabendo que ela dorme. -Espero nunca descobrir.

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MICAELA

Lorenzo coloca Caio no berço com um cuidado exagerado. Ele beija a testa do filho e diz algo em seu ouvido, que não consigo escutar. Ele o observa por alguns segundos e começa a caminhar de costas cuidadosamente, para não acordá-lo.

Meu marido finalmente se vira e parece se assustar quando me vê parada no batente da porta. Ele arregala de leve os olhos vermelhos e cansados e suspira, me dando um sorriso triste de lado. Lorenzo está assim desde o que ocorreu com sua irmã, horas atrás.

Estávamos todos em casa, quando ele recebeu uma ligação de Heitor. Na hora tive um pressentimento ruim e mal sabia eu que estava certa. Lorenzo se levantou da mesa para atender o celular e quando voltou seus olhos já estavam marejados.

Me preocupei e perguntei o que tinha acontecido. Ele olhou pra mim de um jeito que cortou meu coração e as únicas palavras que saíram de sua boca foram "Luna".

Ficamos alguns segundos parados, sem reação alguma. Meu peito doía pela minha cunhada e eu não sabia ao certo o que dizer ou fazer. Lorenzo saiu correndo, pegando as chaves e eu quis ir junto, mas ele me impediu. Ordenou que eu ficasse em casa, aguardando notícias. Eu tentei protestar, mas lembrei que nosso filho pequeno estava bem ali e não poderia ficar sozinho.

Com lágrimas nos olhos, me aproximei de Lorenzo e o abracei. Disse em seu ouvido que tudo ficaria bem e que eu estaria esperando por ele quando voltasse. Tudo que ele fez foi pegar em minhas mãos e me agradecer baixinho, olhando dentro dos meus olhos.

Me doeu ver o homem com quem me casei naquele estado, mas eu precisava ter fé. Deixei Caio vendo seu desenho e corri para o quarto. Dobrei meus joelhos no chão e pedi a Deus que cuidasse de minha cunhada. Pedi Sua ajuda, pois não sei o que seria de minha família se algo acontecesse a ela. Luna é a luz da família Schneider, sempre foi. Tudo e todos giram em torno dela e não poderia ser diferente. Luna possui uma luz e uma força que nunca vi igual. Ela me ajudou nos momentos mais difíceis e estava presente quando meu filho veio ao mundo.

Ela me alegrou quando eu estava cabisbaixa e nunca negou ajuda aos pais, irmãos ou amigos. Ela é a melhor tia que meu filho poderia ter e disso todos sabem.

(...)

Horas se passaram e não demorou muito para a mídia ficar sabendo de tudo. Liguei a televisão e não se passava outra coisa nos canais. Acompanhei tudo, aflita e extremamente preocupada. A transmissão era ao vivo e meu coração parou quando se ouviu um disparo. Poucos minutos depois, Susan saía algemada e ferida do prédio. A jornalista informou que mais ninguém havia se ferido gravemente e eu finalmente pude voltar a respirar.

Lorenzo voltou apenas à noite, quando teve certeza que tudo estava bem por lá. Corri para os seus braços e o abracei apertado até o ar faltar.

-Eu lhe disse que tudo ficaria bem.

-Sim, você disse -ele me aperta ainda mais contra si e sinto uma lágrima sua escorrer em minha bochecha. Me afasto e vejo um sorriso de alívio estampado em seu belo rosto.

-Tudo sempre termina bem, meu amor. Mesmo que as tempestades venham, o sol sempre nascerá pela manhã -digo a frase que minha mãe sempre repetia.

-Não sei o que seria de mim sem sua calma - ele diz sério. -Na verdade, não sei o que seria de mim sem você, Micaela.

-Digo o mesmo sobre você, meu amor - Lorenzo toca meu rosto e me beija calmamente.

-Te amo -dizemos em uníssono.

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Contagem regressiva para o final, meus amores 💔😭😭😭

A Paixão Acontece - Trilogia SchneiderLeia esta história GRATUITAMENTE!