Capítulo 12

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Tudo pareceu como da outra vez, o quarto branco, aquela luz insuportável me cegando. Dessa vez chequei se a parte que ainda se movia do meu corpo estava tendo movimento. Ufa! Estava! Não havia ninguém naquele quarto. Por quanto tempo eu estivera ali? Senti-me no primeiro episodio de The Walking Dead. A sensação devia ser parecida. Não havia ninguém lá.

- Hey? – eu disse e ninguém apareceu. – Só faltava ter zumbis lá fora. Eu sorri. Conseguiram me salvar e eu estava sem queimaduras, pelo menos na parte que eu sentia.

Puft! Ouvi um barulho estranho de algum corredor. Olhei para a porta. Senti alguém do meu lado de repente, olhei para o outro lado. Peguei um susto. Mamãe estava lá. Não! Eu não sou louco. Ela estava lá e veio se aproximando de mim fantasmagoricamente com os olhos arregalados. Sussurrou algo que eu não entendi. As cortinas da janela se moviam rápido, ficou tudo frio. Eu estava sem acreditar no que via.

- Ma - mãe? O que... ? ?

- Sky... Se afaste dela!

Eu entendi dessa vez. Ela veio se aproximando de mim. Me encolhi. Eu queria gritar. Ela estava estranha. Acho que ver zumbis seria mais animador. Então gritei. Alguém veio correndo do lado de fora. Era Celso.

- Senhor Fletcher! Graças a Deus esta bem! Como se sente?

Olhei para o lado outra vez, minha mãe havia evaporado. Celso percebeu e percorreu seu olhar para onde eu olhava.

- O que houve? Esta se sentindo bem?

- Sim. – respondi ofegante olhando para onde minha "mãe" estava.

- Deve estar exausto. A noite foi longa ontem, senhorita Sky esta a caminho.

- Que bom que conseguiram me salvar. – eu disse. – Obrigado Celso.

- Chamamos os bombeiros assim que vimos a fumaça de longe. Foi horrível. Mas eles chegaram rápido. Não teve nada de sequelas no senhor... Só arranhões e um hematoma na barriga. Bateram no senhor?

- Sim... Dois homens. Não reconheci nenhum. Falaram que queriam me matar.

As mãos de Celso foram à boca. – Minha nossa! O senhor precisa se mudar! Esses homens estão à solta por ai. A policia deve vir aqui mais tarde.

- Tudo bem. Já passou. – disse tentando alivia-lo, mas a verdade é que eu estava morto por dentro.

* * *

Passei dois dias no hospital, devido à queda, meu braço esquerdo infeccionou. Mais eu estava bem. Sky ia me ver sempre que saia do trabalho, ela parecia distante. Celso ficava todo o dia comigo. No começo eu tinha vergonha dele, é ele quem me troca, me leva ao banheiro. Na verdade tenho um cateter em mim, colocam uma sonda lá e é trocado quatro vezes ao dia. Sky quem troca. Já pedi para trocarem de fisioterapeuta. É eu já pedi. Ver a pessoa que gosto pegando na minha urina e me vendo nu desse jeito já é demais pra mim.

Eu tinha umas economias no banco. Eu queria morar sozinho. Ter minha vida. Eu tinha sonhos, eu estava quase me formando, eu sei que ia ser um bom médico. Pensar em tudo isso dói. Dói demais! Não queria essa vida. Olho para minhas pernas, e é como se elas não estivessem ali. Choro. Choro em silencio. Não demostro, e iria demonstrar para que? Ninguém pode me salvar. Nem mesmo Sky. Pensei no que minha mãe disse, achei tão estranho aquilo, com certeza eu devo estar louco. Quero morar só. Eu estou tão decidido.

Estava pensando nisso quando Sky entrou no quarto, ela sorriu. Eu estava chorando. Ela chegou perto de mim e me abraçou me envolveu em seus braços como se eu fosse um bebezinho.

- Xii... Está tudo bem querido. Está tudo bem. Estou aqui, vou cuidar de você.

Eu não conseguia dizer nada. Agarrei-me a tudo que tinha naquele momento, aos braços de Sky. Como se fosse uma despedida. Eu sabia que uma hora teria que ir para a realidade. Isso é um sonho, ela pode me dar tudo. Sky pode me dar o que eu quiser, e não é assim que tem que ser. Minha realidade é outra e tenho que me virar. Eu não tenho pai e nem mãe, nem um carro e agora até casa não tenho mais. Tenho umas fotos do meu pai e da minha mãe, uma cadeira de rodas surrada que conseguir por doação de um professor meu da faculdade que é médico (não aceitei de jeito nenhum uma nova da Sky). Sei que eu também tinha uma carreira promissora. Mais tudo com Sky era fácil demais, querendo ou não o fantasma da minha mãe fez eu pensar em certas coisas. Estava decidido.

Eu ainda chorava quando olhei para ela e disse que precisava ir.

- Sim, vamos para casa querido. Você teve auta.

- Não! Preciso de alguém para cuidar de mim em casa. Da pra alugar um apartamento com minhas economias venho juntando há tempos! Deve até dar pra comprar um apartamento!

Sky ouvia perplexa.

- Alexis... Você não pode meu amor, teria que ser uma casa adaptada para você .

- PARE DE DIZER QUE EU NÃO POSSO! EU POSSO! – Surtei.

Sky deu um pulo para trás. – Você não pode ficar sozinho! Não há ninguém para cuidar de você! Não pode pagar ainda! Deixe seu dinheiro guardado.

- Sky, eu preciso viver minha realidade. E você sabe disso! Não sou rico. Só estou tomando teu tempo!

- É claro que não Alexis! Claro que não! Amo você, sei que faria o mesmo por mim!

- Se me ama então me deixe ir... Seguir isso do jeito que tem que ser!

Ela respirou fundo e disse calmamente. – Já disse, você precisa de alguém para cuidar de você. Pagar fisioterapeuta essas coisas. Por enquanto só tem a mim...

A porta se abriu com um estrondo. Sky e eu olhávamos para a garota na porta. Ela olhava seriamente para mim, parecia estar emocionada.

- Agora você também tem a mim Alexis. – ela disse.

Eu olhei para Sky que também estava assustada.

- Quem é você? – perguntei.

- Sou sua irmã. E eu procurava por você faz tempo.

 E eu procurava por você faz tempo

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