Capítulo 08 - Mesmo que haja interferências?

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Entre Sem Bater

Por Andréia Kennen

Capítulo 08

Mesmo que haja interferências?

Era o momento tão esperado, mas de repente, o mundo decidiu acabar e o apocalipse zumbi começar, porque meu telefone disparou a tocar e não parou um segundo sequer.

Para piorar a situação, eu nem sabia onde o aparelho tinha ido parar, somente imaginava que ele deveria estar caído em algum lugar incerto do infinito: entre a porta e a cama.

Mas o barulho irritante e incessante da chamada estava, definitivamente, tirando a concentração do Thiago e a minha para o ato em questão, aumentando a nossa tensão, não nos permitindo aproveitar a troca de carícia que começava a ficar boa.

Eu quis morrer quando ouvi o suspirar do Thiago e na sequência o peso dele desaparecer de cima do meu corpo.

— Não dá, Caio — ele sentou-se na cama, passando as mãos nos cabelos para alinhá-los para trás novamente. — É melhor você achar onde está a merda desse celular e desligá-lo.

— Concordo plenamente — afirmei e agi depressa, desci da cama e fui à procura do aparelho no escuro mesmo, não queria acender a luz, estávamos completamente nus, era nossa primeira vez, daria uma baita vergonha se ele me visse engatinhando no chão atrás do celular e com o traseiro pelado empinado para cima. Então segui a vibração e o toque e logo o encontrei debaixo das calças jeans. — Achei! — comemorei, mostrando o celular que continuava tocando incessantemente.

— Deixa eu ver quem é — ele pediu, estendendo a mão na minha direção, algo que eu não esperava.

O quarto estava um pouco escuro, mas não completamente, havia a meia luz da luminária sobre a cabeceira da cama e eu conseguia visualizar perfeitamente a seriedade estampada no rosto do Thiago.

— É a Laura — informei.

— Estou sem óculos, claro que não tô vendo daqui.

Aquele pedido me pegou mesmo desprevenido, o fato de que o Thiago ainda estava desconfiado me pegou desprevenido. Eu olhei do celular para ele sem saber bem que atitude tomar. Mas suspirei fundo, eu não tinha nada a esconder no final das contas, apesar de entendê-lo, eu quem havia dado margens para desconfianças ao omitir que iria sair para comer com o Cassiano, eu não podia me dar ao luxo de reclamar. Por isso balancei a cabeça positivamente, soltei um suspiro de novo, me aproximei e entreguei o telefone na mão dele.

O Thiago só deu uma olhada rápida no display e depois que confirmou o nome da Laura ele me devolveu o aparelho.

— Se ela está tão desesperada é melhor atender — ele sugeriu.

— Não, Thi. Eu conheço a Laurinha bem. Ela é sempre desesperada.

— Você não disse que ela foi socorrer o namorado? Vai que aconteceu algo.

Suspirei fundo pela terceira, ou era a quarta vez, precisava evocar toda minha paciência, não entendia porque o mundo havia decidido conspirar quando eu só estava querendo transar!

— Tá.

Foi atender ao telefone e o berro do outro lado me fez paralisar.

— Caio, eu preciso muito de você!

— Laurinha, você está chorando? O que aconteceu?

— Caio, por favor, me ajuda. Só você pode me ajudar nesse momento. Eu não estou aguentando. Caio, tá doendo tanto. Eu quero morrer.

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