Capítulo 21: Batalha no topo do mundo

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Assim que ganhou de volta sua liberdade e suas armas, Alopex correu pelos corredores da torre em que esteve aprisionada e acessou um compartimento de gás, cuidando para que uma faísca produzisse uma explosão a uma distância segura dela.

A bola de fogo tomou a torre e as escadas enquanto a Ánima saltou para o lado de fora e os tentáculos a auxiliaram para se dependurar e não receber a explosão. Com a agilidade de um animal feroz, Alopex saltou pelas gárgulas retorcidas que decoravam a parte externa da estrutura e viu alguns corpos em chamas saltarem pelas janelas.

A Ánima mergulhou habilmente para o andar debaixo e derrapou as patas sobre o chão, com olhos afoitos em busca de novas vítimas.

Alopex depositou as quatro patas no chão e correu com os tentáculos armados de duas lâminas e duas pistolas. Sempre que ela corria em quatro patas, lembrava-se de sua tribo, Vaukis. Eles costumavam caçar grandes tesouros em planetas não civilizados, longínquos e ermos, onde os animais selvagens eram os únicos que podiam acompanhá-los. Uma época maravilhosa, e doía-lhe o peito recordar. Aquilo fazia muito, muito tempo.

Um soldado com uniforme Âmbar saltou pelo corredor com uma lança brilhante, aos gritos. Alopex girou e um dos tentáculos acertou a lança com sua lâmina. O segundo tentáculo dividiu o cabo da lança em duas partes, enquanto o terceiro mirou a pistola contra a cabeça do adversário. Um tiro certeiro o tombou.

Um segundo Âmbar surgiu por trás, e Alopex deu um passo para o lado. As duas lâminas de seus tentáculos atravessaram o braço e a cabeça do inimigo. Mais três soldados apareceram com Holoarmas e atiraram. Alopex usou os tentáculos para grudar no teto, e do teto saltou para fora da torre pela janela, girando do lado de fora iluminada pela estrela azul. Ela adentrou pela janela atrás dos Âmbar e fuzilou-os com tiros de suas pistolas. Um deles conseguiu se safar e tentou correr, mas Alopex saltou sobre ele e cravou suas presas animalescas em sua jugular.

— Pelos companheiros cientistas de Alopex!! – rosnou ela, enquanto o sangue escorria em seus dentes e lábios.

...

A 14-Bis voou na direção das chamas rentes à torre. Camilo não sabia o que encontrariam no local, mas esperava rever Érico e resgatar a Bússola Universal. A fumaça se moveu conforme o vento, e o veterano teve que manobrar a Holonave para não ter a vista encoberta. Assim que jogou o veículo para o lado, ele cravou os olhos em um canto da fortaleza e viu uma figura conhecida. A pele branca, os cabelos repicados, os olhos vermelhos: Darwin.

Com uma virada brusca no volante que quase derrubou Jeane e Papiros para o canto da cabine, arrancando deles reclamações, o veterano levou as mãos à alavanca de lançar mísseis.

— O quão fácil e rápido seria? Simplesmente pegar a traidora de surpresa – calculou ele, em um sussurro, com os olhos semicerrados. Antes que pudesse concluir a ambição, ela desapareceu, engolida por um de seus portais. — Tsc...

Camilo guiou a nave até uma plataforma sólida da fortaleza e agarrou o cabo de sua Holoarma, passando a alça pelo ombro após carregá-la.

— Lembrem-se. A prioridade é encontrar Érico. E a Bússola! Por mais que isso implique em chutar alguns soldados de Âmbar pelo caminho – disse ele, caminhando à frente da dupla.

Campus! – evocou Papiros, e uma energia o envolveu. Um cetro de luz apareceu em sua mão com um cristal na ponta. Camilo então se lembrou de que os Lestáris eram capazes de materializar pequenas realidades particulares, um poder admirável de se ver. Nas mãos de um sábio como Papiros, imaginou que grandes poderes estariam nas mãos do cinzento.

Dos braços mecânicos de Jeane, brotaram lâminas curvadas desdobráveis. Os Nobas quase não desenvolviam seus Campus, já que seus exoesqueletos eram armas naturais em seus corpos. Camilo recordou-se que a pobre Jeane havia nascido com os ossos atrofiados, mas a medicina moderna havia dado um jeito nisso, ainda que sua condição tivesse causado seu exílio. Os Nobas consideravam maculados aqueles que nasciam com problemas em seus ossos.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora