06 - Parabéns - Parte 1

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  Quão fascinante é o som dos pássaros deitando sobre o sussurrar das árvores. Lura medita, mas a um chamar empolgado de um dos militantes, ela se vira, cessando a sua contemplação.

 Lura medita, mas a um chamar empolgado de um dos militantes, ela se vira, cessando a sua contemplação

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(Lura)

Ela, que estudava um mapa na parede de madeira rústica e degustava da natureza ao redor, então, direciona o seu olhar plácido para Maika.

(Maika)

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(Maika)

– Monte Lura, elas chegaram.
Os olhos castanhos da outra jovem mulher brilham suaves. Então, ela aperta o pulso com uma mão. Sinal daquele grupo de pessoas, a quem as duas pertencem, que significa "ouvi; sim; concordo."
– Finalmente – Lura celebra contida e plácida indo em direção à saída. – Dias bons chegam, sim. Está vendo, Maika? – a líder semeia na outra moça de cabelos lisos soltos e olhos azuis.

As duas caminham sublimes. Lura esvoaça a sua capa triangular vermelha que cobre o seu macacão das mesma cor, enquanto ostenta uma joia de sete pedras que envolve a sua cabeça. Os seus cabelos castanhos e ondulados também se divertem com o movimento eufórico do vento.
Ao receber toda essa ventania, as altas árvores ao redor dessa mata pesada parecem celebrar a chegada das Sete – ou melhor, seis.  O vento suavemente sonoro embala os galhos e as folhas pra lá e pra cá. É um soar de preencher a alma. Quase dá para flutuar em meio à natureza.
Às duas moças, uma multidão começa a sair de suas casinhas subterrâneas por portinholas no chão para se juntar. Muitas mulheres, poucos homens, inúmeras crianças: todos se empolgam e vão em pressa respeitosa ao encontro das tão faladas Sete – eles não sabem que só virão seis.
Um homem de idade mais avançada desiste de seguir o povo para se dar a uma tarefa mais importante.
Sobe facilmente em uma árvore, coloca um chifre espiral na boca e faz soar algo trovejante e de etéreo agudo.
  É uma convocação. Mais gente começa a sair de suas moradias debaixo do chão.
  De um dos altos galhos, aquele senhor exclama quando não está tocando o instrumento:
– As Sete! As Sete estão aqui! – e a euforia cai sobre as pessoas como chuva alegre.
Todos seguem a Monte Lura e Maika até uma clareira onde a nave vermelha pousa sobre a grama cercada de árvores gordas.

Todos seguem a Monte Lura e Maika até uma clareira onde a nave vermelha pousa sobre a grama cercada de árvores gordas

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(Ruma)

(Ruma)

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(Róru)

As portas se abrem. À frente delas, sai o Róru: ajudante barbudo de Lura; e Ruma, a sua auxiliar direta com seus cabelos cacheados bailando ao vento. Mas, logo, eles dão espaço à visão da coisa mais esperada: as cinco mais Ruth que está deitada numa maca.
– Ela está bem. Está se recuperando – Róru comunica à multidão antes que haja desespero. Ao procurar a sétima mulher, Lura deixa uma frustração crescente despontar em seu rosto.
  – Onde está a sétima? – indaga a Róru, falando baixo, contendo a sua irritação atrás da voz e de expressões leves.
 – Algumas coisas saíram do esperado... Depois eu te explico. Acabou que ela quis ir com eles – o homem corpulento responde tentando disfarçar essas preocupações na frente do povo.
– O que aconteceu? – Lura sussurra insistente.
– Dulan. O jeito que ela morreu – o seu ajudante lhe responde. O olhar dela ganha uma dose forte de perplexidade e preocupação. Ela respira fundo e caminha até às seis que estão paradas na frente de toda aquela gente. Ela sorri para cada uma delas – até mesmo para Ruth inconsciente – e se vira para o povo:
  – Querida nação libertadora, eis aqui a nossa salvação! – nisso, o povo ergue as mãos direitas, abertas e espalmadas, inclinadas por volta de quarenta cinco graus e as balançam pra lá e pra cá, rapidamente.
    É o jeito deles de bater palmas. Quatro delas – Alice, Olívia, Sônia  e Anne – concluem consigo mesmas. Micaela está como sempre: desconectada do que ocorre ao redor, meio que perdida. Muita coisa para absorver.
   – Uma está se recuperando, ferida em sua batalha por nós. E a outra – Lura para por poucos segundos para buscar as palavras exatas. – Nós buscaremos juntos das mãos daqueles devoradores.
    O povo, então, não resiste mais só celebrar com as mãos. Agora exclamam gritos de exultação e contentamento pela chegada daquelas que eles creem ser as suas salvadoras.
    As cinco acordadas, frente à reação do povo, sorriem educadamente.  Olívia gosta muito de toda a atenção. Sonia manifesta certa desconfiança interior. Micaela sorri aliviada por estarem ali e não com os Vivificadores – pessoal da Dulan e do Grinnmann. Alguns saem da multidão e tocam a maca de Ruth com pranto e preces às tais Águas, que eles tanto chamam. Anne aproveita tudo isso satisfeita por parecer ter feito alguma coisa certa. Então, a ficha cai: ela matou alguém. Desse ponto em diante, nos próximos minutos, o seu sorriso passa a ser mais forçado do que natural. Já Alice deixa a alegria e a paz se instalarem em seu coração após muita correria e muito deserto. Ao mesmo tempo, bem lá no fundo, as cinco temem toda a carga de "salvadoras" que estão colocando sobre elas. No entanto, continuam sorrindo e acenando, enquanto todas também se perguntam:
– Isso tudo é verdade? Que mundo é esse? Não seria tudo um sonho – ou melhor, um pesadelo?
Por isso, decidem receber, de bom grado, atenção, palmas e abraços daquela multidão de pessoas estranhas. Elas querem alívio, terra firme e desfecho. O fim desse devaneio todo que se iniciou com os seus respectivos desmaios.

SETE - Volume I [COMPLETO]Where stories live. Discover now