03 - A Máquina - Parte 1

847 79 4

Anne se volta para trás com os olhos não mais brancos. O seu corpo ainda treme de forma leve e, em voz trêmula, ela clama:

– Dulan está ali! Dulan está ali! Ela precisa de ajuda. Ela está machucada e pede a nossa ajuda! Temos que entrar na nave! Temos que entrar! – Anne se direciona até as outras com as pernas fracas e, antes de chegar nelas, ela desfalece no chão de areia escaldante. Martha e Olívia ajudam-na se levantar e pedem para que ela se acalme. A hacker ofega e reprime um choro enquanto é levada para longe do grande veículo. Num ímpeto, ela se desfaz dos braços das outras duas que a amparavam, sai correndo e toca a nave escarlate novamente. Martha e Olívia vão atrás dela com passos cansados. Das outras que observam, umas têm o grito engasgado pelo espanto; outras meneiam. Sonia é a única que não expressa emoção alguma, a não ser algo bem lá no fundo, escondido no olhar. É uma mulher não fácil de se decifrar.
– Anne, volte! – Alice chama, mas com o medo estranho de manifestar algum superpoder que envolva luzes e convencimento de outras pessoas, outra vez.
– Está tudo bem! – Anne tranquiliza as outras e a si mesma conforme espera alguma coisa acontecer. Sei lá. Ela sente algo bem no fundo: algo vai, sim, acontecer. O som pesado de metal sendo erguido ao se abrir é o que acontece. Aquele som é mágico e ecoa por todo o vasto deserto.
– Que burrice... Se eu pudesse, eu não estaria com vocês – Ruth reclama e dá alguns passos para trás. – Mas já que não tem para onde ir mesmo...
Ela fica parada, assistindo, um pouco distante das outras. Todas as outras olham para ela, que dá dê ombros.
– Pelo menos aqui, de um pouco mais longe, eu posso ter mais chance de sair viva, caso algum treco aconteça, ao mexerem com essa porcaria de nave – A mulher de Boston acrescenta.
– Faça o que quiser – Olívia retruca esgotada.
– RÁ! Você não manda em ninguém, sua ruiva metida! – Ruth dá passos para frente.
– Ah é? Então veja eu te mandando calar a boca – Olívia solta nervosa essa declaração enquanto vai alguns centímetros em direção à outra, que está sempre xingando ou usando as suas palavras de forma não pacífica ou agradável. Martha vai atrás e acalma a professora de cabelo laranja cor-de-fogo ao colocar a mão em seu ombro direito e lhe iluminar com um sorriso recatado. A professora ruiva de Chicago respira fundo, joga os cabelos para trás diz, engrandecendo-se:
– Você não vale a pena. Olívia e Ruth: as duas americanas se encaram. É exatamente isto que se passa pela mente da silenciosa Sonia: "Que americana, esta briga de egos!".
– Eu, eu... – Anne corre para o outro lado da nave. Diante da larga abertura, ela anda para lá e para cá, indecisa quanto ao que fazer. Entro ou não entro? As outras mulheres a seguem, e Olívia chega até ela e a questiona:
– O que está acontecendo? – Ela repara no olhar perdido da finlandesa de cabelo loiro descabelado, e percebe o que ela deve reformular a sua pergunta. Ela pigarreia e é interrompida por outra que indaga:
– O que você está... Vendo? – Martha acena com cabeça, ao trocar um olhar com Olívia, que aprova a pergunta inteligente da jornalista.
– Eu não... Olívia, eu não sei... – Anne confessa, enquanto perambula de cabeça baixa e chuta a areia, mergulhada em pensamentos confusos.
– Anne, respira. O que tá acontecendo? – A jovem sul-africana, que tenta se manter jornalista no mundo apesar de todo o machismo, aproxima-se e pergunta ao acariciar o ombro da hacker. Essa respira fundo e tenta se expressar, um tanto engasgada:
– Eu... Eu sinto uma conexão muito forte com... – Ela foca o seu olhar fugitivo, por alguns segundos, na enorme espaçonave cor-de-sangue. A garota finlandesa a contempla perdida em êxtase. Então, ela se volta para Martha, e diz:

– Eu me sinto conectada à nave.

***

Já curtiu a página do livro? Curta e me siga, por favor! :) FIQUE POR DENTRO DE TUDO SOBRE A SÉRIE DE LIVROS!
FACEBOOK: Sete - A Série
INSTAGRAM: @ikkaiam

SETE - Volume I [COMPLETO]Leia esta história GRATUITAMENTE!