Capitulo Setenta e Dois

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Pensar em você se tornou a coisa mais comum entre meus dias frios... –Paula Cristina

Quando eu passei pelos grandes portões do colégio a forma como Juan me olhou me fez por meio segundo querer voltar a chorar, mas eu apenas sorri e fiz continência para ele, que me lançou um sorriso fraco.

A agua ainda pingava e apesar do vento frio eu não podia dizer que estava sentindo algo.

Caminhei pelos corredores alheia a tudo, as poucas pessoas que se espalhavam por lá me olhavam como se fosse maluca e talvez eu fosse.

–Emily? –Luke perguntou arregalando os olhos, assim que abri a porta do quarto.

Arqueei uma sobrancelha, não entendendo sua cara de susto ao me ver, talvez fosse toda aquela agua, ou o fato de eu não estar me debulhando em lágrimas. O fato era que eu já havia chorado demais e acho que não haviam mais lágrimas.

Ele me puxou para si e me abraçou forte. Era reconfortante estar abraçada a alguém que se importava.

Eles me olhavam sem saber se deveriam dizer algo e toda aquela situação chegava a ser desconfortante e cômica.

Engoli em seco e coloquei meu melhor sorriso. Eu sobrevivi antes e sobreviveria dessa vez também.

Sorri para eles e caminhei até o banheiro me trancando lá.

Puxei minha lâmina de um pequeno suporte escondido e joguei-a pelo ralo, assim como a que estava em minha capinha e as outras que estavam escondidas pelo banheiro, não precisava de mais aquilo para me destruir, eu fazia isso muito bem sozinha.

Passei meu moletom pesado por conta da agua por sobre minha cabeça e joguei-o no chão, secando rapidamente uma lágrima que escorria lentamente por minha bochecha.

Coloquei uma roupa qualquer que eu sempre deixava no banheiro, lavei meu rosto, implorei um pouco de força para meu reflexo pálido refletido no espelho e então saí, sendo recebida por braços, quentes, fortes e protetores.

–Está tudo bem. –Sussurrei para Math que me abraçava. –Eu disse que ficaria tudo bem. –Sorri sobre o pano grosso de sua blusa. –Eu vou comer algo. –Disse me afastando dele e caminhando até a porta. –Apenas relaxem. –

Eu não estava com fome, só não queria ficar com eles enquanto todo aquele clima pairasse. Eu voltaria quando tudo isso passasse.

Encostei-me em uma parede e deslizei até o chão.

–Emily Madson! Você alagou a cozinha peste! –Ouvi o grito agudo da diretora.

–Mas tia, foi você quem me mandou lavar a cantina! –Dei de ombros.

–Tem uma diferença enorme entre lavar e inundar! –Ela gritou.

–Para mim dá na mesma! –Sorri inocente.

Eu ri sozinha e fechei os olhos, permitindo que as cenas se repetissem em minha mente:

–E então meu doce? Porque estou sendo presa? Vou para um abrigo de menores? Lá tem cachorrinhos? –

–Porque você destruiu meu carro? –Perguntou óbvio.

–Quem disse? –Perguntei cerrando os olhos.

–Eu vi garotinha! –

–Quem me garante que você não está mentindo? –Provoquei.

–Tudo bem. Se manda! Eu mando para o lava-rápido e tenho certeza que essa tinta sai, mas, por favor, desaparece, você está me deixando maluco! –

S.O.S Internato: A Marrenta tá na área!!!-EM REVISÃO ||LIVRO ÚNICO||Leia esta história GRATUITAMENTE!