02 - Os Olhos Brancos - Parte 1

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Os pés descalços socam a areia. As sete estão correndo e o suor aflito escorre pelas testas. O som de motor fica cada vez mais alto. A nave escarlate está bem no pescoço delas.
- Eu não quero morrer - Micaela confessa numa voz baixa e chorosa.
- Você não... Não vai morrer - Alice tenta encorajá-la, mesmo que seja com uma fala quebrada por um fôlego ofegante. Ela também não para de pensar no que acabou de acontecer ou, melhor, no que talvez ela acabou de fazer. Alice se lembra da iluminação avermelhada que emanou de dentro de si. O que será que foi aquilo? Vai acontecer de novo? Como faço para controlar?
- A droga de coisa alien parece ser verdade mesmo. E outra: nem sabemos para onde estamos correndo - Ruth, a mais velha delas, comenta ao correr em boa forma, aos seus cinquenta e cinco anos de idade.
- Droga? Isso aqui tá da hora, minha filha! Fugir para sei-lá-onde é tão cool que chega a ser hipster - Anne, como sempre usa o seu humor, faz essa piadinhas. Ela dá uma risadinha cansada mas, empolgada. Então, é quando ela olha para trás, para a nave, que está cada vez mais perto. O seu coração dispara. Os seus olhos se embranquecem totalmente. Ela para de correr de repente.
- Menina! Vamos! - Alice clama por ela mas, acaba, também, dando um tempo na corrida para averiguar a finlandesa. Anne não se mexe mesmo com as perguntas de "está tudo bem?" de Olívia, as mãos preocupadas de Martha e Alice que lhe tocam os ombros a chamar por ela apesar de não saberem o seu nome. Micaela e Sonia param de correr por consequência.
- Ai, o que foi agora? - Ruth se indigna e é a última a cessar os seus passos e se juntar às outras. Reunidas, elas ficam em silêncio em volta de Anne e a examinam com o olhar por alguns segundos. Elas são tiradas desse torpor assombrado por outro fato novo e inusitado.
- Olhem: a nave parou de nos perseguir! - Alice se anima ao apontar.
- Ou estão esperando um pouco para acabar com a gente - Sonia diz dura e incisiva. Micaela contrai os ombros de medo.
- Meu Deus... E esses olhos? - ela se perturba ao analisar, com mais atenção, as pupilas vazias da hacker.
- O que foi? Ai, meu Deus! - Olívia exclama ao ver que a nave paralisada no ar começa a se estremecer toda. Martha, a garota de Joanesburgo, que foi demitida por ser "muito mulherzinha" para aquele trabalho de jornalista, puxa Anne para arrastá-la à força para mais longe daquele veículo voador. O grupo se afasta mais um tanto, por poucos minutos, quando...

A NAVE DESABA NA AREIA. Isso levanta uma onda, da qual as sete tentam se proteger, disparando ao horizonte na mais alta velocidade que conseguem alcançar. Mais distantes e livres de serem soterradas, elas reparam que os olhos de Anne continuam brancos. Examinam e se questionam a respeito. Sentem-se como num jogo sem instruções e no qual o prêmio é sobreviver.

- Não, não, não! - Martha clama em sussurros, quando a antes fugitiva finlandesa se enfraquece e desmaia em seus braços. O resto das mulheres se aproximam juntas. O grupo fica ao redor de Anne e quer entender o que acabou de acontecer e o que devem fazer. É nesse momento que a desacordada, a qual, Martha ampara em seus braços, começa a convulsionar e a repetir:
- 8637makamakaLAÍRA...

Segurando-a em seus braços, Martha a observa e sofre compassiva.

***

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SETE - Volume I [COMPLETO]Where stories live. Discover now