05. Fique bem

121 13 9

Íris não gostou da troca que Clark e Benji haviam feito. Uma garrafa de uísque por algumas caixas de madeira e dois kits de primeiros socorros? O Buraco tinha muita coisa boa, aquilo ali era mixaria.

Discutir com os irmãos não adiantaria, no entanto. Das vezes em que havia acompanhado os dois até o local de trocas e comprado uma briga por causa da negociação, Íris saíra mais irada do que vitoriosa. Clark dizia que sabia o que estava fazendo, coração, e argumentava que pechinchar demais a mercadoria daqueles caras era pedir por conflitos que ninguém ali estava a fim de encarar. Íris não podia discordar disso, então se deixou ignorar os negócios feitos. Clark que se resolvesse com Beatrice quando voltassem ao acampamento.

Depois de carregar o caminhão com as caixas da troca, Clark dirigiu-se até o negociador para entregar as garrafas.

– A madeira vai servir para a cerca. – Machete comentou, mais para garantir a si mesmo sobre a boa troca do que para acalmar Íris. – Estamos precisando aumentar a segurança ao sul, aquelas falhas estão crescendo.

Los muertos não vêm pela ladeira atrás da escola, querido. Mas todo cuidado é bem-vindo. – Íris replicou.

O caminho de volta à escola foi apressado pelo pôr-do-sol, mas eles chegaram a tempo de usar os últimos raios do astro a seu favor. Os urros fora das cercas começaram a ficar mais desesperados conforme a escuridão chegava, e era hora do carro de som sair e atrair as criaturas para longe dali até o dia seguinte.

Íris cumprimentou os Foster, que ficaram responsáveis pela incursão daquela noite.

Beatrice estava parada na área de desembarque, as mãos apoiadas na cintura como comumente fazia quando estava preocupada. Ela tinha toda uma pose séria e intimidadora quando queria, e só loucos como Clark ousavam discutir quando a viam usando aquele tipo de expressão.

– O que houve com seu rosto? – Beatrice arregalou os olhos para Benji, que respondeu com um olhar mal humorado.

– Nada demais.

– Ele apanhou da garota que resgatamos. – Íris brincou, sorrindo para o olhar irritado do loiro. – Foi bem brutal.

– Você devia ver o Doc.

– Não foi nada demais. – O motoqueiro rosnou, recebendo um dar de ombros da mulher.

– Madeira? – Beatrice suspirou, assistindo enquanto Clark descarregava as caixas. – Encontraram mais alguma coisa? – Benji crispou os lábios para o irmão, ocupando-se em gesticular para que Lobo viesse até ele.

– Primeiro: não há de que. – a mulher revirou os olhos para o Clark. – Segundo: Benji e eu achamos alguns analgésicos escondidos numa farmácia, e remédios de nome estranhos.

– Dylan estava no supermercado antes de nós. – Íris comunicou. – Ela falou sobre ter encontrado alguma coisa?

– Algumas latas de sopa. – Beatrice anuiu. – Já entreguei para Judith. Ela está preparando o jantar de vocês, aliás, então podem deixar que eu cuido da contagem do estoque. – Gesticulou para que eles seguissem em frente, o que os irmãos Clark fizeram de imediato.

– Você parece exausta, Beatrice. – Machete comentou, cruzando os braços enquanto a avaliava com aquele típico olhar sabichão. – Por acaso dormiu na sua noite de folga?

– Sabe que não. – A mulher retrucou um sorriso enviesado.

– Devia fazer isso agora. – Íris pegou a caixa que Clark havia trazido da farmácia e impediu Machete de tentar carregá-la. – Honestamente, eu não estou com o menor sono. Posso cuidar de tudo aqui.

As Coisas que Perdemos [DEGUSTAÇÃO]Leia esta história GRATUITAMENTE!