FAROL SINISTRO

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Um segundo apenas a contemplar o mar é um universo infinito de beleza e poesia.

Antonio pensava sobre isso sentado entre as rochas do Farol observando o vasto mar. A noite estava chegando e as aves marinhas se retiravam para o interior da ilha, para o pouso do pernoite.

Milhares de aves desciam do céu grasnando e voando como flecha em direção as árvores da ilha.

O antigo Farol da ilha das Garças dominava a paisagem, mas ele não tinha olhos para o Farol, apenas para o vasto mar.

Ele podia ouvir o murmúrio dos piratas e dos amantes esquecidos, trazidos pelas ondas e pelo vento, murmúrios de um passado distante, perdido na areia do tempo.

A ilha das Garças é famosa pelas lendas de tesouros soterrados, pois suas rochas têm sinais estranhos que muitos caçadores de tesouros tentam decifrar. Sinais que dizem ser de piratas franceses e ingleses.

Ele ouvia murmúrios abafados que acharia ser loucura se não soubesse seu poder de sensibilidade, de ver o sobrenatural.

Como cabalista ele meditava no Devekut e podia ver o mundo além, coisas incríveis, mistérios da vida e da morte.

___ Antonio; Vem comer.

Chamou seu amigo na fogueira do acampamento perto do Farol. Eles tinham ido tarrafear tainha nas praias a norte da ilha. Cardumes de tainha chegavam todos os dias tão perto da costa que era possível os ver nadando quando a água do mar estava límpida.

Ele fez sinal para o amigo que já ia e continuou a beber a poesia do mar, do doce e profundo mar. Fez isso até que o veludo da noite banhava a ilha e as aves estavam mais calmas nos pousos, prontas para dormir.

Quando resolveu ir para o acampamento seus amigos já tinham ido pescar. Ele agora estava sozinho na ilha das Garças, a ilha que aperta o coração e a alma, a ilha sinistra, lendária, sufocante.

Sufocante quando a pessoa fica só em suas paragens, como seu um poder sobrenatural apertasse sua alma e seu coração.

Enquanto saboreava o peixe com café quente os ruídos da mata chegavam até ele. Eram sons estranhos, passos de animais, ruídos que eram ampliados naquela ilha sombria.

As lufadas de vento juntamente com o acorde das corujas criavam um melodrama infindável de suspense e terror.

O vazio estava instalado e ia aprofundando seu controle sobre o pescador solitário. O som do mar também lançava seu bailado sobre a noite aumentando a sinfonia do insólito.

Quando estava farto da tainha quente e gordurosa deitou-se na esteira se protegendo num plástico dos maruins, butucas e outros insetos que devoravam a pessoa viva.

Ele adormeceu e quando acordou ouviu vozes estranhas, um murmúrio feminino o prendia numa catalepsia tétrica. As vozes sinistras paralisavam todos os seus músculos. O medo desceu sobre ele com suas garras impiedosas. Quando escapou do transe perguntou ao Criador.

___ Hashem, o que está acontecendo?

Olhou em volta aterrorizado sentindo o lampejo do sobrenatural.

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