Capítulo 21

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Adelle havia acabado de se levantar e tomava o seu café da manhã quando Diana, uma colega de trabalho ligou, dizendo-lhe rapidamente que devia se preparar para o que iria ouvir, pois algo terrível aconteceu.

A advogada não conseguiu acreditar, aquilo não podia ser verdade, devia ser uma brincadeira de mau gosto, mas sua colega de trabalho garantiu que estava nas manchetes de todos os jornais de Los Angeles e reprisando nos noticiários.

Trêmula, ela ligou a televisão, procurou por uma programação jornalística qualquer e viu com os seus próprios olhos o seu namorado sendo levado de seu apartamento algemado e escoltado por policiais, acusado de estuprar e matar a ex-namorada, Janice Hanson Stout. A cena tinha acontecido cerca de uma hora atrás, mas continuou sendo repetida ao longo do dia.

Adelle ficou paralisada, enquanto seus olhos acompanhavam a reportagem, o seu cérebro tentava assimilar aquela informação. Janice estava morta, foi assassinada e o suspeito era Giovani, o homem com quem Ade planejava passar o resto da vida, com quem sentia que podia formar uma família e ser feliz.

Aquele homem matou a ex, como havia dito dias antes que não se incomodava se ela e o filho morressem, não foi da boca para fora, foi uma ameaça que ele levou a cabo. Mas estuprá-la... por quê? Nada fazia sentido, ao mesmo tempo em que tudo se fazia claro para ela. Talvez Giovani não tivesse estuprado Janice, mas matado após ter relações.

Não importava o quanto se esforçasse para entender aquilo, não ia conseguir. Adelle sentiu seu estômago girar, o mal-estar veio rápido, dando pouco tempo para que ela corresse ao banheiro para vomitar.

A sensação de que um buraco se abriu abaixo dos seus pés, as náuseas e a cabeça latejando pela dor da traição que certamente sofreu, a fez se desmontar em lágrimas. Ela podia ficar ali sentada no chão do banheiro por horas, não tinha a menor vontade de se levantar, queria apenas chorar.

O seu rosto se inundou em meio as suas lágrimas, os soluços soavam altos e a dor que sentia após aquela descoberta se assemelhava a uma dor física que nunca havia lhe sido infligida.

Ficou quase meia hora na mesma posição, presa em seus próprios pensamentos. Ouviu o telefone tocar insistente, uma, duas, três vezes. Passaram alguns segundos e ele tocou novamente. Demorou para que a advogada decidisse atender.

— Ade, eu sinto muito. Como você está? — perguntou Diana, do outro lado da linha.

— Bem — respondeu seca.

— Eu sei que não está bem... e preciso te perguntar, Ade, você vem para o trabalho hoje? É que... tem detetives aqui, estão colhendo depoimentos de todos os colegas do Giovani, querem falar com você também. Se preferir, eu passo seu endereço — falou Diana, devagar.

— NÃO — respondeu ela. — Estou indo, diga para me esperarem.

— Certo Ade, faltam outras pessoas para dar depoimentos também, venha com cuidado, sei que está nervosa, eu sinto muito mesmo... — disse a mulher tentando consolá-la, mas Adelle interrompeu a ligação, desligando o telefone.

Adelle não queria que sentissem pena dela, não foi ela quem morreu e não seria ela que acabaria presa. Estava viva e bem, Giovani não merecia suas lágrimas. Seu amor próprio era maior que tudo aquilo e seu filho precisava dela, se descabelar e chorar não iria ajudá-la em nada, além de acabar prejudicando o seu bebê.

Ela voltou ao banheiro, lavou o rosto, desamassou sua roupa, apanhou a bolsa e saiu, enquanto os detetives a esperavam. Adelle iria contar tudo para eles, não tinha porquê tentar proteger um traidor e ainda por cima, assassino.

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