Capítulo 09 - Mesmo quando bate a revolta?

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Entre Sem Bater

Por Andréia Kennen

Capítulo 09

Mesmo quando bate a revolta?

Eu nunca tinha sentido tanto medo na minha vida.

Estava escuro, eu estava com frio e... sozinho.

Senti quando uma mão deslizou pelo meu braço e, em um gesto de repulsa, eu o recolhi, o que despertou a raiva do agressor que o agarrou de volta e com força.

— Além de bicha, é fresco, é? — o cara gritou no pé do meu ouvido e na sequência recebi uma bofetada na cara.

— M- me d- deixem em paz — pedi em um tom gaguejante, sentindo que as lágrimas queriam vir, o que me deixou com mais raiva de mim mesmo, por estar com tanto medo a ponto de querer chorar e não ter controle sobre aquele sentimento que me fazia tremer dos pés a cabeça.

Não era apenas medo de apanhar e ser violentado, mas de ser morto.

Eram tantas notícias trágicas relatadas pelas mídias de situações parecidas, caras que atacavam homossexuais, faziam o que bem entendiam e no fim matavam, por pura maldade.

Eu era homem também, não deveria ser subjugado facilmente, mas mesmo sendo homem, eu sou um ser humano como qualquer outro e tenho medo de morrer sim.

Não conseguia entender como a minha noite de amor perfeita estava terminando daquele jeito. Eu tudo que eu mais queria saber onde estava o Thiago.

— Tá chorando, é, meu irmão? Não é homem, não, seu merda?

Fui puxado pelos cabelos e quando a mão que apertava meu braço se soltou eu agi por impulso e tentei correr; escapar.

Corri sem rumo em meio ao escuro, acabei tropeçando em outro cara, que me agarrou com força. Na sequência fui derrubado por ele e todos os outros se movimentaram para me imobilizar. Senti meus braços e pernas serem segurados. A sensação era de terror. Senti o peso de um deles sentando-se sobre meu ventre e comecei a gritar.

— Parem com isso, merda! Parem! Não façam isso, por favor! — pedia aos gritos, e após juntar o máximo de ar nos pulmões, vocalizei com toda força um pedido de ajuda. — Socorroooo!

Levei um soco perto do olho esquerdo por fazer isso e, para que eu me calasse de vez, duas mãos abafaram minha boca.

O golpe me deixou tonto.

— Cale a boca, véi, ou o bagulho vai ficar cabuloso pro seu lado.

Era o fim.

Comecei a hiperventilar, tremer e a chorar.

Não conseguia evitar o pânico. O tremor e o choro faziam meu corpo convulsionar. Eu estava perdido. Seria estuprado e morto, mesmo tendo uma vida inteira pela frente.

Eu pensei em lutar, revidar, mas tudo o que eu fizesse seria em vão contra todos tantos caras. Na pior das hipóteses passou pela minha cabeça que, talvez, se eu não resistisse, se fosse bonzinho, e implorasse no final, pudesse sair vivo.

Véi, que pele macia que esse desgraçado tem, hein?

— Verdade, cara! Macia pra caralho — o outro que segurava meus braços confirmou, ao passear um das mãos sobre meu peito. — A pele dele e toda peladinha, ele se depila com certeza, não tem pêlos em nada. Nem aqui embaixo, olha só, que delícia — disse ele confirmando ao tocar no meu pênis e escorrer a mão para baixo, dedilhando minha entrada. — Até o buraquinho é peladinho e lisinho, lisinho, véi. Esse desgraçado tava fodendo mesmo, ainda tá meladinho aqui embaixo.

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