BÔNUS- SUSAN                     
      (LEITURA EM 3ª PESSOA)

Susan coça seu braço freneticamente, como se sua pele quisesse se desgrudar de seus ossos. Na verdade, não há coceira nenhuma ali, mas Susan acredita que sim. Ela coça tanto que a área sangra e começa a entrar em carne viva.

Vocês devem estar se perguntando onde Susan tem ficado durante todo esse tempo, afinal, a polícia procura por ela há semanas já e nada. Bom, há uma frase antiga que diz assim: "Quantos mais procuramos, menos encontramos". E acho que ela se encaixa perfeitamente nessa situação. Por quê? Porque Susan está há poucos metros de Luna.

Cento e cinquenta metros, para ser mais exata. Como? Bom, quando toda essa obsessão doentia começou, Susan sabia exatamente onde Noah morava aqui no Brasil. É claro que ela sabia, afinal sabe muito mais que isso, mas não vamos perder o foco... Susan precisava de um local perto, muito perto. Dias antes de fazer seu primeiro contato com Luna, Susan encontrou um apartamento ridiculamente pequeno e asqueroso. Se é que podia chamar aquilo de apartamento...

Haviam mais ratos e baratas ali do que qualquer outra coisa. As paredes eram verdes naturalmente, devido ao mofo alastrado. O cheiro era uma mistura de coisa queimada com um corpo em decomposição. O proprietário da espelunca até se assustou quando alguém entrou em contato com ele. Quem em sã consciência teria interresse naquele pedaço de inferno? O pobre coitado recebeu o imóvel anos atrás, devido uma herança deixada por sua bisavó. O que ele mais queria era se livrar logo daquela porcaria e seguir sua vida.

O que ele não sabia, é que Susan não se importava nem um pouco com a situação deplorável do local.
O que ela queria, estava há cento e cinquenta metros dali. Da janela, conseguia ver perfeitamente o prédio luxuoso de Noah. Achar seu andar também não era difícil. Se tem uma coisa que Noah não é, é pobre. Sendo o empresário, executivo e tendo a conta bancária que tem, Noah só poderia morar na cobertura. Ela poderia apostar um braço nisso.

O problema é que para alugar o local, Susan precisaria de documentos e várias outras coisas necessárias. Diogo -o proprietário da espelunca- deu a ela 24 horas para conseguir tudo. Obviamente o tempo passou e Susan não tinha nada. Além da roupa do corpo, a garota só possuía um revólver. Nada mais. Mas Susan precisava daquele apartamento. Ela precisava ficar perto de Noah.

Ela sentia falta do rapaz, como nada mais em sua miserável vida.
Então, quando seu prazo chegou ao fim e Diogo a procurou, Susan o golpeou fortemente nas costas. O homem caiu no chão, gemendo de dor. Susan aproveitou a rua vazia e escura e o golpeou novamente, só que dessa vez na cabeça. O ato foi fatal, Diogo estava morto. Ela observou satisfeita, enquanto a vida do homem chegava ao fim.

Susan olhou para os lados, para ver se vinha alguém. Nada. Ela puxou o rapaz pelas pernas, com bastante dificuldade, mas chegou ao seu destino desejado: uma rua qualquer sem saída. Sem dó nem piedade, ela deixou seu corpo ali, jogando apenas alguns pedaços de papelão por cima. Antes disso, pegou a chave do apartamento, que estava no bolso da calça dele e se livrou dos documentos de Diogo.

Caso a polícia o achasse, teria a difícil tarefa de identificar o morto. Não se assuste nem se engane, Susan pode ser louca, mas também é inteligente.

Atingir Luna se tornou seu passa tempo favorito. Tudo por que a loira está com Noah, o amor da vida de Susan. Ela ainda não superou o fato de ele ter permitido sua primeira internação. Ele era seu namorado, poderia ter feito algo para impedir. Pelo menos é assim que Susan pensa...

Sua paixão por Noah passava do ponto doentio. Quando eles ainda estavam juntos na faculdade de Londres, ela esperava o garoto dormir e tirava dezenas de fotos com seu celular. Sempre na manhã seguinte, Susan revelava as imagens e as colava numa parede de seu dormitório da universidade.

A Paixão Acontece - Trilogia SchneiderLeia esta história GRATUITAMENTE!