PRÓLOGO: "HELLO FROM PLANET GREEN EYES"

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>>>>>>TRIGGER WARNING<<<<<<

Devido aos rumos do desenvolvimento da história achei útil e necessário colocar uma nota. Essa fanfic fala sobre ansiedade e depressão. Pode ser útil e ajudar, ou pode ser um gatilho negativo para alguns. Leiam com cuidado e consciência. Não tem nada extremamente pesado, mas vale avisar de qualquer forma.

E em um último esclarecimento (meio óbvio). Apesar dessa história se passar dentro do universo de Fifth Harmony, as pessoas descritas aqui são apenas PERSONAGENS, sem nenhuma intenção ou obrigação de refletir o que elas passam, pensam e sentem na realidade. E não, nem todos os fatos da linha do tempo da fanfic condizem com a história do grupo. Adaptações foram feitas para beneficio do plot.

Jubz.

***

2012 – Sala de audições do X Factor - (Flashback)

Eu nunca tive a intenção de me apaixonar por ela, mas eu sempre soube que seria simplesmente uma questão de tempo. Cinco minutos encarando a sua imagem em uma das milhares telas de TV espalhadas pelas paredes e eu já conseguia sentir o familiar frio do metal contra o meu coração. Qualquer coisa poderia ser o suficiente para apertar o gatilho – um sorriso, uma palavra pronunciada de um jeito carinhoso, a forma com que ela movia as suas mãos – e as reviravoltas no meu estômago se instalariam em uma questão de segundos.

Eu estava sentada em uma mesa de madeira nos bastidores da arena onde ocorriam as audições do The X Factor USA em Greensboro. No momento, eu só queria me distrair do fato de que as minhas chances de conseguir subir naquele palco e ter uma oportunidade eram praticamente nulas. Eu realmente queria me matar. Entre todos os dias que eu poderia ter escolhido para dormir demais e perder a hora, eu tinha escolhido aquele; o dia das audições. A voz de uma das funcionárias da produção do programa continuava soando alto na minha cabeça: "Camila Cabello? Você só vai poder fazer a sua audição se sobrar tempo depois que todos os candidatos já tiverem se apresentado. Fique à vontade porque isso vai demorar um pouco".

Ficar à vontade. No momento, aquilo parecia muito mais difícil do que a minha última prova de matemática. Como eu poderia ficar à vontade assistindo audição após audição, desejando cavar um buraco no chão e me esconder cada vez que uma voz poderosa ou um carisma fora do comum ganhavam aquele palco? Eu não sabia exatamente qual era a intenção de transmitir as apresentações dos outros candidatos para os que ainda estavam esperando a sua vez. Talvez fosse para fazer o tempo passar um pouco mais rápido. Ou talvez fosse simplesmente um requinte de crueldade com o objetivo principal de te fazer querer sair correndo. Se fosse a última opção, estava funcionando bem comigo. A minha autoestima já não era lá a melhor do mundo. Era muito fácil me transportar de volta para os corredores da minha escola onde o Bullying já era um velho amigo. Eu conseguia imaginar perfeitamente as risadas e os sussurros praticamente gritados aos quatro ventos assim que alguém descobrisse que eu iria me candidatar para um programa de talentos. Talvez aquilo fosse a vida me mandando um sinal. Talvez fosse melhor se eu simplesmente não conseguisse a minha audição. Assim, eu poderia pelo menos falar que eu tinha tentado, mas infelizmente não tive a minha chance. Eu não pagaria nenhum mico e ao mesmo tempo não sairia como covarde daquela situação.

Eu olhei para a minha mãe sentada do meu lado e pensei em tudo que meus pais tinham feito para que eu estivesse ali. A longa viagem, o dinheiro que não tínhamos sobrando. Eu tinha insistido tanto e pedido aquilo como presente de aniversário. Eu não podia simplesmente desistir agora. Pensando nisso, eu fechei minhas mãos fazendo força para que elas parassem de tremer e voltei minha atenção para a tela da TV e a menina que estava no palco. Eu não conseguiria me distrair tão facilmente assim, mas manter a minha concentração nela também não era lá muito difícil. Alguma coisa naquela pele pálida, aqueles olhos verdes e os dois dentes frontais um pouco mais proeminentes do que os outros me prendia como a gravidade. Fazia com que eu sentisse aquela arma apontada contra o meu peito pronta para ser disparada a qualquer momento. Mas isso era a última coisa que eu precisava.
Então, Simon começou a falar com ela, interrompendo meus pensamentos:

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