Capítulo 23.2

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 — Vince, você aqui tão cedo!? — falou ela surpresa ao entreabrir a porta. — Entre — falou dando-lhe espaço para passar. — Está tudo bem?

— Tudo bem, Ade, só queria conversar contigo antes de viajar — respondeu ele dentro da casa, enquanto a amiga fecha a porta.

— Claro, deve estar preocupado por deixar Donna sob meus cuidados. — Ela riu.

— Ah, não, nada disso. — Ele ri.

— Sabe que você é minha segunda visita inesperada hoje? — perguntou ela, sentando-se no sofá.

— Verdade? — disse ele, fingindo surpresa, sentando ao lado dela.

— Sim, Giovani veio falar comigo... de novo! — falou rindo. — Quer um café? Faço rapidinho para você — perguntou se levantando.

— Não precisa, Ade. Vou ser breve, tenho outros compromissos agora de manhã — falou ele ficando em pé.

— Entendo. Do que veio falar?

— Ade, seus gêmeos... — respondeu.

— Ah, meus bebês! — falou empolgada. Eu falei que tinha montado a quartinho deles, não é verdade? Mas você e Donna ainda não viram. Quer ver?

— Claro... vai ser um prazer — respondeu ele, surpreso com o convite inesperado.

Adelle sobe as escadas animada e ele a segue com expressão séria. Passam por um longo corredor com alguns dormitórios, até chegarem a um quarto grande, todo decorado com bichinhos, cuja mobília e cortinas são na cor branca.

— Não sei o sexo deles ainda, então acho que o branco é a cor mais apropriada — explicou ela encantada. — O que acha? — perguntou sorrindo.

— De muito bom gosto! — respondeu ele analisando os detalhes com um olhar indecifrável.

— Sabe Vince, eu conto os dias... e faltam tantos! — Ela riu, acariciando um dos berços vazios.

Vincent não respondeu, nem sequer a encarou.

— Acredita que agora apenas penso nisso? Nos meus filhos! Não vejo a hora de tê-los nos braços, tenho até sonhado com isso — ela confessou encantada.

— Você não vai, Ade! — ele falou baixo, com voz grave.

— O quê? — perguntou ela, com a expressão confusa.

— Eu disse que você não vai tê-los. Ade, você não pode ser mãe, não assim como está fazendo!

— Vince, o que está dizendo? — perguntou ela ainda mais confusa.

— Te falei tanto, Ade. Te pedi para que não fizesse isso, você não precisava disso, mas não quis me ouvir. Você sempre foi importante para mim, como uma irmã de sangue, mas você não é minha irmã, porque irmãos ouvem um ao outro, você não me ouviu.

— Vince, para com isso, está me assustando!

— Não posso, Ade, preciso falar, mas sei que você não vai entender. Você não me ouviu!

— Vincent Hughes, o que está acontecendo? Isso não tem a menor graça!

— Quando você perdeu o bebê, Deus interviu, mas nem a Ele você foi capaz de ouvir. Fez tudo de novo, não podia, Ade, não podia! — falou incomodado. — Na vida nunca se deveria cometer duas vezes o mesmo erro. Há bastante por onde escolher, sabe quem disse isso, Ade? Foi Russell. Você não precisava cometer o mesmo erro, Ade, não precisava!

— Meu Deus, Vincent, o que está dizendo? Não estou te entendendo, você está falando coisas sem sentidos.

— Você só pensa em você, Ade. Não tem o direito de trazer um anjo ao mundo para sofrer! — falou mais calmo, se aproximando dela, ao que Adelle se afasta.

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!