Capítulo 20

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— Todos querem ser felizes, na verdade todos anseiam pela felicidade. Não é o que acontece muito no dia-á-dia de muitas pessoas, trabalho, amigos, amor e vários outros tipos de exemplos - a mulher mostrava tranquilidade ao falar.

— Mas eu não consigo, não é como se eu não tentasse - ele reforça, enquanto aperta a mão na minha mais uma vez.

O escritório da psicóloga era maior que minha casa, cheio de quadros com paisagens e uma estante enorme com livros enfileirados. Ela parece obcecada por organização, o chão estava muito brilhando enquanto a lâmpada mostrava alguns insetos mortos.

Ela ainda anotava algo no seu caderno sob á mesa de vidro, que mostravam suas pernas o qual Matthew nem havia percebido.

— Presumo que você não me contou tudo hoje senhor McVay, mas por outro lado tivemos um grande avanço - ela diz parecendo um pouco orgulhosa.

— Até semana que vem - Matt se despede e põe-se em pé para que eu também possa ir.

— Até semana que vem senhorita Miranda, boa semana! - digo enquanto saímos, vejo um sorriso sarcástico nos lábios de Matt.

— Por que está rindo? - indago.

— Porque você é muito boazinha, nem vê o quanto ela lhe menosprezou. Aliás não vou voltar mais mesmo.

Tudo bem admito tal parte, eu havia feito duas perguntas e ela nem ao menos tinha me olhado.

— Então aonde vamos agora?

— Vamos fazer uma comprinhas - ele sorri.

***

— Á vista ou cartão? - a mulher com voz rouca pergunta, Matthew retira de sua carteira, um cartão dourado.

— Cartão - ele diz enquanto entrega pra mim, mas o que eu ia fazer com aquele cartão?

Enquanto levo algumas sacolas ao carro, Matthew fica de papo com a mulher, ela se ajeita na cadeira para ficar mais a 'vontade'. Não que seja ciúme, mas..

— Amor, podemos ir agora? - digo enquanto ela me fuzila com os olhos, mal sabe ela que eu sou dura na queda.

— Vamos sim benzinho - ele sorri e pega o restante das sacolas, consigo sentir seu olhar em nós enquanto eu o abraço até fora da loja.

— Benzinho? - pergunto rindo, quem que em pleno século vinte e um, chama alguém de benzinho?

— Você queria o que? Me pegou tanto de surpresa quanto a mulher - ele ri.

— Você até emagreceu de tanto que ela te comeu com os olhos.

— Você até que tá gordinha, será que é o ciúme te preenchendo?

— Ciúme? Eu.. óbvio que não, não de você - quase engasgo, mas consigo disfarçar.

Quando chegamos em casa mamãe preparava um pastel de carne, enquanto eu tomava banho eles viram o que Matt havia comprado para elas. Da onde vem tanta solidariedade de um cara? Acho que ele já está exagerando um pouco, com roupa, brinquedo, tratamento, cachorrinho e passeios. Não que eu ache ruim mas é muito para nós. Que até pouco dias éramos estranho e nem nos conhecíamos. Ele havia dito que teria muito dinheiro e que no fim não iria fazer falta, mas eu duvidava que era só isso. Talvez ele sabia como era perder alguém, ou como era não ter condições para mantém uma vida saudável.

Era inevitável ficar alegre, mas eu deveria botar um basta nisso.

— Matthew, precisamos conversar..- chamo ele.

— O que eu fiz? - ele pergunta, enquanto caminhamos para fora da casa. — Não vai dizer que vai ter uma crise de ciúme novamente?

Seguro minha risada, para manter a postura. — Por que estas fazendo tudo isso por nós?

— O que? Não entendi?

— Tudo isso, você está gastando muito dinheiro com nós, eu não posso lhe pagar de volta então sugiro que pare - seu olhar brincalhão vai embora, enquanto a conversa parece tomar o rumo certo.

— Achei que ficaria feliz!

— Estou feliz, na verdade todas nós estamos, mas eu não quero que continue com isso - percebo que ele está triste, talvez ele pense que eu estou o rejeitando mas não é isso.

— Tudo bem, eu vou parar - um sorriso sem graça, toma seus lábios.

Ele ficou triste? Eu não devia deixá-lo triste. Diminuo a distância entre nossos peitos e o abraço, trazendo a sensação de conforto novamente. Era como se eu me sentisse em casa, algo inexplicável para ser tão sincera.

— Não me deixa sozinho pequena - ele sussurra contra minha cabeça, enquanto me estico para selar nossos lábios mais uma vez.

Querida BabáOnde as histórias ganham vida. Descobre agora