- Sangue de Dragão -

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Apresentando: Gideon Drakhonis, personagem de Os Guerreiros de Alquemena  



As chamas continuam dançando conforme a sinfonia do vento e você as observa como se conseguisse ver através delas a história narrada por Naví, o Fauno. O ar está mais gelado do que antes, mas a presença das pessoas em torno da fogueira e o chá quente servido lhe dão conforto. Os bolinhos de amêndoas que antes formavam uma pilha agora já saciaram a fome e gula de cada um presente. Talvez Naví devesse pensar em assar uma forma maior de quitutes na próxima roda de histórias, você pensa enquanto vê o Fauno enrolando o pergaminho do conto "Um Selo para Lady Noctis" e guardando-o na bolsa de couro dele.

Naví puxa mais um pouco de seu fumo, divertindo-se com a fumaça que encontra a fina névoa que abraça os ouvintes de suas histórias. A presença da neblina lhe dá arrepios, mas você disfarça, pois a curiosidade é grande para saber qual será a próxima aventura narrada pelo Fauno. É impossível piscar de cansaço, ou sono após um bom tempo ouvindo sobre a Feiticeira Lady Noctis, pois os seus olhos estão vidrados. Os seus e os dos outros que estão sentados nos tocos de madeira, atentos à chama que crepita sobre a lenha e assopra uma canção singela e quente.

- Cheguem mais perto da fogueira, venham - o Fauno gesticula como em uma coreografia ensaiada, as mãos de dedos longos e esverdeados lhe assustam, mas você é obediente e fecha o círculo junto aos outros visitantes - Perfeito, nada como o calor de vários corpos próximos uns dos outros. A noite esfria, todavia, nós permanecemos, amantes da madrugada. É hora de contar uma história sobre alguém com sangue quente... Alguém com quem esbarrei ao acaso diversas vezes nestes bosques que nos cercam...

Você ouve o farfalhar das folhas na bolsa do Fauno e percebe que ele remexe em seu interior na busca de outro pergaminho que logo ele desenrola, hábil, e inicia a interpretação de outras dezenas de palavras...


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O silêncio afastou vagarosamente a dor de cabeça que antes afiava cada milímetro dos ecos que percorriam a mente de Gideon Drakhonis, e todo o desejo por quietude que sempre fora um segredo que escondia de si mesmo pareceu ser atendido. Sua vida costumava ser barulhenta, voraz, como tambores que anunciam uma guerra – e isto ia do amanhecer ao pôr do sol dos seus dias. Mesmo longe de casa há semanas o ritmo frenético que o cercava em sua terra natal permanecia semelhante ali nas Florestas Menör, exceto pelo fato de que naqueles bosques não haviam dragões para cuidar e se preocupar. Os dragões agora estavam somente vívidos em seus devaneios saudosos do seu lar, e demoraria a vê-los novamente enquanto não terminasse a sua missão em Asgaha.

Conforme os seus cílios se descolavam, percebeu que estava em um lugar diferente do qual tinha dormido. Espere, pensou, havia dormido de fato, ou desmaiado? As lembranças eram como uma teia de aranha tramada fio a fio, sendo difícil acompanhar o fluxo em que era tecida. A última memória acesa em meio a escuridão cavernosa de sua cabeça era de dor, esta que foi dilacerante. Após a dor sobrara apenas o breu e nada mais. Teria morrido? Diziam que ao deixar o plano físico o corpo tornava-se aura pura ao ser jogado nos mares de Ilihad, o Deus da Água, mas ele definitivamente não tinha a sensação de ter deixado para trás a sua carne e osso...

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