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Enquanto tomava seu banho, secava-se demoradamente e retirava a maquiagem da noite anterior antes que fosse confundida com aquele personagem malvado de batom vermelho todo borrado dos filmes que o irmão gostava de ver, Anya ficou se perguntando se conseguiria falar sobre Diogo com as amigas.

Talvez fosse melhor deixar aquele assunto de lado e distraí-las, tagarelando sobre o aniversário ou Catrina, ou ainda sobre a sandália maravilhosa que não pudera comprar ou sobre o livro de receitas...

Não seria muito fácil desviar algo daquelas duas, claro, mas Anya não queria dar tanta atenção àquela história com Diogo.

Jogou o lencinho demaquilante no lixo e escorou as palmas das mãos sobre o balcão da pia do banheiro, fechando os olhos. Se fosse sincera consigo mesma, a verdade era que gostava do cara. Isso não significava que queria ter algo a longo prazo com ele, nem nada, mas que gostava dele.

Além do mais, estava um pouco difícil não se perder nas lembranças dos beijos, do sexo e das palavras trocadas nas últimas horas.

E na curiosidade que ainda sentia depois de ter espiado as coisas dele.

Balançando a cabeça, Anya apertou o cinto do roupão em sua cintura e seguiu para a cozinha, mais uma vez obrigando-se a deixar aqueles pensamentos de lado.

Quase obteve sucesso, considerou, pelo menos até ser recepcionada pelo aroma inconfundível de pão de queijo recém-saído do forno.

Eu mereço...

Sem dizer uma única palavra, dirigiu-se à cafeteira e se serviu de café enquanto Lauren terminava de preparar seu chá e Lex substituía pilhas de livros por louça e comida.

Quando as três se instalaram em volta da ilha que dividia a sala da cozinha, Lex a encarou e falou:

— Pode começar.

Enfim, chegara a hora. Para ganhar tempo, tomou um longo gole de café e focou no que falaria do aniversário... Até que seus olhos pousaram sobre os pães de queijo.

— O Diogo estava fazendo pães de queijo e omeletes para nós dois hoje.

Oh, merda.

— O cara de São Paulo? — surpreendeu-se Lauren.

— O cara que está vinte e quatro horas disponível para uma rapidinha? — quis saber Lex, sempre focada no que realmente importava.

Anya não podia acreditar. Ela mesma havia se apunhalado pelas costas.

Irritada, deu de ombros e agarrou um pão de queijo, dando-lhe uma mordida sem nem olhar para as amigas.

E praguejou quando se queimou.

— Mas... Ele a traiu, não foi? — questionou Lauren enquanto Anya abria a boca e sugava o ar para aliviar a língua. — Ele estava com outra no aniversário do seu irmão...

— O termo correto não é trair, Lauren — retrucou Lex. — A nossa querida amiga é que ainda não aprendeu o significado de "ame-os e deixe-os".

Anya teve de concordar com Lex. Se adotasse o método dela e saísse apenas uma vez com os homens que lhe interessassem, teria evitado muitas dores de cabeça na vida.

— Nós não tínhamos nenhum compromisso um com o outro, Lauren — explicou Anya por fim. — Além do mais, ele me disse que aquela loira com quem jantou era a irmã dele.

— E como o Daniel e eu nunca lhe ensinamos nada nessa vida, você acreditou. — Lex parecia desolada. — Onde foi que nós erramos?

— Eu não acreditei — negou Anya, ofendida. — Quero dizer, não sei se acredito, assim como não sei o que acontece com os meus neurônios quando estou perto dele.

[REPOSTAGEM] Amores, Amores, Compromissos à ParteLeia esta história GRATUITAMENTE!