Capítulo 62.

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4 semanas depois...

Davi.

- Olha a novinha que não me queria, e hoje ela quer, quer, quer.- Canto apontando pra Alice, enquanto ouço suas gargalhadas. Meu último dia com ela. Observo a maneira como ela ri, e até nisso ela é perfeita. Ela me olha ainda rindo e coloca a música do Mc Brinquedo - Roça, Roça 2, que eu estava cantando.

- Aaaaah, amor é a nossa música.- Ela diz com uma voz fina e solta um gritinho, nos gargalhamos olhando um pro outro.

- A D O R O AMIGA!- Digo com uma voz super fina e ela gargalha mais. A porta se abre e o Adam passa por ela.

- Toma as chaves.- Joga em cima de mim.- Vou sair.- Ele se vira, pra ir, e a Alice levanta.

- Vai sair pra onde? Pediu minha permissão? Até por que, o papai não está aqui.- Ela diz cruzando os braços, enquanto ele se vira de volta. Adam anda bem revoltado esses últimos dias, com a volta da mãe dele, ele não quer obedecer ninguém, só quer sair de casa, e quando a Alice diz um não pra ele, ele foge. Acho que essa volta da mãe dele pertubou todo mundo, só que mais a ele, já que ele obedecia a Alice em exatamente tudo, e tudo que ele é/faz agora, é exatamente tudo que o Adam de antes não faria.

- Eu não preciso da sua permissão mais.- Ele diz se virando pra sair novamente.

- Você não vai.- Ela diz calma, ainda.

- Eu vou sim.- Fala como se fosse óbvio e começa a andar. De agora pra frente, eu só consigo escutar os gritos dos dois, e uma porta se batendo com muita força. E a Alice entra pelo quarto batendo a porta também, com os olhos marejados.

- Eu tô cansada de fazer tudo por esse garoto, e ele corresponder assim. Tô cansada de ser a única a ter dado amor a ele até hoje, pra ele não me obedecer agora, e dar uma de "adolesentezinho" rebelde. Ele é só uma criança!- Diz abrindo o guarda roupa, e até então, eu só a escuto.- Ele tá precisando apanhar, é disso que ele precisa. E se tem uma coisa que eu aprendi, é que quando apanhamos, é que a gente aprende.

- Vai aonde?- Pergunto, e ela fecha a porta do guarda roupa com força, pegando seu pijama de frio, já que hoje estava bem frio.

- Tomar banho.- Ela diz entrando no banheiro. Depois de um tempo, ela sai do banheiro com os olhos e o nariz vermelho. Chamo ela com a mão, que deita do meu lado, e então, começo a passar a mão no seu cabelo.

- Mais calma?- Pergunto e ela concorda.- Não fica assim, todo mundo já feve essa fase, e você sabe.- Digo.

- Mas é o Adam, cara...

- Idai que é o Adam?? Ele é uma pessoa, é humano, é uma criança. Todos nós passamos por fases, ele é só uma criança que tá passando por uma.- Falo e ela sai correndo pro banheiro. Fico sem entender, mas vou atrás dela, e quando chego, ela está vomitando um monte. Ela escova os dentes, me encarando pelo espelho. Ela tá pálida.- O que foi isso?- Pergunto e ela da ombros. Seguro ela, enquanto caminha até a cama. Ela se senta, e eu me abaixo na frente dela.- Quer alguma coisa? Água? Comida?

- Não, Davi. Eu tô bem.- Diz baixo.

- Tô vendo. Você tá pálida, parece papel.- Falo enquanto passo a mão no seu rosto.- Vem, vamos lá em baixo que eu vou preparar alguma coisa pra gente comer. E se você não melhorar, é médico.- Digo sabendo seu mini-pavor de médico. E esse medo sempre a fazia melhorar.

- Médico não.- Faz bico.

- É só você melhorar.- Me levanto e puxo ela devagar pela mão.

- Você sabe que eu odeio médico.- Responde me fazendo rir.

- Saiba que isso não me impede de nada, você é quem tem medo, meu amor.- Falo quando terminamos de descer as escadas. Ela se senta em uma das cadeiras na cozinha, e eu começo a preparar uma sopa pra ela. O Adam aparece na cozinha pra buscar água, mas nem se da o trabalho de olhar pra nossa cara, até sem querer olhar a da Alice, e perceber o quanto ela está branca. Ele vem até a mim perguntando o que ela tem, irmão de Alice (me imagine revirando os olhos), orgulho pra essa família nunca é demais.- Não sei, Adam. Ela passou mal, e eu vim fazer alguma coisa pra ela comer, se ela não melhorar, vou leva-la a um médico.

- Ela sempre teve a saúde muito fraca, qualquer coisa, mesmo, leva ela no médico, por que se tratando dela, qualquer coisa pode virar algo muito sério.- Ele responde e eu concordo.- Ah, e se precisar, me chama que eu vou com vocês.- Ele se vira, mas eu seguro ele pelo braço, fazendo ele se virar pra mim.

- Não faz isso que você fez com sua irmã de novo, se sabe que ela é assim. Ela que cuidou de você até hoje, te amou, te deu carinho, enquanto seu pai estava pouco se lixando pra vocês, e sua mãe não se deu nem o trabalho de te conhecer. Presta atenção no que você faz, por que apesar de ser novo ainda, você tem consciência das consequências dos seus atos.- Digo me virando pra mexer a sopa. Ele para um pouco pensando, mas logo volta pro seu quarto dando uma última olhada na Alice, que se entertia com um jogo do meu celular. Sorrio ao ver ela virar o celular de um lado pro outro, até eu acabar com a graça pegando ele da sua mão e a obrigando a comer.

- Vou ligar pro médico agora.- Digo e começo a discar.

- Não.- Ela pega na minha mão.- Eu vou comer.- Diz baixo.

- Que?- Finjo não ter entendido, e ela revira os olhos.

- Eu vou comer.- Pega a colher de sopa, colocando na boca.

- Gosto assim.

- Cala a boca.- Ela responde, me fazendo rir dela.- Eu te odeio.- Diz e eu gargalho dessa vez.

- Ironia é você querer se casar com alguém que você odeia.- Digo.

- Eu vou casar com você por pena.

- Pena?- Gargalho novamente.- Sabia que mentir é feio, Sr. Oliver?- Digo no ouvido dela baixo, que se arrepia.

- Eu não tô mentindo, só sei que você não vai achar alguém melhor que eu, e ninguém que te ature.- Diz.

- Tenho certeza que a nossa vizinha me quer.- Respondo provocando ela, o que da certo, pois ela me olha como se quisesse me dar uma facada.

- Sua sorte é que eu não estou com uma faca, e eu te odeio o dobro agora.- Diz e eu rio disso.

- Também te amo.- Falo e ela sorri.

Apaixonados por Acaso (EM REVISÃO)Leia esta história GRATUITAMENTE!