Capítulo 11 - Mesmo quando o passado volta a bater em sua porta?

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Obs: Esse arco do passado do Caio será narrado em terceira pessoa para que vocês leitores tenham um panorama geral de tudo que ocorreu, depois a história volta para narrativa em primeira pessoa.

Entre Sem Bater

Por Andréia Kennen

Capítulo 11

Mesmo quando o passado volta a bater em sua porta?

Francisco Beltrão, Paraná, quatro anos atrás.

Às vezes parece tão longe.

Eu digo "alô", mas ninguém responde.

Eu entro no meu quarto, eu fecho a porta,

Mas parece que o céu está de bronze.

Eu digo: Deus, o que será que aconteceu?

Mas o Teu silêncio é pra me fazer crescer...

E entender que Deus tem: Seu tempo! Seu jeito! Seu reino (1)!

O som do hino ressoava harmônico pela igreja. Era confortável ouvir todas aquelas vozes juntas, cantando e exaltando a Deus.

Os pais sempre foram ativos na religião. As atividades do templo faziam parte da rotina deles tal como o trabalho, os serviços domésticos e o estudo. Por isso, o pai e a mãe eram figuras conhecidas na igreja.

E o casal não era ativo somente nos cultos, mas faziam parte da administração e da organização dos eventos, retiros e grupos de louvor e adoração. Além disso, o pai tocava e cantava, enquanto a mãe auxiliava os ministérios. E, para finalizar, em conjunto, os dois davam palestra para casais.

Certamente, o sonho desse casal religioso era que, o único filho, nascido e criado dentro dos ensinamentos de Deus, assumisse o Ministério de Jovens em alguns meses, quando fizesse dezesseis anos, para que ele se firmasse no mesmo caminho que ambos os progenitores trilharam pela vida toda e até aquele momento.

Porém, a mãe de Caio, dona Suzana, havia algum tempo que vinha duvidando da vocação do filho para assumir aquele compromisso com a igreja, pois o percebia pouco interessado. Mas o pai, senhor Edvaldo, pensava o oposto da mulher e sempre saía em defesa do menino, argumentando que era coisa da idade, que Caio nunca dera trabalho, era quieto, estudioso, responsável e que era coisa de mãe se preocupar demais.

Aquela diferença de interesse, para o pai, era algo até explicado pela natureza de homens e mulheres. Para ele, que era médico, clínico geral há dezoito anos, as mulheres eram proativas desde muito cedo devido seus genes e, por isso, assumiam grandes responsabilidades ainda meninas. No entanto, era da natureza do homem demorar mais tempo para amadurecer e demonstrar interesse em coisas importantes ou até mesmo no futuro.

Por isso o senhor Edvaldo afirmava que, quando chegasse o momento certo, o filho cresceria e a educação dada por eles prevaleceria. Caio demonstraria o interesse necessário para assumir o Ministério de Jovens da igreja, tomaria em compromisso uma boa garota e enfim daria os primeiros passos para se tornar um adulto em Deus.

A mãe, dona Suzana, aquariana arredia, que não era nada paciente, respirava fundo nessas ocasiões e apenas respondia ao marido que continuaria orando para que Deus o escutasse e que aquele "amadurecimento" chegasse em três meses, quando Caio completasse a idade necessária para assumir o ministério.

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