›» Capítulo 17 «‹

Start from the beginning
                                          

Não consigo identificar de imediato de quem é aquela voz por causa dos soluços, mas a conversa entrega tudo. É a Bailey. Com quem? Eu realmente não sei. David? Pode ser. O certo seria sair dali, mas não tenho forças para tal. Sou curioso, poxa!

— Eu não sei de mais nada! Está ficando cada vez mais insuportável ficar em casa. No começo eu até entendia os meus pais e tentei manter um namoro com o Benjamin, mas não deu mais... Além de conhecer o David, eu me conheci — Bailey diz seguida de mais soluços. — Eu só não sei porque meus pais não aceitam ele! Eu não sei o que fazer, Andrea, me ajuda. Eu tentei fazer de tudo. Disse aos meus pais que estava namorando o Benjamin porque eles queriam; tentei te atingir para ficar longe dele, quando na verdade você é uma menina maravilhosa; tentei me afastar do David, e isso foi o pior de tudo. Eu não quis fazer nada disso, mas fiz. E você sabe por quê? Para ver se ganhava um pouco de reconhecimento paterno e materno!

— Bailey, você precisa se acalmar — Andrea diz com a voz mais serena. Mas o que eu estou perdendo? Sinceramente, eu não estou entendendo mais nada! Por que diabos a Bailey iria pedir ajuda da Andrea?

— Não tenho como me acalmar! — Bailey grita e logo em seguida um silêncio se instala. Não por muito tempo. — Olha isso, a última pessoa que eu pensei está me ajudando numa situações dessas. Até a Lea não quis mais saber! O David está mais assustado do que um gato quando vê pepino, o Ben só está boiando na maionese, a Lea está fazendo planos tolos. Se cuida, ela vai te atacar.

— Relaxa.

— Queria ser relaxada como você, Andrea. O que tem no ar do Havaí? Calmante? Eu preciso ir para lá, fazer mágica, eu não sei! Preciso tirar essa criatura de dentro de mim também. Não, não, não! É claro que eu não posso fazer isso. Onde eu estou com a minha cabeça?

As pessoas são estranhas, e eu posso afirmar que eu me encaixo nesse grupo. Tanta gente fala e demonstra ser o que não é, já outras simplesmente são. Acho que isso se chama medo. É um negócio confuso, mas acontece sempre. Uns tentam ser fortes com um bom argumento pretendendo ser persuasivos enquanto não são nada disso, e outras já ficam na sua e são tudo isso. Quando vemos alguém quebrando a cara, o instinto é rir da situação pois não é com você, mas e se fosse? Rimos porque a pessoa deixou de ser aquilo que sempre demonstrou, mas nem tentamos saber o motivo. Se fez algo bom ou ruim, não importa, o peso vem como um tapa na cara para deixar claro que algo está errado. Sei disso tudo porque já passei por essas sequências.

Comecei do zero duas vezes, sendo que uma delas o tapa foi mais doído. A outra estou vivendo agora. É um exemplo clássico e bem clichê que vemos em qualquer lugar, mas é aquele ditado que o clichê é o melhor. Ou o pior. Como se fizesse alguma diferença! É natural cairmos de cara no chão, ficarmos sem direção e com o coração seco e duro. Às vezes pensamos também que o cérebro não está dentro de nossa cabeça, pois a racionalidade foge dos nossos pensamentos em certas ocasiões. O mais provável desse drama todo é que quem muito fala, mais vai se ferrar. É possível alguém ser tudo isso? Não sei, mas agora está sendo. A Bailey é, e o pior, eu nem percebo o quão longe da realidade estou quando tudo fica em um completo silêncio e a maçaneta faz um movimento calmo, demonstrando que alguém vai abrir a porta.

Eu só quero sumir. Mas isso não acontece.

Bailey se apoia na porta quando me vê, arfando pesadamente enquanto seus olhos vermelhos ficam inexpressivos. Ela concentra sua visão entre mim e Andrea, e isso é uma coisa negativa. Bailey bufa e se recompõe, me empurrando para longe. Diferente do meu pai, eu não sou médico, mas percebo que ela não está nada bem. Seu rosto branco e seus lábios roxos fazem um contraste grande como se fosse vomitar a qualquer momento. Tudo o que eu consigo é ficar parado enquanto a cabeleira morena corre diretamente em direção ao banheiro.

Além do MarWhere stories live. Discover now