Capítulo 26.1

Começar do início

A curiosidade apenas aumentava, por isso, ela puxou a estante para si, percebendo que o estranho móvel giraria em torno do próprio eixo, para então revelar o que havia do outro lado. Assim, os livros desapareceram por trás da parede, para dar lugar ao que pareciam ser outras filas de prateleiras, mas estavam cobertas por um tecido longo e espesso de cor marrom. Qualquer um, ao olhar para aquela arrumação, podia imaginar que o pano cobria a estante que sempre esteve naquele lugar, como se estivesse protegendo as centenas de livros que Vince mantinha ali.

Donna puxou de uma única vez aquela cortina, deixando-a cair no chão, no entanto, ela mesma acabou cambaleando para trás, quase caindo pelo susto ao ver o conteúdo daquelas prateleiras.

Haviam ali, nas seis prateleiras mais baixas, postos lado a lado, quatro frascos de vidro, exceto em uma, onde constavam apenas três frascos, mas em todos se viam fetos emersos em um líquido que claramente era formol. Donna instintivamente contou quantos tinham ali, chegando a marca de vinte e três.

Muitos pensamentos lhe passavam pela cabeça, entre os quais, que aquilo tudo tinha a ver com o trabalho que seu marido fazia no hospital, mas não, não tinha como ser. Em anos juntos, ele nunca trabalhou com nada que envolvesse pesquisas ou testes em fetos e se o fizesse, aquele material não estaria ali, mas no laboratório. Donna engoliu em seco ao constatar a impossibilidade desse pensamento, mas todos os demais não eram bons, eram terríveis. Ainda assim, ela precisava saber, não tinha como ignorar aquilo.

Donna se aproximou da estante e apanhou um frasco, estava nervosa, mas fez. Ao pegá-lo, percebeu que no fundo dele havia uma etiqueta, virou-o de cabeça para baixo para ler, fazendo com que o feto parecesse dançar em meio ao formol.

Havia um nome ali e ela o reconheceu de imediato, segundo a etiqueta, aquele feto pertencia a Loretta Romero, lembrou que esse era o nome da esposa de um assaltante, ambos foram bastante noticiados na TV. Donna sentiu um mal-estar percorrer seu corpo, o estômago girou. Aquela mulher foi vítima de um assassino, um serial killer conhecido por Ceifador de Anjos, essa lembrança a fez estremecer.

Teve dúvidas sobre o que fazer, mas devolveu o frasco no lugar. Os outros frascos deviam estar etiquetados também, precisava saber os nomes que estavam neles. Os dois frascos seguintes que ela apanhou, tinham nomes que ela desconhecia, pareciam ser africanos, o próximo, no entanto, foi como uma apunhalada em sua barriga, "Stephanie Evans Anderson", sua aluna. O desespero deu espaço para a culpa, Donna se sentiu culpada por sua morte... O terror tomou posse da professora, aquilo não podia ser possível, mas não existia nenhum tipo de explicação. Era inconcebível, mas era verdade, Vincent era o tão procurado Ceifador de Anjos, ele matou aquelas mulheres, matou Stephanie e talvez tivesse matado Adelle também. Não havia nenhum frasco com dois fetos, talvez tivesse colocado eles em frascos separados.

Seu corpo se arrepiou a esses pensamentos, o misto de dor e desespero, gerado pela descoberta terrível que acabara de fazer, o que a fez perder o controle naquele momento. Em um gesto de fúria e insanidade, arremessou o frasco com o feto de Stephanie contra a parede, transformando-o em cacos, enquanto o formol escorria e o feto se deformava com a pancada sofrida. Donna se precipitou furiosa para a estante, onde apanhou outro frasco, um a um, procurando por um nome específico, ao mesmo tempo em que reconhecia alguns deles, como os de "Barbara Tompson", dos noticiários da TV, tinha sofrido acidente de carro. "Christine Vonda Carter", a garota assassinada na floresta. "Guadalupe Rodriguez", a empregada dos vizinhos que todos pensaram terem ido para o México. "Charlotte Jhonson", a turista inglesa. "Tasha Hanson", membro de sua igreja que todos pensavam ter se afastado fazia anos. "Jessica Allen", a moradora de rua. "Jackeline Sanders Wood", uma prostituta. Alguns desses nomes foram noticiados ao longo dos últimos anos, ela lembrava deles, outros, no entanto, eram de vítimas cujos corpos não tinham sido encontrados, provavelmente de pessoas consideradas desaparecidas, enquanto nove deles, com certeza eram africanos. A cada nome que reconhecia, o desespero e a dor aumentava.

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!