Capítulo 10 - O fantasma de Adrianna

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No dia seguinte, à tarde, Estela e Fauna alcançaram uma vila. As muralhas cercavam todo o lugar e perto das nuvens via-se as torres do imponente castelo.

— Sugiro que passemos sem chamar atenção — disse Fauna que tinha a forma de um coelho.

Estela concordou e deu o passo para circundar os muros do vilarejo. O coelho seguiu na frente, ligeiro. No entanto, enquanto cruzavam por aquele solo árido, avistaram algo que os aterrorizou. O poste alto e um corpo em decomposição pendurado: um enforcado. Estela se encheu de tristeza, tratava-se de uma mulher, pôde perceber pela vestimenta maltrapilha.

— Pobre ser. Quem teria cometido aquela atrocidade? Não sabia que sem o devido enterro a pessoa não descansa?

— Seus irmãos, Estela! — disse Fauna.

O trote de cavalos tirou Estela da terrível visão. Guardas que faziam a ronda em seus cavalos avistaram o belo coelho ao lado da forasteira e tiveram a ideia de se distraírem com uma caçada. Estela ao perceber o intento dos cavaleiros, gritou para que desistissem da prática, tentando explicar que o bicho era especial, mas não lhe deram ouvidos. Fauna já havia disparado em fuga.

Ela correu para alcançar a amiga perseguida e teve tempo de observar um soldado armar o arco e disparar a seta. Fauna esquivou-se por pouco. O soldado sorriu, empolgado, puxando a rédea do seu animal para outra posição que lhe favorecesse nova investida. O coelho avançou para perto de Estela, o que fez com que os soldados se aproximassem da forasteira ofegante.

— Parem! — ela gritou.

— Ora e quem é você? Como se atreve a interromper nosso divertimento! — disse o soldado de cima do seu alazão.

Ele vestia farda negra, com detalhes em dourado. Botas, luvas douradas e na cabeça um quepe escuro com aba dourada. Na cintura vinha presa uma espada.

— Eu sou Estela! — ela agarrou o coelho.

— Não sabe que está nas terras do rei e que tudo o que se insere nelas é também de propriedade do soberano e nosso senhor Jorge III?

— O homem que matou a própria mãe enforcada! — disse uma mulher que inesperadamente se materializou ao lado de Estela.

Os dois soldados afastaram-se, apavorados. Montaram em seus animais e partiram para o portal da cidade.

Estela se voltou para a desconhecida que causara tanto espanto aos homens de Jorge III. Observou que ela tinha os olhos castanhos, grandes. Os cabelos rubros e curtos, puxados para trás por uma fita verde, deixavam à mostra sua sobrancelha levantada. Tinha o corpo forte, revestido por armadura prateada aberta no abdômen. Os braços metálicos seguravam uma espada e um escudo.

— Como é? — Estela quis saber.

A mulher apontou a arma para o corpo pendurado.

— Aquela é a rainha Adrianna, morta pelo próprio filho, por sua ambição ao trono.

— Que crueldade.

A estranha abaixou a cabeça e começou a rabiscar no chão árido com a ponta da espada uns desenhos. Ela começou a contar uma história.

Em tempos remotos, de paz, o rei Jorge e a rainha Ádria tiveram uma filha, cujo nome, em homenagem à mãe, teve de ser Adrianna. A princesa rubra, como ficou conhecida mais tarde, por conta dos seus cabelos de fogo, herdara a famosa beleza da mãe, mas também a habilidade guerreira do pai. Ao contragosto da família fora enviada à Ordem dos Virtuosos, famosa escola de cavaleiros para se formar uma amazona justa e defensora dos fracos.

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