Finados - 2/2

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"Comemoração"

"...Aquele sentimentos e desejos lavados na chuva fria da noite de maneira tão triste... Deixe-me ajuda-los..."

Tão logo saltamos da árvore e paramos no chão de lama do terreno, nenhuma diferença fez. Ninguém que estava do lado de fora poderia ao menos saber que estávamos ali, nem dentro das cabanas de madeira encaixadas para proteger os operários que estavam dormindo ou bebendo no momento.

Olhando em volta, o lobo-guara não via nada e não entendia a minha ideia, até ver em baixo das minhas patas de baixo, luzes vermelhas se formarem de forma uniforme.

– Pai? O que está fazendo? – Perguntou ele sem sair do lugar.

Eu estava de olhos fechados, quando os abri eles estavam levemente avermelhados, tranquilamente e iluminado pelas linhas que formavam padrões no chão.

– Estou fazendo uma boa-ação – Respondi.

Assim que terminei de falar, abri um sorriso amigo para meu filho e uma onda percorreu o espaço do terreno.

As gotas de chuva paradas no ar, as maquinas que haviam sumido do ambiente.

O chão, agora de terra batida e húmida, as gotas de chuva brilhavam cheias de cores diferentes enquanto a noite se iluminava brilhante mas sem muita força.

No fundo do ambiente, eu estava atrás de uma mesa, naquele mundo chamado de "Dj Mixer" e meu filho estava ao lado, admirado de boca aberta.

– Impressionante... – Até ele parar de falar e piscar, se virar para min quase se revoltando e falando- e eu?! O que irei fazer?! – Perguntou eufórico.

Olhei para ele sorrindo com ar de alguém esperto, levantei a pata suavemente e rapidamente, o meu lobo-guará está vestido com muita classe.

– Você precisa convidar as almas sem sair de dentro deste espaço – Respondi a ele sorrindo.

Rapidamente o filhote correu sorrindo, indo até o portão bem aberto e espaçoso que dava entrada ao terreno.

Não demorou muito para a primeira alma passar. Uma alma de humana idosa, triste e olhando para baixo como qualquer outra.

– Senhora? – Chama o lobo-guara se controlando, e abaixando a cauda que estava bem levantada, ao ver a tristeza naquela alma – Por que a senhora está assim? – Ele pergunta em um tom calmo, não havia conseguido segurar a curiosidade, e em um gesto de gentileza, estendeu a pata a ela.

– Quero encontrar meus filhos e netos mais uma vez apenas.... Mais uma.... Sinto a falta deles.... Meu netinho amado... – Disse a senhora parando de andar e olhando um pouco mais para frente.

Do fundo eu apenas observava, parecendo estar sabendo de tudo.

– Deixe-me ajuda-la senhora? – Pergunta o filhote de lobo ainda com a pata estendida.

– Por favor meu filho.... Se você puder... – Fala ela pegando na pata do filhote de lobo, e vendo o ambiente atrás dele, terminando de falar agora menos triste e surpresa – Eu.... Agradeceria muito...

Tranquilamente ele caminhava levando a senhora humana para dentro do salão, vendo aquele belo lugar e as gotas paradas no ar, brilhando cintilantes. Ela solta da pata do jovem e movida pela curiosidade, toca na gota brilhante. Por um instante ela vê algo que a faz sorrir muito e some rapidamente do lado do jovem lobo.

– Pai?! – Vira ele para trás comigo estando logo atrás sorrindo.

– Ela foi para onde queria ir filhote – Respondi sorrindo.

Rápido o filhote abre um sorriso e a cauda abanando, ele entendeu a minha ideia e volta correndo para o portão, agora bem mais animado, falava alto para todos os espíritos que estavam passando.

***

– Entrem! Por favor! Deixem-nos ajudar vocês neste dia onde vocês querem tanto estar em algum lugar e felizes! – Algumas almas, as mais curiosas e um pouco mais jovens, paravam de andar quando ouviam ele falar.

Ao se aproximarem o suficiente já conseguiam ver algumas poucas almas, homens e mulheres, sozinhos e acompanhados, curiosos tocando as gotas, brilhando e sorrindo. Algumas almas jovens que entendiam após ver o que acontecia, permaneceram no local, aproveitando a música e as luzes do ambiente, formados pelas muitas gotas mais no alto onde poucos se arriscavam a tentar alcança-las.

E Assim se sucedeu pela noite. Fria para os vivos, e mais aliviante para aqueles que estavam mortos no dia de homenagens a eles, no único dia que podiam eles vir a este mundo.

***

O Sol começava a aparecer, entre muitas nuvens que cobriam o céu. E no instante que o raio de luz tocou as gotículas de agua que ainda restavam, muitas no alto, e com o local agora com um número moderado de espíritos, as gotículas iam se explodindo e iluminando muito o local, lembrando estrelas que brilhavam forte, vários pararam para admirar as gotas mais no alto explodirem e sumir com o alvorecer, e quando eles perceberam, estavam sendo levados para onde queriam.

– Pois o tempo da festa já acabou – Falo parando de tocar com o meu filho cansado e dormindo sentado ao seu lado.

Logo todas as gotas se esvairiam iluminando muito e levando todos os espíritos humanos do local. Rápido, um humano operário acordou e viu o terreno todo encharcado da chuva, começava a reclamar.

– Vai dar um trabalho extra hoje...

Longe dali, no alto do prédio próximo ao terreno, o meu filhote lobo acordava e via o amanhecer.

– Hum... Bom dia Pai.... Como acabou a festa? ... – Perguntou ele com muito sono e esfregando os olhos com as patas.

– Melhor do que eu imaginava filhote – Disse olhando para o meu filhote e sorrindo muito feliz. Satisfeito com o final, e ainda fazendo um carinho nele para agradecer a ajuda na festa – Obrigado! – Disse a ele sorrindo e rindo muito.

Contos de Um Lobo na Cidade - Vol. 2 - Histórias Não ContadasOnde as histórias ganham vida. Descobre agora