Capítulo 5.

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Sem você, eu não tenho mão para segurar

Corro para casa assim que guardo o celular no bolso, mas não sem antes olhar para trás, procurando por Marco. Ufa, nem sinal dele.

O que foi aquilo? Quando foi que ele deixou de ser aquela pessoa doce, gentil e se tornou essa criatura arrogante? E como eu nunca percebi que ele tinha essa parte ruim dentro de si?

Ignoro meus pensamentos sobre Marco e aumento minha velocidade, ficando cada vez mais próximo de casa. Assim que viro a esquina, vejo uma figura parada na varada, olhando ao redor e pelas janelas.

Quando me aproximo, a figura me vê e caminha em minha direção.

- Ei, achei que estivesse em casa. – David me cumprimenta com um abraço, mas eu tento repeli-lo, e ele percebe. Sua testa se franze. – O que foi?

- Eu vim correndo o caminho todo. – coro ao imaginar se estou fedendo, mas ele sorri e revira os olhos.

- Vamos ficar parados aqui o dia inteiro, ou vai me convidar para entrar? – pergunta, fazendo um sinal para a casa.

- Já que você se ofereceu para entrar. – brinco, mas quando me lembro dos frascos dos remédios e de todo o resto, estanco. – David, você se importa se eu entrar primeiro?

- Não quer me deixar entrar? – ele levanta uma sobrancelha.

- Não, não é isso. É que... – penso numa boa desculpa.

- Você se esqueceu de arrumar a casa, e eu cheguei cedo demais? – ele arruma a alça da pasta no ombro.

- Isso. – confirmo, passando a mão pelos cabelos.

- Tudo bem, eu espero aqui fora. Mas não demore, não quero parecer um stalker ou algo do tipo. – ele ri, e eu entro correndo na casa, fechando a porta o mais rápido possível. E então, começo a esconder as coisas, a começar pelas pílulas.

- Então é aqui que você vive e se esconde... – David fala assim que pisa na sala de estar, observando o cômodo e colocando sua pasta no sofá. – Você não disse que tinha um gato. – ele aponta para Joaquim, que aparece de mansinho na sala. – Venha cá, garoto. – David estica a mão para o peludo, que só o ignora e volta para o lugar de onde veio. – Simpático.

- Quando vai começar a me desenhar? – pergunto, mas percebo o quanto fui ríspido quando David me olha com curiosidade. – Desculpa. É que eu ainda não almocei e...

- E por que é que não me disse? Eu teria enrolado um pouco antes de vir. Não quero desenhar alguém que morreu por inanição. – ele ri, mas eu não consigo forçar um sorriso. – Se você tiver alguma coisa aí eu posso fazer um sanduiche. – ele ergue os ombros.

Concordo com a cabeça, e David me segue até a cozinha. Olho discretamente para o relógio, contando quantas horas tenho para fazer as compras e lavar as roupas antes de Magda chegar da escola.

- Fale a verdade, Leo, você não me quer aqui, não é? Olha, era só ter falado. – David me olha desapontado, e eu imediatamente me sinto temoroso.

- Não, David, não é isso.

- O que é então? É sério, se você não estiver afim hoje nós podemos fazer isso outro dia. – ele olha ao redor, desconfortável.

- É que... – ele me olha sério, esperando uma explicação. Tiro a listinha de compras do bolso e a balanço no ar. – Eu preciso fazer compras antes das três....

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