Capítulo 18: Lutar ou correr

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Com garras afiadas e dentes ferozes, Alopex correu sobre as quatro patas; de suas costas, os quatro tentáculos munidos de duas lâminas e duas pistolas bailaram em volta da selvagem, para cima de Darwin. A Tharina expandiu seu Campus, seu braço brilhou mais forte e um portal surgiu no caminho de Alopex, engolindo-a no mesmo instante.

Quase cinco metros atrás de onde ela foi tragada, um novo portal apareceu e a Ánima saltou de dentro. Confusa, ela correu novamente na direção de Darwin, porém um novo portal brotou em seu caminho e a jogou mais para trás.

E de novo, e de novo. Darwin estava se divertindo.

Alopex notou o que estava acontecendo e se moveu em ziguezague, a fim de driblar a tática. Darwin desapareceu de repente, engolida por um portal, e reapareceu atrás da adversária. Alopex esquivou-se para o lado e um de seus tentáculos com lâmina de metal investiu contra Darwin. A Tharina girou como uma bailarina e puxou uma adaga de um dos bolsos.

Alopex saltou na direção da Tharina, que brandiu a adaga para se defender, lâmina contra lâmina. Darwin deu um sorriso desdenhoso que fez Alopex silvar.

Elas saltaram cada uma para um lado, e Alopex brandiu seu tentáculo com toda sua força; as lâminas faiscaram enquanto batiam uma, duas, três vezes, cada ruído mais alto que o anterior.

— Alopex mata bruxa branca e mata todos Âmbar!! – a Ánima berrou, salivando a cada golpe, mas nem sua fúria era suficiente. Ela caminhou de fasto, lutando contra a força descomunal da adversária, que parecia estar apenas brincando, movendo a adaga com desenvoltura.

Os braços de Darwin brilharam, e um novo portal engoliu o braço de Alopex. Este reapareceu sobre a palma da mão da Tharina. Com olhos sádicos, Darwin cravou a adaga contra a pata de Alopex.

Um grunhido de dor ecoou pelo salão.

O braço de Alopex voltou para seu ombro e a Tharina aproveitou sua condição de guarda baixa, pronta para desferir um golpe final. Érico se moveu na frente desajeitadamente, armado com a Dupla Vorpal, a fim de impedir sua investida.

— Para, Darwin – gritou ele, apontando a lâmina da espada para o rosto da moça, ainda que mal soubesse segurar a arma.

Darwin não se deteve nem por um milissegundo; desapareceu, engolida por um novo portal, e reapareceu atrás de Alopex. Pequenos portais separaram a cabeça, os braços e as pernas do resto do corpo da Ánima, distanciando-os.

Érico olhou para cada membro separado de Alopex, tomado por um arrepio semelhante a uma agulha deslizando por suas costas.

— Não, Darwin – berrou ele.

Darwin deu um pequeno sorriso no canto de sua boca e juntou as mãos com uma palma forte. Os membros de Alopex se juntaram com uma pancada violenta, provocando o ruído de torções múltiplas, como se tivesse sido desmontada e remontada magicamente.

O impacto fez a Ánima desmaiar, com sangue jorrando de seus lábios.

— Só isso, queridinha? Eu esperava mais de tanta fúria – Darwin espalmou as mãos como se limpasse uma sujeira e gargalhou. — Não se preocupe, não matei seu bichinho de estimação, meu bem.

Érico ajoelhou-se sobre Alopex e analisou os ferimentos. Ainda que ela tivesse sido separada em várias partes, não havia cortes. O poder da Tharina era fascinante e assustador ao mesmo tempo.

— Agora, que tal a gente voltar pro nosso primeiro assunto? – ela perguntou, voltando-se a Papiros. — Alguém aqui sabe sobre a bendita Bússola Universal? Podem colaborar e me entregar de uma vez?

Érico olhou para Papiros, que colocou os três dedos sob o queixo e espremeu os olhos já puxados. Depois, ele fitou a claridade vinda da porta.

Estava longe. Se ao menos ele pudesse voar na direção dela.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora