Estilo #4 - Narrador - Dicas

1.5K 140 117







                  

Seguimos com a saga que é escolher o narrador da sua história (iniciada em Estilo #3). Agora que já sabemos as opções básicas, precisamos analisar as sutilezas.

Eu acredito que existe um narrador ideal para cada trama. Nem sempre é fácil chegar nele e, com uma frequência enorme, ignoramos o que a história pede e decidimos pelo que preferimos ler. Um escritor famoso certa vez diz que não lê livros em primeira-pessoa. Obviamente, ele só os escreve em terceira-pessoa.

Eu não estou dizendo que ele está necessariamente errado. O que defendo é que essa escolha seja consciente. Para mim a história é soberana, mas o mundo não é perfeito e o preço por não nos adaptar por ser mantê-la nas sombras para sempre.

Modismo

                  

Como acontece em todas as áreas, existe um padrão de comportamento na literatura. Analisada sob a ótica do narrador, podemos dizer o narrador-protagonista (primeira-pessoa) está na moda. A maioria dos novos livros usa este artifício. Mas a terceira-pessoa é quase uma exclusividade entre os clássicos. A explicação é a ascensão do individualismo (não no sentido pejorativo).

Então, você deve escolher um narrador protagonista? Não necessariamente. Depende da sua história e do seu objetivo literário. Algumas histórias perdem muito caso mantenham o foco narrativo em um só personagem. Imaginem Guerra dos Tronos contada em primeira-pessoa. Até dá para fazer (com um sobrevivente lembrando o que aconteceu), mas não seria igual.

Além disso, se você quer fazer uma obra que seja respeitada entre os críticos literários, a primeira-pessoa raramente é a melhor opção.

Preferência individual

                  

Se você não suporta um determinado tipo de narrador, não o use. Se você só gosta de um, use ele. Mude a história se for preciso, aceite um pequeno prejuízo para a trama, mas não escreva algo que você não respeita como leitor. Com frequência, livros com narradores imperfeitos são bons. Algumas vezes, ótimos. Os outros elementos narrativos preenchem a lacuna que o narrador deixou.

Mas não limite suas opções por comodidade. Tente, escreva, reescreva. Leia livros com narradores diversos. Deixe a sua mente aberta para mudanças.

Personalidade do narrador

                  

Independente da pessoa, o narrador tem uma personalidade. É fácil de acreditar quando lemos um livro em primeira-pessoa, mas toda a imparcialidade de um narrador onisciente é fingida. As palavras que o narrador escolhe para descrever um objeto é uma escolha que revela um pedaço da sua personalidade. (Para os que duvidam, releiam Harry Potter e atentem para as palavras maternas escolhidas por J.K. Rowling ao se referir a Harry).

Dito isso, pense no seu narrador como um personagem, mesmo que ele não seja, de fato, um personagem da trama. O que ele acha do protagonista e seus ideais? E do vilão? Ele se importa com algum deles? Ele está entediado ou animado ao contar a história? Ele tenta ser neutro ou aceita sua imparcialidade? Quem ele é/foi? Por que essa história é importante para ele?

Defina quem está contando para depois contar.

Narrador interessante

                  

Acima de tudo, um narrador deve ser uma "pessoa" interessante. Imagine aquele(a) amigo(a) chato(a) que faz a história mais instigante ficar insuportável. Você não vai quere ele(a) contando a sua história, certo?

Procure um narrador que acrescente tempero à trama. Já contei aqui que a escritora Marie Lu (Jovens de Elite) trocou o narrador do herói para o vilão. Ela fez isso porque a trama fica mais interessante quando o narrador é interessante.

Necessidades da trama

Por último, e certamente o mais importante, a história define algumas coisas por você. Ela tem as suas próprias demandas e você será sensato em ouvi-la. Se você vai aceitar ou não, cabe a você decidir e arcar com as consequências. Mas desconhecer as necessidades da trama é a pior opção. Seja um escritor consciente. Sempre.

Necessidades da trama #2

A necessidade mais comum de uma trama é o quantidade e variação de pontos de vista (POV). Se existir informação que o seu protagonista não pode ter e o seu leitor deve saber, usá-lo como narrador não é a melhor opção. Se acontecem eventos simultâneos e importantes ou se a trama enriquece com a diversidade de opiniões/emoções, um narrador fixo não é a alternativa natural. Entenda o que a trama pede, depois decida o narrador.

OBS.: Aceite que você não vai ter certeza até terminaro livro. Por isso, tome sua decisão consciente e siga até o final. Se narevisão você percebeu que a sua escolha não é mais a melhor, mude. Reescreverfaz parte do processo.


>>> Responda rápido, qual o narrador ideal para a sua história? <<<


***


A participação de vocês é imensamente importante! Peço que usem os comentários para críticas, perguntas, opiniões e sugestões de temas. Se gostarem, não deixem de votar e adicionar à sua lista de leitura para não perder os próximos capítulos.

-

GUIA do Escritor de FicçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora