Capítulo 20: Alianças

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O olhar de Papiros parecia distante. Camilo o observou enquanto se sentava no sofá da pequena casa de Jeane. O Lestáris havia aparecido na comunidade todo agitado e não quis adiantar o assunto até que estivessem em um lugar discreto, em que ninguém pudesse ouvi-los. O veterano sentou-se em um banquinho à frente do pesquisador cinza e o encarou, esperando que ele desembuchasse de uma vez.

— Então? Recebeu o pedido de Érico? – perguntou Camilo.

— Sim, este Lestáris recebeu, e deve lhe dizer que, por mais que este Lestáris lhe deva por conta de sua ajuda no passado, não achei apropriado você ter mandado um desconhecido pegar a Bússola – reclamou Papiros, com os três dedos sob o queixo triangular.

— Veio discutir isso? Eu estava resolvendo problemas – se justificou Camilo, com um suspiro discreto.

— Relaxe, este Lestáris não vim aqui perturbar seus problemas com reclamações – Papiros recostou-se ao sofá, e cruzou as pernas com um olhar de satisfação. Camilo sempre odiou os rodeios dele. — Pelo contrário, este Lestáris vem agradecer por ter me enviado um artigo tão raro quanto Érico para me visitar.

Camilo coçou a barba, imaginando do que Papiros estava falando.

— Quer dizer a Dupla Vorpal dele? Realmente, não se vê mais armas como aquelas. Não com frequência.

Por um instante, Papiros pareceu confuso. Os olhos dele se espremeram, e ele caiu em um longo silêncio, como se ponderasse as próximas palavras. Enquanto não voltava a falar, o chão de Sândalo tremeu novamente. Era a quarta vez naquele dia. A Solitária estava mesmo estressada debaixo da terra ultimamente.

— Então você não sabe... interessante – o Lestáris abriu um de seus sorrisos estranhos, sem mostrar dentes no interior da boca, e reclinou-se para frente. — Enfim, o motivo da presença deste Lestáris aqui é simples.

— Achei que nunca diria.

— A biblioteca foi atacada, e seu garoto acabou fugindo. Com a Bússola. Mas, a julgar pela eficiência de sua perseguidora, este Lestáris duvida que ele tenha ido longe.

— O que quer dizer, Papiros? Pode ser mais claro?

— Como a água cristalina escassa de Zortzi. A biblioteca da qual este Lestáris toma conta foi atacada por uma Holonave vermelha semelhante a um inseto, e eles queriam a Bússola, que àquela altura, já estava nas mãos do seu garoto. Então, ele tentou escapar e não o vi mais – esclareceu Papiros.

— E você demorou tudo isso de tempo para me dizer? – Camilo saltou do banco e tentou contato com Érico pelo ID, mas ele estava off-line. Em teoria, pessoas desconectadas estavam mortas ou não existiam mais — Holonave vermelha semelhante a um inseto, só pode ser...

— Âmbar, é claro! – completou Jeane, encostada na porta que dava para a cozinha, com os braços cruzados. Só então Camilo notou sua presença. — Os pulhas atacaram novamente, ao que parece.

— Já não chega terem matado Torn? Agora isso! Já chega. Vamos resolver esse assunto. De uma vez por todas! – decidiu Camilo, e encaminhou-se para o quarto. — Sabe onde eu encontro esses caras?

— A Holonave destes tem rodeado a fortaleza de Balthasar. Estes montaram acampamento por lá – respondeu Jeane do outro cômodo. — Tu planeja ir lá sozinho? Ficou maluco, é?

— Dois pontos: Um, sou um veterano de guerra. Dois, não vou sozinho. Você vem comigo, minha linda – Camilo puxou a Holoarma, conferiu as balas e mirou na direção da parede. Depois, deixou o quarto e encontrou Papiros de pé.

— Este Lestáris vai junto. É a Bússola Universal, e é rara. Não quero nas mãos de bandidos. – informou Papiros.

— E você ainda sabe lutar, por um acaso? Pois eles não vão nos devolver. Não se apenas pedirmos – disse Camilo.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora