Capitulo 27

1K 146 80

Já era noite quando Donna despertou, esteve a maior parte do tempo sedada, pois os medicamentos usados para acalmá-la antes do parto, ainda estavam em seu organismo. Levou alguns segundos para perceber que estava no hospital, embora os pensamentos ainda estivessem bem confusos, lembrou do que viu no porão, o que lhe causou uma dor profunda emocionalmente.

A terrível lembrança a fez pôr as mãos na barriga, lembrou das dores agudas que sentiu ao sair de sua casa, entendendo que entrou em trabalho de parto. Sua filha já tinha nascido, mas não estava ali, onde estava? Pensou no marido, ele podia estar com ela. Esse pensamento a desesperou. Tentou levantar, nem sequer conseguiu sentar, pois não sentia suas pernas, provavelmente porque ainda estava sob efeito da anestesia usada para fazer a cesariana.

Vincent, que estava sentado em uma poltrona no canto do quarto, longe do campo de visão da sua esposa, percebeu que Donna finalmente acordou. Imediatamente ele se aproximou, deixando-a tensa, com a expressão de susto e medo estampados em sua face.

Donna não sabia o que esperar, não sabia o que falar, estava totalmente sem reação, mas a presença dele lhe causava um desconforto imenso. Queria gritar, expulsá-lo dali, pedir por explicações, quem sabe ouvir alguma desculpa que fizesse sentido para toda aquela barbárie. Mas sabia que não tinha. Estava claro que seu marido perfeito e que o cidadão angelino modelo não passavam de aparências, uma máscara usada para esconder o verdadeiro monstro que era, o Ceifador de Anjos.

— Que bom que você acordou, amor — ele falou gentil. — Como se sente? — perguntou em tom carinhoso.

— O quê? — perguntou Donna, incrédula, pois não esperava aquela recepção, pensou que talvez ele não soubesse que ela esteve no porão, mas ele iria ver, não adiantaria fingir.

— Como você está meu amor, passei toda tarde aqui com você, lamento não ter ficado ao seu lado na hora do parto — falou demonstrando tristeza, ao mesmo tempo em que segura com suas mãos a dela.

Aquele comentário a gelou, mentalmente agradeceu por não o ter por perto no momento em que sua filha nasceu.

— Minha filha, cadê ela? O que você fez com ela? — perguntou desesperada, ignorando as mãos dele sobre a dela.

— Donna, fique calma. Nossa filha está bem, mas como ela nasceu prematura, precisa de cuidados, não vai poder ficar aqui no quarto com você, pelo menos por enquanto — explicou ele, tranquilo. — O doutor Willyam Davids acredita que, entre três e cincos dias, vocês duas vão poder retornar para casa... você também precisa de cuidados, seu parto foi muito difícil e o médico está preocupado, inclusive com sua saúde mental — concluiu ele.

— Não tem nada de errado com minha saúde mental! — respondeu com raiva, puxando a mão. — Você quem deve ter problemas mentais, é único aqui que precisa de cuidados, você tem que ser preso, isso sim! — disse com raiva, em tom de ameaça.

— Donna, não estou entendendo. Por que está agindo assim, meu amor? — perguntou ele chateado.

— Eu vi sua coleção, no porão — confessa. — Como você pôde? Todas aquelas mulheres, meu Deus, como você teve coragem para isso? Stephanie, Ade... e eu? Quando seria eu? — indagou com raiva.

— Você não sabe o que está falando, amor. Tantos medicamentos, o parto difícil...

— Para! Chega de joguinhos, sou ingênua Vincent, não sou burra! — interrompeu irritada.

— Meu amor...

— Não me chame assim, como tem coragem? — respondeu indignada.

— Donna, por favor. Vamos conversar sobre isso em casa, está bem? Posso te explicar, tenho certeza que vai entender — Vince falou com calma.

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!