Personagem #7 - O protagonista

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Como dito em Enredo #8, a história é sobre um sujeito que quer alguma coisa e é impedido por alguém. Sendo assim, ninguém é mais importante do que esse sujeito – o protagonista. Syd Field, inclusive, orienta que comecemos a imaginar história pelo protagonista.

Sendo uma figura tão importante, cai nos ombros do autor a responsabilidade de criar um personagem único e interessante que seja complexo e que siga uma linha crível de ação, sem ser previsível.

Assustador, não? Mas vamos quebrar essa tarefa hercúlea em partes, lembrando sempre que o protagonista vai crescer naturalmente durante o processo da escrita. Ao final da primeira versão, você já terá evoluído bastante e cabe ao escritor uma reescrita atenta.

Vamos por partes então:


Comece com detalhes pequenos e crescentes.

- Qual é o seu nome?

- Como ele é física e psicologicamente? Por que?

- Onde ele nasceu? Onde mora?

- Quem são os seus pais? Qual é a relação pais-filho(a)?

- Qual o seu nível socioeconômico e instrucional?

- Quem são as pessoas próximas?

- O que ele gosta de fazer?

- Como foi a sua vida pregressa?


Engrosse o caldo. Defina:

- As qualidades do personagem.

- Sua motivação (o que leva ele a agir).

- Seu desejo (o que ele quer).

- Como ele fala e se comporta.


E, agora, o tempero:

- Seus defeitos/limitações.

- Seus conflitos (o que o impede de conseguir o que deseja).

- As mudanças/aprendizados de que precisa ao longo da história.


É fácil dar um nome para um personagem. É fácil relacionar as suas qualidades. Não é difícil imaginar onde ele nasceu ou quem foram os seus pais. Mas é complicado pensar nos seus pontos fracos. E são eles que realmente importam. A humanidade das pessoas é melhor observada por seus defeitos do que suas qualidades. Quando não enxergamos os defeitos das pessoas, as colocamos em pedestais. Elas se tornam figuras distantes, como ídolos. Não é à toa que Batman é um personagem tão interessante e que o Super-homem não.

Por isso, construa o seu herói a partir dos seus defeitos e limitações. Entenda o que ele quer/precisa e entenda até onde ele precisa evoluir para chegar lá. Essa distância (como ele é hoje e como ele deve ser) é a força motriz da história, a origem dos conflitos do protagonista. Bons conflitos deixam a trama interessante.


É importante que cada opção sua para o herói seja consciente e que todas tenham uma razão de ser, uma função. Ela pode ser estética, filosófica ou dramática, mas precisa ser sua. Nada pode ser à toa.

E, mais importante do que tudo já citado, o protagonista tem que estabelecer um forte laço de empatia com o leitor. A pesar de todas os seus defeitos e erros, o leitor tem que desejar o bem do herói. Inclusive, se o leitor não concorda com as atitudes do protagonista. Ainda que o odeie, deve amá-lo. Como faz a mãe de um bandido.


Vai chegar o momento em que o protagonista vai "ganhar vida". Será quando você o conhecer intimamente e saberá como ele agiria ou falaria, sem precisar de pensamentos conscientes. Normalmente, isso acontece no final do livro e você vai ter que fazer bons ajustes nas revisões. De qualquer forma, aproveite. Seus problemas com o protagonista acabaram.


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