03 - A Máquina - Parte 4

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  Dentro da nave, as paredes são brancas e uma faixa vermelha no teto corre por todo o espaço. Pelo chão da ala em que as três das Sete entram, há domos de vidro quebrados. Plantas verdes, brancas, azuis, roxas, vermelhas, rosas-choque e até douradas caídas de dentro deles. Nas paredes dos dois lados, há interfaces redondas de vidro quebradas. Está escuro, com um frio estranho e há um denso silêncio. Mas, ao longe, Anne consegue ouvir um som de bipe como se fosse de alguma interface que ainda está funcionando. As três caminham com cuidado até o túnel perpendicular que se abre para a esquerda e a direita.
– Vocês conseguem ouvir? – Anne pergunta às outras duas.
– O que? – Olívia.
– Sim. Um pouco distante, mas, sim – Sonia.
– O que? – Olívia.
– Um som de bipe. Deve ser alguma dessas interfaces, só que ainda viva. Eu-eu sinto... Eu vou atrás dela – Anne.
Elas são interrompidos por um som de passos em um túnel paralelo atrás delas. Alguém acaba de chegar ali. Elas se viram aos poucos.
– Não se mexam! – Um sujeito de uniforme todo vermelho – como aquele verde do hospital – exclama com uma arma em forma de um disco luminoso na mão.
– Agora a gente entende o que esses soldados dizem. O app de tradução deve estar funcionando melhor – Olívia explica para si mesma. Anne ri de boca fechada.
– Quietas! Eu e meus amigos vamos cuidar de vocês. Desde que vocês não queiram ser nossas inimigas – o soldado.
– Eu vou, eu vou, eu vou... – Olívia sussurra para si mesma.
– Oi? Eu também tenho que ir, mas agora com esse brutamonte tá complicado – a hacker pontua em voz baixa.
– EU VOU! – Olívia dá um chute no militar. Ele voa longe e choca o corpo contra a parede de metal.
– Deu certo como eu esperava. Eu tenho PODER! Eu tenho poder MESMO! DEU CERTO! – Olívia se vira para as outras animada e ri confiante.
– Nem tanto – Sonia aponta com a cabeça a chegada de mais três soldados.
- Deus... Um, dois, três e já! – Olívia respira ofegante e olha para todos os lados à procura de uma saída.
– A gente combinou isso, menina? – Anne questiona.
– Não. Mas é melhor a gente fazer. A gente vai tentar achar a Dulan. Um, dois, três e vá! – Sonia convence Anne.
– Tá! – A finlandesa loira de chanel repicado sai correndo em busca da sala de onde vem o bipe.
Sonia e Olívia ficam para enfrentar e despistar os soldados.
– Talvez eu também tenha algum... Poder especial, né? – Sonia diz ao pegar um pedaço de metal no chão para se defender.
– Acho que todas temos – Olívia aconselha antes de pular em cima de um soldado contra quem passa a lutar.
Sonia não consegue abatê-los. Pelo contrário, ela é arrastada por outros dois soldados para dentro de uma sala menor. Eles trancam a porta. Lá dentro, Sonia resiste ao se mexer com todas as forças, na tentativa de mordê-los e se rebater
– Nós só vamos te conter! Calma! – avisa um dos soldados de roupa vermelha que cobre o corpo todo.
– NÃO! – Sonia enfrenta mesmo que segurada pelos dois. Lá fora daquela pequena sala, Olívia vai ao chão ao deixar mais um soldado, que enfrentava, caído e desacordado. Ela se levanta, joga os cabelos para trás com a cabeça e ouve ecoar um rugido visceral somado a gritos de pânico.
– Sonia... – Olívia sofre em um sussurro e procura, com os olhos e os ouvidos, de onde pode estar vindo o som.

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SETE - Volume I [COMPLETO]Where stories live. Discover now