Puxei o ar e coloquei um pouco de água na boca, mas logo em seguida cuspi para tirar aquele gosto horrível de vômito. Mike, meu melhor amigo me olhava preocupado, ele estava ao meu lado pronto para me segurar se eu caísse, juntamente com uma garrafa d'água em sua mão.

Amava beber, e cuja as circunstâncias, a bebida caia mais do que bem. Foda-se, estava mesmo chapado pra caralho e não e importava com isso! Minha ex-namorada me traiu com babaca do seu personal trainer, e agora estava em Miami desfrutando do dinheiro do pai dela, enquanto deveriam estar transando loucamente em algum quarto de hotel cinco estrelas.

Eu até poderia ter quebrado a cara do babaca a ponto de que ficasse tão desfigurada que nem ao menos Natasha conseguira olhá-lo, quem dirá beijar ele, mas o sujeito era uma montanha de músculos, e bem, eu era apenas um cara normal feito de carne e ossos, facilmente quebrável.

Me pergunto se alguma vez aquela vadia se quer pensou em mim, só que pelo visto não, contando que tudo aconteceu ontem à noite. Cheguei em sua casa sem avisar, para fazer uma surpresa a ela, pois havia comprado um solitário para lhe dar de presente, e com isso pedi-la em casamento, mas acho que ela não tinha a mesma pretensão que eu, já que a encontrei sentada no pau daquele pedaço de merda gigante. Não sei nem se vale mencionar que isso não tinha sido a primeira vez, pois a um tempo atrás me mandaram a foto dela beijando ele na academia, e eu, imbecil que sou, acreditei na palavra dela de que aquilo não se repetiria mais, e o mais irônico é a forma como ela disse que se sentiu mal quando tinha ficado com ele antes, e veja só, tudo se repetindo novamente.

A única coisa que me restou foi Mike, meu melhor amigo gay, que estava tão na merda quanto eu.

E eu só conseguia sentir é vergonha de mim mesmo por ter sido enganado duas vezes, embora ela tenha aumentado depois deu ter ligado pra Natasha a algumas horas pedindo que voltássemos e ela simplesmente riu da minha cara, avisando que estava muito ocupada para me dar atenção. Mesmo que tivesse deixado diversas chamadas perdidas em seu celular apenas para incomodar, aquilo não me parecia ser o suficiente, no exato momento sentia sede de vingança, ela tinha que pagar pelo que fez.

Olhei para a garrafa de vodka em minha mão, e foi aí que tive a grande ideia.

– Lex? – Chamou Mike assim que me viu sair andando em direção ao meu carro. – Lex! – Agora ele veio correndo atrás de mim. – Lex! Onde está indo? – Perguntou assim que me alcançou.

– Me vingar daquela vadia! – Respondi sentindo o gosto de ferro na boca. Seria sangue? – Ela vai no mínimo passar a mesma raiva que eu passei. – Sorri já com meu plano todo bolado.

– Interessante, vai querer compartilhar seu plano, ou não farei parte da sua maléfica ideia? – Questionou um tanto quanto feliz. Mike nunca gostou de Natasha, então qualquer coisa que eu falasse que fosse contra ela, meu melhor amigo iria me apoiar sem sombra de dúvidas.

– Você verá. – Disse dando uma piscada para ele e entrando pela porta do motorista.

Mike se jogou ao meu lado, que era do carona com um sorriso muito bonito, o que não devo negar que meu amigo era muito boa pinta. Passei em um posto, peguei algumas cervejas e mais uma garrafa de vodka barata, não iria jogar a que eu estava bebendo fora, ela era boa! Mike me seguia sem falar nada, apenas observava cada passo meu calado, tentando adivinhar o que eu faria a seguir, esse era o cara que eu conhecia.

Em pouco tempo eu já estava em frente da casa de Natasha. E foi aí que meu plano começou. Rasguei um pedaço da minha blusa e abrir a garrafa de vodka, colocando metade do tecido na aguardente e tampei, deixando um pedaço razoável para fora. Estiquei a mão para meu amigo, e ele já havia entendido que eu tinha feito, um belo de um coquetel molotov, então um isqueiro zippo me foi entregue. Acendi ele vendo a chama lamber o pano lentamente, então taquei a garrafa contra a janela da sala e fomos correndo para dentro de meu carro. Começamos a rir loucamente.

Bem, Natasha tinha dinheiro o suficiente para comprar quantas casas quisesse, mas garanto que morreria de raiva por conta de ter perdido metade de seus sapatos e roupas de grife.

Dei a volta no quarteirão e parei no outro lado da rua para poder ver o show. Logo as chamas consumiram a casa, enquanto eu e Mike bebíamos cerveja. Não conseguíamos parar de fazer piada sobre como minha ex-namorada reagiria ao receber a notícia, meu amigo era ótimo em imitar a voz fina dela.

Por um momento que olhei para o cara ao meu lado não pude deixar de reparar seus lábios úmidos por causa da bebida, eles eram bem finos e rosados, e por mais estranho que fosse senti vontade de beijá-los.

Não medi esforços para impedir meu ato, juntei meus lábios ao dele rapidamente e lá fiquei esperando ser correspondido. Não posso nem ao mesmo dizer que aquilo foi um exagero, porque eu estava bêbado, e minha noção da realidade estava mais do que aumentada, também não posso dizer qual foi a reação de Mike, já que meus olhos estavam fechados e meus lábios anestesiados demais por conta do álcool ingerido.

Acho que meu amigo cansou de esperar que eu me afastasse e decidiu corresponder ao meu beijo. Bem, uma coisa posso falar com absoluta certeza, o beijo dele era melhor do que de Natasha.


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