Capítulo 26.1

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Depois das aulas, Donna pegou um táxi e foi para a casa. O marido havia avisado que ficaria até mais tarde no hospital, pois tinham muito trabalho para fazer.

Ela chegou faminta, então esquentou as sobras que encontrou na geladeira e comeu apressada, pois queria correr para o quarto da sua filha, o lugar se tornou o seu ambiente preferido da casa desde que foi feita a decoração, absolutamente tudo se mesclava nas cores rosa e marrom.

Donna se sentou na poltrona que usaria quando fosse amamentar. Ficou ali bastante tempo apreciando o cantinho preparado com muito carinho para a sua bebê, para a qual ainda não tinham escolhido um nome.

O casal teve muitas ideias, que acabaram rejeitadas pelo outro, assim, não chegaram a nenhuma conclusão. Donna queria que o nome fosse especial, que tivesse um significado para o casal, chegou a pensar em Adelle, mas não conseguiria pronunciar esse nome sem sentir uma dor profunda, então descartou.

Donna pensava em muitos nomes, descartando-os logo em seguida. Por um instante, pensou no que sua mãe iria sugerir, ou quem sabe a sua sogra. Que nome será que elas dariam para a neta? Nesse momento, a professora teve um estalo, havia um nome lindo e com certeza era especial para seu marido e com certeza sua sogra ficaria muito feliz pela lembrança.

Katherine, esse era o nome da irmãzinha de Vince, a filha de Jenna Hughes que morreu quando ainda era um anjinho. Donna lembrou que Jenna tinha certeza que Vince nem sequer lembrava do que aconteceu, pois era muito pequeno também, por isso ele nunca tocava no assunto.

Donna sabia o quanto Vince foi apegado à sua mãe, então teve certeza que dar o nome Katherine para sua filha, iria deixá-lo emocionado e feliz. Estava decidido, assim que o marido chegasse, daria aquela sugestão, que certamente ele iria aprovar.

Pensar em Jenna a fez lembrar de muitas das conversas que teve com ela, em uma delas, sua sogra contou que havia guardado todos os pertences de Katherine, para que ela pudesse matar um pouco da saudade de seu anjinho, mas nunca chegou a lhe mostrar. Donna queria ver, sabia que Vincent não jogou fora as coisas da sua mãe, que estavam todas muito bem guardadas em caixas no porão.

Daria bastante trabalho para encontrar, mas a curiosidade era tanta, que ela não podia esperar.

Saiu do quartinho rosa e foi em direção à escada, desceu, passou pela sala e seguiu para os fundos, indo em direção ao porão.

Ao abrir a porta, tateou a parede em busca do interruptor de luz, para poder clarear aquela escuridão. Desceu devagar e com muito cuidado para não cair.

Dava para contar nos dedos quantas vezes Donna se deu ao trabalho de descer até ali, pois sempre que precisava de algo que estivesse nesse espaço, Vincent ia buscar, o que era ótimo, afinal, porões estavam longe de ser seu lugar preferido para ficar. Até mesmo a limpeza o marido fazia, dizia que era pelo fato de ter no lugar alguns produtos químicos, que poderiam desencadear algum acidente se não se tomasse o devido cuidado.

Donna notou como era espaçoso ali, além de ter muitas caixas também, o que atraiu o seu olhar instantaneamente. Percebeu que encontrar os pertences da irmãzinha de Vince seria mais difícil do que ela imaginou, mas precisava começar por algum lugar. Ao desviar o olhar dos caixas se deparou com uma escrivaninha que estava um pouco à frente de uma estante lotada de livros, mas ela parecia estar torta, sem pensar, foi até lá conferir.

Donna deu a volta na escrivaninha, empurrou a cadeira para que pudesse se aproximar da estante e a tocou. Constatou que a estante não estava torta, mas que havia ali uma fresta, como se o móvel fosse uma porta naquela parede, estando entreaberta.

Curiosa, ela pôs uma das mãos na abertura, tentando apoiá-la no que seria as costas da estante, se surpreendeu ao sentir que havia um tecido grosso ali, cobrindo o que parecia ser uma prateleira.

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!