Capítulo 20.2

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Um dia todo se passou tranquilo para os detetives Christopher e Ramona, no entanto, a aparente tranquilidade que se assolava por Los Angeles, se desfez quando foram chamados por volta das dezoito horas para a cena de um crime, no qual Ortega já estava presente esperando-os.

O policial que acionou o departamento, não deu qualquer detalhe sobre a cena do crime ou sobre a vítima, exceto que uma colega de trabalho, mais especificamente sua assessora, foi em sua casa procurá-la, já que ela não apareceu no trabalho e não atendeu suas ligações, assim, encontrou o corpo de Janice e chamou a polícia.

A rua da casa estava lotada de curiosos, desde passantes até os moradores das casas mais próximas, mas por sorte, ainda não havia chegado nenhum jornalista. Se identificaram para os policiais e adentraram a casa, orientados a subirem no quarto, que também estava repleto de policiais e pela equipe de perícia chefiada por Ladonna.

O corpo não estava coberto, o que indicava que a legista tinha acabado de chegar e que ainda o examinava. Os detetives viram o cadáver pálido estendido sobre a cama, em uma poça seca de sangue, pernas juntas e braços estendidos, havia sangue seco também na face da mulher, que escorreu da boca e do nariz. Os olhos estavam arregalados, demonstrando terror, desespero e dor.

A barriga da vítima apresentava vários ferimentos, todos provenientes de apunhadas feitas com uma lâmina afiada.

Ladonna cumprimentou os detetives, enquanto trocava suas luvas, que estavam bastante pegajosas, certamente porque ela havia introduzido as mãos no cadáver, encontrando um sangue ainda pastoso.

— O que aconteceu aqui? — perguntou o detetive ao se aproximar do corpo, seguido por Ramona.

— Também estou tentando entender, confesso que já criei centenas de teorias, mas não cheguei a nenhuma conclusão. Preparem para saírem daqui pirados! — disse ela em tom sério. — Seu nome é Janice Hanson Stout, 34 anos e gerente da Miller's — informou a legista. — Olhem para ela, o que lhes parece? — perguntou apontando para o cadáver.

— Alguém desferiu vários golpes na barriga dela, vejo que apenas na barriga. Pelo sangue no nariz e na boca, ela teve órgãos perfurados e a julgar por suas luvas — falou olhando para a legista. — Ela teve hemorragia interna também — observou Ramona, enquanto Christopher já com luvas descartáveis, dedilhava a região do ventre do cadáver.

— Foi o Ceifador de Anjos! — afirmou o detetive olhando para sua parceira. — Olhe aqui — disse pondo o dedo sobre um dos ferimentos. — É o mesmo lugar no qual "ele" iniciou a incisão nas outras mulheres, dá para ver que ele até forçou a lâmina para a lateral, creio que para fazer o corte!

— Também percebo isso — comentou Ramona. — Estamos certos, Ladonna?

— Talvez, como disse, criei muitas teorias... exceto por esse ferimento, não há mais nada nessa vítima que lembre o modus operandi do Ceifador, os golpes desferidos na barriga foram violentos, ele usou bastante força, deveria estar com muita raiva dela, não há qualquer escarificação, ou seja, não temos aqui a marca Mt 13 39, também não houve o golpe de misericórdia...

— O rompimento da veia femoral?

— Exato, chamo assim, como já disse, por garantir uma morte rápida para essas mulheres. Essa aqui morreu sentindo a dor de cada um desses ferimentos, pois foram tão seguidos que não permitiram que ela se mantivesse desacordada — explicou ela.

— Ela sofreu mais — constatou Christopher descartando suas luvas em um saco plástico. — Não houve extração de feto?

— Não, Janice não estava grávida — respondeu a legista.

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!