Capítulo 10 - Mesmo quando do nada você está disputado?

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Entre Sem Bater

Por Andréia Kennen

Capítulo 10

Mesmo quando do nada você está disputado?

— Somente você — foi ditado pelo policial ao barrar a entrada de Thiago.

E, diante das nossas caras de indagação, ele se explicou:

— É protocolo. Só a vítima pode entrar. Acompanhante só se for um advogado. Você pode aguardar aqui na espera — esclareceu ele, apontando para o Thiago as cadeiras da recepção.

Deu para notar, na cara que o Thiago fez, que ele não gostou da forma ríspida que foi tratado. Também achei estranho. O policial que havia sido todo simpático comigo na primeira vez agora parecia carrancudo. Seu semblante estava endurecido, as sobrancelhas juntas, a testa enrugada e os lábios formavam um bico. O Sérgio parecia bem mal-humorado, como a maioria dos policiais parecia ser.

O Thiago revirou os olhos e antes que ele causasse algum alarde eu decidi entrar sozinho.

— Tudo bem, Thi. Pode me esperar aqui fora. Só vou pegar meu celular mesmo. Já venho.

— Fazer o quê, né? — ele deu de ombros, bateu as mãos na cintura, virou as costas e foi se acomodar em uma das cadeiras de plástico na fileira rente à parede da recepção.

Em seguida o policial apontou com a mão esquerda a porta que ele segurava aberta para mim. Evitei encará-lo para não causar mais desconfianças no Thiago e passei pelo Sérgio de cabeça baixa.

O policial pediu que eu me acomodasse e fosse lendo o documento de Retirada de Objetos Perdidos, — o qual já estava impresso com os meus dados sobre a mesa — enquanto ele foi buscar meu aparelho.

Não demorou e o Sérgio retornou com uma caixa de madeira, a qual depositou sobre a mesa, na minha frente. Notei que ele continuou andando dentro da sala. Eu estava terminando de assinar o documento quando aquela pergunta me surpreendeu.

— Quer café?

Eu ergui meus olhos e o vi de pé, em frente a um armário de aço, onde tinha uma garrafa de café e copinhos descartáveis em uma bandeja. Ele tinha servido um copinho e ficou esperando minha resposta para servir o segundo.

Arqueei uma sobrancelha. Eu estava louco ou ele havia mudado de humor de repente?

— Não, obrigado. Não sou muito de café.

— Certo.

Ele apanhou o copinho servido e sentou-se, enquanto eu voltava para o documento. Terminei de assinar, coloquei a caneta de volta no porta-canetas, onde eu a havia apanhado, e empurrei o papel de volta para ele.

— Assinei em todos os lugares que tinha meu nome.

— Está mesmo com pressa — ele observou um pouco sem graça, apanhando o papel e o folheando para conferir as assinaturas.

O que ele queria? Que eu tivesse vindo para tomar Tereré e jogar conversa fora?

Eu tinha notado que o documento estava com assinatura do delegado, ou seja, ele não precisaria ir atrás do superior para pegar assinatura dele como da primeira vez. Nosso contato seria bem breve. Bastava ele me devolver o meu celular, a minha via do formulário e adeus.

Notei que o Sérgio demorou um pouco na conferência do documento e ao terminar ele deteve o olhar em mim. Talvez, fosse por eu não ter respondido a observação feita anteriormente, sobre eu estar com pressa. Optei por não me manifestar de qualquer forma.

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